Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro, PARTE 2

Onde eu quero chegar é:

Relativamente à temática do desemprego ( e considero-a relativamente diferente das remunerações) a minha opinião é esta:

De facto existiu e existe uma oferta desregulada para o que o mercado pode absorver, não que a oferta não fosse a correcta mas a de criar o mercado para que ela fosse “absorvida” e aqui dependeria de cada interessado (qualquer enfermeiro, responsável do serviço, qualquer órgão relacionado com enfermagem ou até outro profissional do ramo da Saúde) mostrar objectiva e discriminadamente onde faltam enfermeiros e como chegou a essa conclusão.

Por objectividade entendo usar um instrumento de avaliação da carga de trabalho de enfermagem e comparar horas de cuidados necessárias versus horas de cuidados cumpridas e relacioná-las com o número de enfermeiros que tem disponíveis, verificando-se o seu excesso ou escassez.

A discriminação seria útil pois permitiria observarem-se os locais exactos onde eles faltam ou estão em excesso e abolir de uma vez por todas com discursos vagos de “faltam X0000 enfermeiros”… Assim ao menos perceber-se-ia aonde exactamente…

Claro que esta forma de avaliar teria de ser adequada, uniformizada e universalmente usada.

Atingir isso só por decreto de uma instituição e cópia do modelo por parte das outras, ou por um parecer de uma entidade superior tipo OE ao Ministério da Saúde que a declararia obrigatória ou ainda pelo propagar de uma unidade /serviço a outras por iniciativas individuais ou mais ou menos consertadas (sendo que neste caso levaria mais tempo).

Depois vem a questão da criação do mercado capaz de absorver todos estes profissionais…

Aparentemente a tarefa mais espinhosa mas, uma vez estabelecido este mercado, permitiria uma consolidação de uma posição que talvez se tornasse, durante muito tempo (porque nada é imutável e os paradigmas podem mudar bastando descobrir o gene da imortalidade ou qualquer outra medida que evitasse a apoptose celular, e todos os problemas relacionados com as doenças, a sua prevenção e tratamento acabariam e todas as profissões actuais relacionadas com a Saúde seriam obsoletas )a regra, pois demonstraria inequivocamente o porquê de os enfermeiros serem tidos em conta em qualquer política de Saúde, tal como o reconhecimento do seu papel primordial na gestão e prestação de cuidados de saúde à população, assim como as inequívocas vantagens de termos mais e melhores enfermeiros em todas as instituições de Saúde ou com elas relacionadas.

Como atingir isto pensarão… é que identificar os problemas é relativamente fácil mas soluções objectivas é que é mais complicado.

De qualquer forma vou correr o risco de pecar por defeito e talvez alguma objectividade pois o intuito do explanar da minha visão não é apontá-las como se estivessem prontas a aplicar mas sim mostrar o caminho para as mesmas, no entanto tentarei não perder alguma acutilância e pormenor em determinadas propostas que irei apresentar apesar de noutras deixar apenas um simples repto que contudo não deixará de ser bem objectivo e nunca um delírio vago.

Nesta apresentação ficará subentendida a minha posição sobre a que considero não totalmente relacionável questão de excesso de oferta/ diminuição das remunerações.

Criar indicadores de produtividade para enfermeiros que sejam mensuráveis e minimamente dependentes da avaliação de terceiros.

– É de sobremaneira importante distinguir entre um bom e um mau profissional, para que o bom seja premiado e o mau seja penalizado e dessa forma incentivado a melhorar. Só dessa forma se evita a mediocridade e se mantém um estímulo concorrencial que só pode ser mau para quem efectivamente está acomodado. Não percebo como podem todos ganharem o mesmo…

– A distinção de um profissional como bom trabalhador será uma forma de aumentar o seu rendimento e a sua produtividade e um estímulo para que outros façam o mesmo. Não podemos é criar um sistema de avaliação de desempenho que dependa em grande parte da bonomia do avaliador. Têm de ser dados objectivos e mensuráveis.

– Se a avaliação de produtividade for eficaz permitirá realmente distinguir entre um bom e um mau profissional e será possível a um observador externo verificar que há ganhos em ter este ou aquele trabalhador e dessa forma ocorrerá um aumento da remuneração pois cada instituição lutará por ter os melhores e assim os melhores serão melhor pagos.

No seguimento das alíneas anteriores as instituições poderão verificar que determinado elemento (estou sempre a falar de enfermeiros mas isto é uma realidade aplicada a qualquer outro sector profissional) traduzem ganhos que, no caso da Saúde, podem constatar-se por indicadores como: diminuição do tempo de internamento, diminuição da taxa de infecção nosocomial : redução no uso de antibioterapia, complicações como IRA (insuficiência renal aguda) associadas ao uso dos anteriormente referidos antibióticos; menor uso de MCDT (meios complementares de diagnóstico e terapêutica) com resultados idênticos ou seja melhor relação custo/efectividade, diminuição do número de quedas, diminuição de reinternamentos, entre muitas outras coisas que podem ser imputadas quase unicamente à prática profissional.

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