Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro, PARTE 1

As discussões à volta do desemprego e remunerações dos enfermeiros são dos assuntos mais em voga nesta comunidade (da qual orgulhosamente faço parte) mas pelo que tenho visto assiste-se simplesmente a discussões estéreis e lamentos de pesar pelo estado a que isto chegou:

São comuns as afirmações, tantas vezes contraditórias, sobre possíveis soluções para o problema e principalmente manifestações de pesar por não serem ou não terem sido adoptadas medidas para prevenir essa situação.

AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS SOBRE A ESCASSEZ OU EXCESSO DE ENFERMEIROS SÃO:

Há falta de enfermeiros (no argumento que até julgo verdadeiro mas ingénuo na forma política como é abordado) quando na realidade se deveria pura e simplesmente dizer que as instituições não funcionam com a qualidade exigida por não terem dotações seguras de enfermeiros , ou seja, eles não são é contratados, o que nos levaria a perguntar como é que chegaram a essa conclusão de que há falta de…?

Pelos rácios internacionais?

Porque constataram empiricamente?

Porque avaliaram serviço a serviço, instituição a instituição? Que instrumento de medida foi usado e será este fiável ou respeitável?

Ou será que os enfermeiros andam a fazer coisas menores e fora da sua competência legal, o que os impede de prestar os seus cuidados de enfermagem levando a que estes não sejam executadas inflacionando as supostas horas de cuidados de enfermagem não prestadas?

Não deveriam haver instrumentos de medida aplicáveis a qualquer género de valência/serviço/instituição e que fossem apresentados individualmente de forma a dar credibilidade aos números apresentados?

Por exemplo… NO HSJ EPE faltam mil enfermeiros, 3 no turno da manhã da Urologia, 10 no turno da tarde na UCIPU, 43 no total diário da Urgência.
No H. Magalhães Lemos faltam 4 enfermeiros no turno da manhã na PsicoGeriatria.
Na ULS Matosinhos faltam 8 enfermeiros no turno da tarde na Medicina X ou ainda… Faltam 20 enfermeiros no Centro de Saúde do Lumiar. Talvez assim fossem de melhor compreensão, credibilidade e verosimilhança os números apresentados. Porquê esta forma de expor o problema? Lá chegaremos…

A outra versão:Há excesso de enfermeiros (por oferta desregulada) e por isso existe desemprego (mais abaixo falarei também da diminuição nas remunerações…)

Como provar que há excesso se não existem sequer dados devidamente objectivos sobre cuidados de enfermagem que são ou não prestados? E se isso não se deve a uma insuficiente dotação de enfermeiros nos serviços?
E aqui remeteria para exemplos semelhantes aos referidos na minha argumentação supracitada sobre a discriminação dos dados, sector a sector.

Porque é que as instituições não contratam ainda mais enfermeiros se eles até se vendem mais baratos, ou seja se dois custam 1000 euros/mês e um custa também 1000/mês porque não contratar dois, até porque supostamente a instituição ficaria a ganhar (dois pelo preço de um)?

– Se há excesso de enfermeiros (a exercer a sua profissão) porque se queixam tanto os enfermeiros de excesso de trabalho, burn out, maior incidência de doenças profissionais relativamente a outros profissionais?

– Porque é que o excesso de enfermeiros (os que exercem) não o é assim entendido pela maioria dos que exercem na sua prática diária onde, consideram não ter mãos a medir para o trabalho que surge?
Era uma situação a explorar num estudo que verificasse o nível de cansaço sentido em cada profissão, a nível físico e psíquico ao fim de uma jornada de trabalho?

– Havendo excesso de enfermeiros não seria de verificar-se um aumento da competitividade da parte das instituições para captarem os melhores, efectivamente melhores e não por meia dúzia de parâmetros que incluem morada, idade e realização de um mísero estágio de 2 meses nessa mesma instituição, entre outros?

Desculpem-me se não referi pontos ou alíneas em ambas as versões, para isso conto convosco…

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2 thoughts on “Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro, PARTE 1

  1. Colegas, venho pedir um momento de reflexão e se possível um momento de união. Como já deve ser do vosso conhecimento a reunião de 2ª Feira (24 de Março) entre a OE e o Ministro Mariano Gago não correu NADA BEM, pelo contrário (1º Ciclo). Penso ser um momento de bater o pé, falarmos todos a mesma linguagem, ou seja, 2º CICLO JÁ. Se as educadoras de infância entre outros têm o 2º ciclo, porque devemos ficar satisfeitos com muito menos. Mais, será que a enfermagem em Portugal não está no patamar de 2º Ciclo. É fulcral, agora e não depois, conversarmos e debatermos o futuro da enfermagem. Era bom o tema e ordem do dia ser processo de Bolonha 2º Ciclo para os enfermeiros. Falemos do assunto nas escolas, nos sindicatos, na ordem, nos hospitais, nos centros de saúde, lares, clínicas, ou seja, no café, na cama, em todo o lado. Informem, procurem informar, procurem informação, não podemos parar de falar nisto até conseguirmos. OS ENFERMEIROS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOSÉ altura de todos, Directores, Supervisores, Chefes, Enfermeiros Especialistas e Enfermeiros de todas as áreas unirem esforços. Temos de fazer pressão. Não vamos, nem podemos esperar por alguém e/ou por entidades, cada um tem de falar e mostrar a sua indignação, frustração e revolta. CHEGOU O MOMENTO ou é agora, ou nunca mais será. Vamos falar e obrigar a falar.

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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