Formas de ver um problema…

Cinco propostas para aproximar a OE dos seus membros (os enfermeiros)
´

1. Reactivar o fórum no site da OE

– Apenas seria possível a visualização ou participação nos conteúdos, por enfermeiros, após processo de identificação simples, como aquele usado para entrar na área reservada sendo que o membro ficaria identificado pelo nome e número de cédula profissional (impediria mensagens menos próprias sob o manto do anonimato assim como a participação de não enfermeiros seria impedida).

– O uso do fórum poderia levar a que os enfermeiros pudessem colocar as suas dúvidas/questões num local mais próprio, além de que permitiria, por parte da OE, esclarecer essas dúvidas de uma forma mais célere assim como “tomar o pulso” ao que os seus membros necessitam.

– Seria um local privilegiado para discutir assuntos relacionados com a Enfermagem, desde temas como sistemas de informação, passando por esclarecimento de competências no âmbito de novas especialidades, até à apresentação de artigos de divulgação científica. Porque não ser uma espécie de Portal da Enfermagem por excelência?

– Promoveria a interactividade entre membros, facultando o tão necessário benchmarking, tão escasso na Enfermagem (mas que está a alterar-se a olhos vistos), que leva tantas vezes, à invenção repetida da Roda e ao não verificar-se, retarda o progresso das nossas práticas e reflexões.

2. Criação de um noticiário online

Não nos actuais moldes, mas numa versão mais dinâmica, com mais actualizações, se possíveis diárias, em que se desse conta dos progressos feitos nos temas debatidos nas Assembleias Gerais (por exemplo), em assuntos como o Modelo de Desenvolvimento Profissional ou as novas especialidades. Basicamente , dar conta de todos os progressos feitos ou estádio actual dos mesmos.

– Uma vez que deter toda a informação relativa aos enfermeiros é impossível ( nem o tão popular Professor Marcelo o consegue na sua área…), quem melhor para veicular essa informação do que a única organização que congrega todos os Enfermeiros deste país?

– Se os enfermeiros “sofrem” de algum tipo de iliteracia ou analfabetismo não deverá ser um dever mais premente da OE resolver este problema?

Ou deverá ela esperar ou aguardar que estes evoluam naturalmente para um “estado” mais “cognitivo”?
– Uma organização forte não se faz apenas por dirigentes fortes, precisa também de associados fortes e se estes não o são não será do interesse de quem sabe como torná-los mais fortes (os dirigentes) agir nesse sentido? A Força deve partir das bases… de que interessa ter os melhores generais se os soldados não sabem disparar a carabina? Não é dever destes formá-los da melhor forma? Ou devem estes esperar que o País que os conduz para a Guerra seja o responsável único por isso, sem que os Generais possam demonstrar o seu Know-how?

– Poder-se-á pensar que não existem notícias suficientes para manter um formato deste tipo, mas não só de notícias de Enfermeiros vive a Enfermagem, esta é mais do que a soma dos seus Enfermeiros e se há coisa que devemos ser, é observadores, olhar as diferentes realidades e visões. Não nos devem interessar somente as NOSSAS notícias mas também as que dizem respeito a economia de saúde, política, inovação científica nas mais diferentes áreas, etc., etc., etc.. Todos os enfermeiros gostariam de fazerem um ponto da situação diário, que não estivesse enviesado por visões mais facciosas, mas do prisma de uma instituição que deve primar pelo respeito, autonomia e distância crítica, para que possa fazer uma Verdadeira Análise.

3. Promover o reconhecimento dos seus membros entre os próprios pares

– Organizando eventos onde se possam alardear feitos ou carreiras relevantes (qualquer que seja o critério desde que justo) mais frequentemente, a título honorífico ( a gratificação monetária é sobrevalorizada em muitos contextos) pois se há coisa que não fazemos bem é reconhecermos as nossas virtudes nem admiti-las aos que nos são próximos (neste contexto de trabalho… os nossos colegas). Os incentivos não precisam de ser palpáveis (dinheiro ou benesses) pois por vezes o reconhecimento público tem um atractivo maior…

– Fomentar trocas de experiências ( o ponto 1 é uma das medidas para.), levando ao Benchmarking, não só através de congressos ou jornadas, mas também criando um espírito de cooperação e interacção que pode ser conseguido pela publicação ou publicitação de um feito especial de um enfermeiro que será seguido por outros, criando uma reacção em cadeia de partilha de informação entre os melhores, acabando por elevar o nível geral.

– Organização de tertúlias frequentes, grupos de reflexão sobre os mais variados temas, existindo apenas um tema previamente definido mas sem prelectores escolhidos: o mote poderia ser dado por um elemento da OE, caso necessário, e seria uma excelente forma de aglutinar vozes dispersas( os bloggers seriam excelentes convidados e aquisições para um contributo com a OE para a OE e a Enfermagem) com meios diferentes mas fins comuns (melhorar a Enfermagem)…

– Atribuir méritos ou prémios (de qualquer espécie) a quem se destaque nalguma área (ou que para tal tenha sido proposto) fazendo notícia disso. Os prémios devem ser suficientemente importantes para que não seja simplesmente necessário ser medíocre para alcançá-lo, nem severamente exigente para que ninguém possa almejar tê-lo.

– Não há como um enfermeiro ser devidamente reconhecido como quando o é pelos próprios colegas…nem que seja uma menção honrosa…

4. Mudar a abordagem pública aos problemas da Enfermagem ( Portuguesa )

Este é talvez o mais controverso e debatido problema ou abordagem (dependendo do ponto de vista) da OE, pelos enfermeiros em geral, portanto é algo que não carece de grandes explicações do ponto de vista argumentativo (ao escolher-se um dos lados de olhar a situação os diagnósticos já estão feitos) pelo que me limitarei a expor um ponto de vista unicamente pessoal em relação às várias temáticas que, a meu ver, “separam” a forma como são encaradas pela OE e a percepção que os seus membros têm delas…

Desemprego:

– A mensagem que é veiculada através da comunicação social é que de facto ainda existe falta de enfermeiros em Portugal, não passando para o “Público” em geral, que o que acontece é haver dotações de pessoal inseguras para os padrões de qualidade exigíveis. Se o objectivo é “forçar” a contratação de enfermeiros através destas declarações (ou o que delas é filtrado) o discurso devia ser mesmo esse. Dizer claramente que o SNS está deficitário em termos do número de enfermeiros exigidos apesar de haver desemprego maciço.
É preciso deixar claro que existem enfermeiros no desemprego.
Penso que não há melhor “regulação” de vagas nas escolas do que a procura das mesmas.

Se existir uma mensagem clara e bem presente na Sociedade Portuguesa, de que Enfermagem é um curso sem saída profissional actual não existirão muitos alunos a procurar esse curso (quer queiramos quer não, a saída profissional é uma motivação major na hora de escolher o curso), pelo que nem é necessário “interferir” directamente na regulação de vagas…

Até podemos saber que existe um rácio deficiente de enfermeiro/utente no nosso SNS, mas temos de ser mais argutos, perseverantes e objectivos para que esse objectivo seja atingido.

– Urgência/Emergência Pré-Hospitalar

Urge a clarificação do que se pretende quanto a esta área, e não sendo defensor do acto de enfermagem, creio que ou os enfermeiros ocupam este “nicho” ou impedem que outros o façam.
A única forma que vejo de o fazer, caso não ocupemos esta área, é mesmo a criação de um mecanismo que impedisse que outros o fizessem ( o acto de enfermagem seria um deles, mas como já disse, não o defendo pois a médio/longo prazo julgo que iria ser castrador do aperfeiçoamento da profissão), mas isso não seria bom para os principais interessados, os utentes, e por conseguinte não é lógico impedir cuidados aos utentes senão existirem alternativas, e as alternativas são os enfermeiros assumirem o comando do Pré-hospitalar, não há sequer mais opções ou alternativas melhores possíveis.

Portanto, é necessário que cada vez que este assunto venha à baila ( e ultimamente tem vindo e bastante), e a OE está a mostrar um trabalho satisfatório nesse aspecto, defender a criação de especialidades de enfermagem viradas para esta área e se for preciso desacreditar outras visões do mundo do pré-hospitalar de uma forma veemente, há que fazê-lo, pois acredito piamente que todos têm a ganhar com isso (enfermeiros, Estado e utentes) se forem os enfermeiros a fazê-lo, mais do que qualquer outra hipótese imaginária. O respeito que os enfermeiros têm pela sua OE também parte da força que sentem ao vê-la actuar, nem que seja agressivamente ( e é possível fazê-lo de forma inteligente e sem vislumbre de rasteirismos, passe o neologismo).

Ensino

Sou Jovem e tal ( logo devo ser inconsequente, pouco esclarecido e não ter uma visão global dos acontecimentos), mas se há coisa que a minha juventude não me permite vislumbrar é como podem existir mil e um cursos de enfermagem no país, todos diferentes uns dos outros?

Não tendo a OE poder de regulação a este nível, não pode ter o poder de uma “acreditação” mesmo que não tenha qualquer poder vinculativo?

– Não deve ser também a OE a predefinir o que exige, em termos de conhecimentos, de um enfermeiro ( o MDP não chegará numa fase tardia para resolver este problema e acabará por ser punitivo para quem menos culpa teria, o estudante?) e desse modo “definir” um plano de estudos comum a todas as escolas, com os conteúdos a serem abordados e só depois deixar espaço a “divagações” dessas mesmas escolas, que poderiam querer abordar temáticas mais… divergentes?

– Porque não aborda a OE publicamente este problema, claramente e sem rodeios, dizendo que não se está a formar com qualidade porque existem demasiados alunos, as escolas e instituições de saúde não têm condições para isso e isso fará com que a saúde dos portugueses esteja em perigo ( estes alarmismos aparentemente dão resultados noutras classes, porque não segui-los quando nos dêem jeito, afinal de contas não podemos ter sempre uma perspectiva tão …aprovável)? O desemprego diminuiria e os enfermeiros na globalidade achariam boa ideia…

– Reformas nos CSP

Não deveríamos era também pensar já numa alternativa a este modelo de CSP?
Até porque este projecto das USF está moribundo… e o canto do cisne ( a declaração oficial de… este modelo está obsoleto) pode ter sido, tão só adiado…

Será que este modelo nos garante :

– Diminuição da procura de serviços de saúde?
– Controlo do crescimento dos gastos com a doença, que por agora é só “crescente” mas que será também exponencial no futuro?
– Melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida (acima de tudo este…)?
– Acessibilidade e igualdade na oferta de serviços de saúde à população?
– Incentivos adequados à melhoria das condições de exercício profissional e por conseguinte, motivação para o mesmo?
– A sustentabilidade de um SNS tendencialmente gratuito e universal?

Não deveríamos ter uma voz mais activa na planificação das políticas de Saúde? Então há que pensar à frente, no depois também, oferecer alternativas credíveis e melhores…

Aqui nesta matéria julgo que a OE poderia ter publicitado melhor o seu papel no desenrolar das negociações, sem ter perdido uma imagem institucional isenta nos assuntos sindicais. Esta abordagem da OE também poderia ser adoptada noutros quadrantes.

Em jeito de conclusão poderia dizer que a OE pode ter toda a razão na sua argumentação, mas os factos mostram que a maioria dos enfermeiros está cada vez mais alheada dos problemas da profissão e menos interessada em apontar alternativas ou soluções.

Não podendo a OE perder a sua imagem institucional de referência, pois isso poderia acarretar muitos revezes em negociações, invisíveis para a esmagadora maioria dos enfermeiros, dependentes da máxima “o segredo é a alma do negócio”, é imperativo que ela, de vez em quando, desça do alto da superioridade moral (nem estou a ser sarcástico nem nego que a tenha) e adopte medidas mais claras. Os enfermeiros precisam de um pai e de uma mãe, não de um padre ou dum psicólogo.

Não pode o rei, observar do alto da sua colina ver o seu exército a ser destroçado e e não abdicar do seu título e usando a sua guarda pessoal ( e ele próprio) para aguentar a batalha enquanto os reforços não chegam. È que os reforços ao chegarem podem já não encontrar exército algum, ou a batalha já ter sido perdida.
E sem exército não se ganham batalhas ou muito menos guerras.

Se existem desígnios de outras entidades que não são cumpridos não deve a OE assegurá-los?

Artigo 3.o
Atribuições
1 — A Ordem tem como desígnio fundamental promover
a defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem
prestados à população, bem como o desenvolvimento,
a regulamentação e o controlo do exercício
da profissão de enfermeiro, assegurando a observância
das regras de ética e deontologia profissional.
2 — São atribuições da Ordem:
a) Zelar pela função social, dignidade e prestígio
da profissão de enfermeiro, promovendo a valorização
profissional e científica dos seus membros;

(…)

o) Colaborar com as organizações de classe que
representam os enfermeiros em matérias de
interesse comum, por iniciativa própria ou por
iniciativa daquelas organizações.

Como repararam não fiz 5 propostas mas apenas 4…
Primeiro porque tenho a certeza que a OE é composta por pessoas capazes e que já terão pensado nestas e em muitas outras mais.
Em segundo lugar, a 5ª se não está ainda pensada digam-ma vocês por favor…

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13 thoughts on “Formas de ver um problema…

  1. “De que nos serve regulamentar o que quer que seja se não existir profissionais competentes para actuar? Respondi-lhe com uma pergunta?”E não existem?Mas de qualuqre forma, isto exige, como é lógico, uma concertação geral entre escolas e prática.

  2. “”O que nos defende de intromissões alheias é o facto de não sermos muitas vezes os mais competentes nalguma área, ou o nosso desinteresse ou a nossa ausência completa dela. Ou seja, ou abandonamos a área, ou melhoramos de forma a tornar-mo-nos os mais capazes (…)”Não só digo que devemos mudar a nossa atitude, mas também digo esta é uma altura optima de INOVAR.Como provar que somos os mais competentes em determinado procedimento, acto, atitude, postura, em detrimento de outros profissionais? Se continuamos a ser os mesmos, apenas com algumas evoluções que acompanharam a tecnologia e os tempos mas continuamos a não Inovar!

  3. Em relação a “Para que definir actos se não existir quem os faça?”Fiquei confuso.De que nos serve regulamentar o que quer que seja se não existir profissionais competentes para actuar? Respondi-lhe com uma pergunta?Qual o imperativo de termos uma lista de actos que podemos ou não praticar? Outras profissões necessitam disso para poderem exercer?Não julgando REPE como algo de divino, a verdade é que ele nos habilita a fazer praticamente tudo… precisamos apenas de sermos competentes para isso. Agora diga-me que o que é necessário é definir os actos e não tornar-nos competentes para os fazer… O que nos defende de intromissões alheias é o facto de não sermos muitas vezes os mais competentes nalguma área, ou o nosso desinteresse ou a nossa ausência completa dela. Ou seja, ou abandonamos a área, ou melhoramos de forma a tornar-mo-nos os mais capazes, não podemos é remoer em glórias passadas…

  4. Um eventual acto de enfermagem não poderá ser um dogma, nem imutável, mas sim moldável, que permita Inovação não sendo assim redutor!A palavra “acto” acho que é algo claustrofobica, provavelmente não senda a mais correcta na definição daquilo que queremos para nós, Enfermagem, a definição das nossas competencias e saberes!PS: Esta partilha de ideias entre vocês sobre esta tematica está deveras interessante.

  5. “Para que definir actos se não existir quem os faça?”Fiquei confuso.” Em que consiste exactamente um acto de enfermagem, um acto médico ou um acto farmacêutico?”Um procedimento/intervenção/concepção que apenas pode ser desenvolvido(a) pelo respectivo profissional mais habilitado (em termos científicos/técnicos/humanos) para o efeito.Logicamente, muitos serão partilhados, outros exclusivos.Acho que estamos a complicar o que é muito simples. Se quisermos enveredar pela linguagem judicial, é uma questão de jurisdição.Qualquer agente explicar-lhe-à a diferença entre a GNR, PSP e PJ – assim como os seus actos profissionais….Boa discussão, colega. Boa discussão…

  6. Mais difícil? Parece-me o único com garantias duradouras… Para que definir actos se não existir quem os faça? Em que consiste exactamente um acto de enfermagem, um acto médico ou um acto farmacêutico? Significa que só profissional com o nome homónimo o pode prestar, ou apenas a disciplina a que se refere? Sem competências devidas como manter o que quer que seja?

  7. “Não devereríamos incidir na base do problema (o porquê de terem surgido esses “roubos de funções”) e não em medidas paliativas e dificilmente postas em prática?”Não vá por aí. É o caminho mais difícil, além de que a resposta é extremamente simples.

  8. Só hoje li (na totalidade) uma tomada de posição da OE face à questão da definição do acto médico, posição essa que data de 2005, mas que ainda se mantém actual.Eu considero-a bastante pertinente, até porque julgo que o problema de “roubo” de funções deve-se mais ao “não agarrar”, regulamentar e definir competências do que propriamente a regulamentações legais que impeçam o exercício de certas actividades. No fundo é o utente que deve reconhecer o melhor serviço que tem para escolher: podemos insistir em restrições ou podemos ir de encontro aos desejos dele: Prestar o melhor serviço possível, ou por outras palavras, prestar melhores cuidados que outros.Não acabamos com a concorrência (se assim lhe podemos chamar) com leis restritivas mas com um produto melhor…Acha que é concebível perder tempo a definir as mil, dez mil ou o milhão de páginas, se depois terá de “passar” no Parlamento (o que duvido que passasse)? O que pretende? Que a determinado acto corresponda um profissional único para o fazer? Ou que seja, efectivamente o mais habilitado a fazê-lo?Não devereríamos incidir na base do problema (o porquê de terem surgido esses “roubos de funções”) e não em medidas paliativas e dificilmente postas em prática?E aqui a OE tem a sua quota parte, por não ter dinamizado a criação e implementação de especialidades mais consentâneas com este objectivo…Como dizia o colega blogger visaoenfernaldacoisa, o que é ser bom enfermeiro? O que pretendemos de um enfermeiro? Que deve ele saber para exercer a sua profissão convenientemente? Qual a noção de conveniente?

  9. Como ja te disse muitas vezes… és um espetaculo… tens estas ideias espetaculares! Acho que OE devia estar mais atenta as sugestões que tu e o doutorenfermeiro dão pois assim a Enfermagem podia evoluir de uma maneira muito positiva. Embora por vezes discordem em alguns aspectos tenho a certeza que se unissem esforços iriam conseguir trazer mudanças muito positivas para a nossa classe que esta a precisar de tratamento intensivo urgente.Dou-te os meus parabens por este blog que apenas demostra aquilo que ja sabia, que tens potencial para fazer algo por esta Enfermagem que “doente”…

  10. Por ex., um possível acto de Enfermagem era “a administração de fármacos via EV”. Assim sim, ajudaria a criar emprego. Por exemplo, em muitas clínicas de radiodiagnóstico os Enfermeiros começaram a ser empurrados para fora, porque os TDT de Radiologia começaram a administrar contrastes e etc.Agora… agarramos o quê? Argumentamos com o REPE? Claramente, não. Ou seja, mais potenciais empregos deitados pela janela fora.Ó colega é inevitável… a matriz indefinida, flexível e vaga (com cabimento abrangente) tem os dias cotados. O acto de Enfermagem pode ser um livro com 100, 500, 1000 ou 10 mil páginas…. é só querermos. Lá pode vir escrito tudo o que vem contemplado no REPE e mais… É difícil? É. É complexo? Muito.Mas a ser definido legalmente era óptimo para a profissão.Se queremos indefinir, escrevamos numa página:”Os Enfermeiros tratam da saúde aos utentes”.Pronto. Tem o problema resolvido. Aqui, tudo tem cabimento. Reparou nisso? No entanto, não nos “protege” dos outros, nem tão pouco “protege” os utentes dos outros…

  11. Ao contrário do que o colega doutorenfermeiro afirma, julgo que no caso da enfermagem, o boom de procura do curso se deveu principalmente à superempregabilidade (passe o neologismo) que o curso gozava e não tanto ao gostar propriamente de Enfermagem, até porque esta não goza do mesmo estatuto das profissões que referiu ( e apesar de achar isso uma enormidade, a verdade é que isso acontece e alerto já para não confundirmos nobreza da profissão com o estatuto da mesma). A maioria das pessoas que entrou ou entra para o curso está mal informada, julgando ainda que é o Eldorado, ao contrário de outros cursos que já padecem deste mal há bem mais tempo, em que entram porque “acham” que têm vocação para a Coisa, apesar dos futuros problemas de emprego. Se acho que só isto é suficiente, não não acho, mas já seria um bom caminho para limitar o acesso ao cursiQuanto à questão dos rácios, se eu fosse actualmente presidente de um CA de uma instituição qualquer, ameaçaria de despedimento todos aqueles que não DEMONSTRASSEM qualquer utilidade (hipoteticamente como é óbvio)O fim disto seria um de vários: Ou despedia todos os enfermeiros (para só falarmos deste caso em particular) e estes ou se uniam e faziam GREVE (um artifício dos trabalhadores que no caso dos enfermeiros, está viciado à partida pela obrigatoriedade de cumprir os Cuidados mínimos (o que quer que isso seja) e provavelmente eu nem daria por isso, ou estes abandonariam os serviços e aí quem seria despedido seria eu porque a instituição simplesmente parava… Como a hipótese da greve e a sua relação com os cuidados mínimos, me parece inviável para atingir esses objectivos, e a “debandada” da instituição me parece impossível ( Finlândia está bem longe…) teríamos duas hipóteses, rezarmos para que nos calhem presidentes radicais como eu para que a falta seja notada ou então apostar naquilo que é: Mostrar o que realmente fazemos e o impacto (resultados expressos em melhoria dos indicadores de saúde e correlação com gastos finais ) dessas acções. `É que na minha opinião , as razões pelas qual as nossas reivindicações não são respeitadas não passam apenas pela lei da oferta e procura… Como já expliquei parcialmente noutro post deste blogue essa minha opinião, não me queria alongar, mas passa também pelo reconhecimento da importância das acções do enfermeiro. É que caso o reconhecimento fosse real existiria pelo menos uma “corrida” aos enfermeiros mais competentes, mas isso não existe pois não? Pelo menos numa dimensão tal que permita dizer que um enfermeiro é realmente mais reconhecido que outro (mais bem pago).Sinceramente, como utente, cidadão e contribuinte, preferia que existisse não uma formação deficitária, mas ligeiramente excedentária( não podemos acusar outras classes destes pecados, médicos por ex., porque queremos o mesmo, como enfermeiros), pois não quero que o Estado fique refém de interesses corporativos que podem acarretar prejuízo da minha condição de cidadão e contribuinte, e porque como utente desejo que haja o mínimo de concorrência e que seja possível separar o trigo do joio, para que sejam os melhores a prestarem-me cuidados. Não quero contudo uma situação como a actual, em que dentro de poucos anos mais de 20% da classe estará desempregada ( 14000 em 69000 enfermeiros), pois a prática da nossa profissão, com qualidade, tal como muitas outras em saúde, não se coaduna com longos tempos de não exercício da mesma. Em relação ao último caso que referiu… o da hemodiálise, acho que iríamos dar sempre ao mesmo beco: competências profissionais. Se os enfermeiros não evoluem ou evoluíram suficientemente deixaram suplantar-se por outros profissionais. Julga que a definição do acto de enfermagem impediria isso? A propósito… em jeito de desafio: Dê-me uma definição de Acto de Enfermagem que seja dinâmico, fluído, moldável, que se adapte às circunstâncias (como o REPE) mas que tenha também a característica de ser um conservatório contra usurpações. É que realmente será uma entidade fantástica. De que servirá se os enfermeiros não tiverem assumido as suas áreas de acção com o máximo de competências exigidas para isso? Se não agirmos nessa área melhor do que ninguém? Hein?

  12. “( o acto de enfermagem seria um deles, mas como já disse, não o defendo pois a médio/longo prazo julgo que iria ser castrador do aperfeiçoamento da profissão)”Mais uma vez. O acto de Enf. não é castrador, pois não é estanque nem inflexivel. É dinâmico, fluído, moldável e modifica-se com o tempo. Adapta-se às circuntâncias e vai sendo um produto das conquistas…Portanto, castrador não é. É um “conservatório” contra usurpações, mas que permite a evolução.

  13. “a saída profissional é uma motivação major na hora de escolher o curso), pelo que nem é necessário “interferir” directamente na regulação de vagas…”Não concordo. Veja o exemplo dos professores, mais vagas houvesse, mais candidatos haveria, apesar de numa certa altura ter existido 40 mil desempregados entre os professores.”Até podemos saber que existe um rácio deficiente de enfermeiro/utente no nosso SNS, mas temos de ser mais argutos, perseverantes e objectivos para que esse objectivo seja atingido.”OK, mas com calma e realismo. Todos sabemos que estas decisões necessitam de cabimento orçamental, e como tal, se quisermos ser mais papista do que o papa, o tiro ainda si pela culatra ou acerta no pé… estou-me a referir concretamente à (re)criação dos auxiliares de enfermagem…Por isso e por mil razões o mais sensato é manter a classe levemente deficitária em profissionais, até porque se quisermos ter de novo poderes reivindicaticos…… se seguirmos outros caminho, cada vez mais teremos enfermeiros a auferir o salário mínimo.Boas dotações sim, mas com realismo e MUITA ponderação.Lembro por exemplo as diálises. Os enfermeiros quiseram rácios mundos e fundos e agora, os empregadores começaram a” importar” os técnicos de diálises, e agora nem mos enfermeiros ainda foram mais reduzidos do que aqueles que havia inicialmente…. claramente um tiro no pé!

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