Incentivos

Temos ouvido nos últimos tempos nesta palavra tão… interessante mas afinal do que se trata?

Premiar uma actividade além do esperado ou simplesmente pagar para se fazer o que já está previsto? Se assim for, qualquer dia teremos de pagar um incentivo só para nos desfibrilharem.

Mas não nos dispersemos, o que está em questão é definir o valor e a qualidade do incentivo, assim como a sua justiça, equidade e relevância.

Porque raio serão diferentes os incentivos entre classes supostamente com o mesmo estatuto académico e porque terá uma delas estar dependente do funcionamento de outra (de forma tão directa)?

É que apesar de funções diferentes, cada uma delas tem igual importância nos resultados, nos ganhos em Saúde, sendo que as suas acções se direccionam para campos distintos mas também complementares .

Falando do caso específico dos enfermeiros (por ser aquele em que me sinto mais habilitado a tratar): Não sabiam estes à partida que os seus incentivos não seriam justos? Então porque aceitaram integrar projectos sobre os quais já sabiam as regras ? De qualquer forma nem é essa a questão, apesar de a moralidade da iniciativa de reivindicação de contrapartidas pecar por ser tardia, o busílis da questão é mostrar porque devem os enfermeiros precisar de outra forma de atribuição de incentivos, assim como mostrar a justiça dos mesmos. E penso que é aqui que reside o problema mas também a solução.

Não chega pedir mais enfermeiros porque os rácios da OCDE ou da OMS não estão de acordo com os nossos, mas sim demonstrar que efectivamente há horas de cuidados de enfermagem que não são prestadas por estes serem em número e qualidade insuficiente e o que perde efectivamente o utente com isto (em qualidade de vida e dinheiro). De que me serve dizer que faltam enfermeiros se não consigo demonstrar o que ganha o Estado, as finanças, a Saúde e os nosso utentes, com o empregar e motivar os enfermeiros?

Há várias formas de o fazer, nomeadamente nos CSP (cuidados de saúde primários…para os leigos).

– Demonstrar que as iniciativas desenvolvidas por enfermeiros têm tanto ou mais sucesso que as existentes, através do estudo a médio, longo prazo estas efectivamente produzem ganhos como aumento de hipertensos controlados (sem recurso a fármacos por ex.); diminuição do número de diabéticos e das complicações associadas a esta doença; diminuição da taxa de reinternamentos hospitalares através de uma cobertura mais eficaz e abrangente de cuidados prestados no domicílio(e só estamos a falar de cuidados de enfermagem); detecção precoce de doenças crónicas numa fase inicial através de rastreios em massa, sem necessidade de custos em material tão acrescidos como o seu futuro tratamento (DPOC através de espirometria, ou qualquer uma das citadas anteriormente). Para isto bastava simplesmente aumentar razoavelmente o número de enfermeiros e atribuir-lhes responsabilidades que lhes são inerentes mas que por razões de cariz político não lhes permitem ter na prática.

E agora dirão: “mas isso que está a dizer toda a gente o diz há muito tempo”, talvez… mas se não virmos resultados exibidos ou as acções postas em prática de que nos serve? Falar e não agir?É um grande problema da nossa classe.

Compreendo que a importância de reivindicarmos melhores salários e melhores condições de trabalho é primordial, mas não estamos a seguir a via correcta que é a de mostrar porque o devemos ser, quando apenas argumentamos apelando à justiça moral inerente ao nosso grau académico e à dificuldade do nosso exercício profissional. Não digo que não tenhamos toda a razão, mas temos de mostrar a quem não é enfermeiro a importância do nosso trabalho e não só queixar-mo-nos, porque na realidade a maioria das pessoas não sabe efectivamente as nossas competências e a nossa valia, é triste mas é a mais pura das verdades.

Não sei se isto que vou dizer de seguida é possível…Lamento mas não tenho a real noção da autonomia de um qualquer enfermeiro de uma USF ou CSP pedir ou exigir para ter um programa paralelo de prestação de cuidados em prevenção primária e secundária, baseado num paradigma centrado no enfermeiro, para poder compreender e estudar a diferença entre o modelo actual: medicocêntrico (se me permitem o neologismo) e o holístico ( sendo o enfermeiro o pivot). Seria um estudo interessante, um experiência piloto que talvez se viesse a revelar bem mais económica, sanitária e acessível.

Aí talvez não houvesse margem para dúvidas que os incentivos são desiguais.

Só outra coisa… Incentivos milionários? Como é possível, nem para médicos nem para enfermeiros nem para ninguém. Mas o que se passa com esta gente? Uma coisa é um prémio, outra coisa é uma fortuna…

Perdoem-me os médicos que até nem sou muito destas coisas, mas o problema disto tudo é eles serem demasiado poucos (pelo menos no sector público) e por isso poderem optar por privado e público, podendo inflacionar a sua mão de obra. Não faz sentido isto, não faz mesmo. Se isto se aplica a todas as outras profissões em Portugal porque não se há-de passar o mesmo em relação a eles. Talvez havendo uma pequena margem de desemprego muitos dos problemas relacionados com remunerações (quase à futebolista) não se passassem. Poderão argumentar com falta de locais para estágios de qualidade, mas se mantiverem as vagas em especialidades direccionadas para o exercício hospitalar e as aumentarem para as de exercício na comunidade (CSP) haverão por aí muitos centros de saúde à míngua com muitos utentes e casos para estudar.

Para o Estado… definam indicadores de produtividade sérios e adaptados a cada classe profissional, exigindo contrapartidas( realização dos objectivos propostos) premiando quem os cumpra e também PUNINDO quem não o faça. Só assim todos se sentirão responsáveis pelo que fazem, motivados para continuar o trabalho bem feito e separando o trigo do joio, que isto das ideologias comunistas só é passível de ser observado em formigas, abelhas, térmitas e outros casos assim.

As Pessoas não são todas iguais e eu se trabalho mais e melhor porque não sou reconhecido face a outro que é pior do que eu? O comunismo é muito bonito mas é uma Utopia ponto final parágrafo.

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