Manifestações e greves

Sou apologista de negociações sustentadas e baseadas na evidência, com incidência numa maior capacidade argumentativa a longo prazo, como por exemplo criar e explanar os motivos porque é importante para o SNS e seus “paralelos” que o enfermeiro seja melhor remunerado, seja detentor de maiores responsabilidades, seja reconhecido pelas suas competências e tenha capacidade de abraçar novas, como forma de demonstrar que tudo isso levaria a uma melhoria global de todos os serviços de Saúde:

– Menores gastos: mais enfermeiros e melhor remunerados leva a uma diminuição dos gastos com tratamento de infecções, diminuição do tempo de internamento, menos complicações (logo menores gastos), prevenção e controlo de doenças crónicas ( e consequente gastos diminuídos com fármacos).

– Melhoria dos indicadores de saúde: O aumento da esperança média de vida não se traduziu em aumento do tempo com qualidade de vida, isto porque além dos fármacos, a intervenção em outros aspectos da saúde/doença é importante nesse objectivo ( qualidade de vida): O enfermeiro é, graças à sua formação de base e ambiente de prática laboral, o profissional melhor colocado para globalmente poder intervir nos mais diversos aspectos para a obtenção de melhor satisfação das necessidades de saúde da Pessoa.

A garantia de que os enfermeiros sempre foram e serão os profissionais mais cumpridores de horários, assíduos, pontuais, com uma entrega e devoção à causa que face à imoral política de compensar os cumpridores só lhes causou danos. O habitual de … é bonzinho logo é dispensável, quando noutro contexto deveria ser… é bom logo é recompensado. Que ninguém o negue, somos os mais cumpridores de todos (não somos perfeitos mas ainda assim somos os melhores).

Mas aparte isto, existe a questão de falar na eficácia de uma Greve, na forma como esta deve e pode ser feita, apesar de achar as greves uma forma de luta ultrapassada e com efeitos muito curtos devido a alguns factores como o seu impacto…

Qual o seu impacto?

Actualmente? Apenas uma forma das Administrações pouparem um dia de salário, excepto nos locais onde não existem serviços mínimos…

Onde eles existem, acontece o inexplicável, aparentemente tudo é mínimo o que nos leva a pensar: habitualmente já se faz o mínimo ou não sabemos o que é mínimo?
Isto leva a que as greves não tenham absolutamente impacto nenhum: quer económico quer a nível dos cuidados, quer da percepção pelos receptores dos cuidados.

Portanto o que resta? Como fazer greve?

Uma solução é definir exactamente quais são os cuidados mínimos?

Por exemplo dizer que é somente assegurar o ABCD.

Outra solução é a greve de zelo (tal como eu a entendo), ou seja, prestar os cuidados dentro do tempo normal e esperado, administrar um medicamento e esperar os efeitos tal como eles vêm previstos na bula, cumprir escrupulosamente todos os protocolos e mendigâncias legais ou técnicas. Enfim… fazer tudo o que deve ser exactamente feito mas à velocidade normal e não à rapidez que é imperativa em todos os serviços de Saúde de Portugal, sem que mais nos pudesse ser exigido. Não sei…

Que é que vocês acham?

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2 thoughts on “Manifestações e greves

  1. O modelo de greve que conhecemos pode estar gasto e criar nos enfermeiros a sensação de desmotivação. Mas que outras alternativas temos? Os enfermeiros não têm por hábito aderir a outras formas de pressão ditadas pelo sindicato. A greve ainda parece ser a melhor forma que os enfermeiros têm de mostrar o seu descontentamento. E realmente a greve na enfermagem é fundamentalmente para chamar a atenção para determinado problema e não para dar prejuízo, visto que não se podem parar grandes áreas de prestação. Mas a imaginação pode ajudar-nos em lutas futuras. Vamos ver que outras sugestões aparecem.

  2. Em 1º lugar temos de perguntar: o que é a greve e para que serve:1ºA greve consiste numa alteração a um dia normal de trabalho;2º A greve serve PARA CHAMAR A ATENÇÃO sobre a situação de um trabalhador/empresa/Sector de produção, que não é a mais justa, do ponto de vista do trabalhadorOu seja, faz-se uma greve com a intenção de ao chamar a atenção para o trabalho por nós feito,Alguém (governo,Patronato) sinta que de facto deva alterar as condições de trabalho desse trabalhador.Quanto maior for o efeito da nossa ausência no local de trabalho, ou maior foi a indignação de clientes que ficam sem serviços prestados, maiores as possibilidades da entidade empregadora alinhar pelas reindivicações dos seus trabalhadores.Ou seja temos de fazer algo que chame a atenção do nosso papel e que faça a opinião publica a ganhar simpatia pela nossa causa.Ao planear uma greve, temos de usar as mesmas armas com que somos diariamente atacados pelos administradores no nosso local de trabalho. Temos de usar a nossa inteligência e ser estrategas a planear uma greve!2ºPonto (o que é uma greve bem feita e que possa reunir o apoio do povo que por sua vez pressiona o governo/empresas em nosso beneficío enquanto enfermeiros?)Está na altura ser sermos estrategas. a)Será a melhor greve não aparecer no local de trabalho, sobrecarregando o(s) colega(s) que fica obrigado aos serviços minimos, sendo como resultado final o trabalho aparecer feito e o admnistrador ficar a rir-se porque poupou mais uns milhares de ordenados de grevistas?b) Será a melhor greve aparecer no local de trabalho, sentar-se à secretária e quando um utente vem para fazer uma pergunta sobre um doente a resposta do(a) enfermeiro(a) ser: Não sei de nada,estou de greve?Vamos ser estrategas. Temos o PODER de estar responsáveis pelas 24H do doente.Vamos ser estrategas. Vamos fazer a greve que os nossos adversários não esperam. Vamos fazer um tipo de greve que pode ter total adesão no Serviço Publico e Privado de Saúde, e que jamais algum administrador poderá ousar boicotar com decretos lei manhosos porque vamos ser inventivos e criativos. E ao dizer isto não digo para andarmos 10 ou 12 enfermeiros de bicicleta por Lisboa a dizer que ha Desemprego emEnfermagem.c)Alguns dias atràs lembrei-me… e se um dia atingissemos o sistema com que sonhamos, com dotações adequadas de pessoal, com tempo para nos inteirarmos de um doente e também muito importante, de envolvermos a familia do doente no processo de cura…(a parte financeira e das carreiras virá na medida em que conseguirmos dar visibilidade à nossa actuação enquanto ciência no terreno)Embora possa chocar muitos, a minha ideia de greve seria a seguinte:D)Marca-se a greve e aparecemos todos no nosso serviço para trabalhar (pelo menos os que puderem) e demonstrarmos com seria um dia com recursos humanos de Enfermagem suficientes para causar um brilharete e impacto positivo na nossa actuação. Administração de terapêutica explicando ao doente a farmacologia dos medicamentos, Banhos completos da cabeça aos pés com pedicure, perfumaria, e a parte fundamental para a publicidade da nossa causa- o contacto com os familiares do estado do doente, pessoalmente pelo telefone, etç. A publicidade da nossa actuação num dia em que existem mais enfermeiros que os minimos estipulados pelas direcções daria aos utentes uma VISÃO DO PARAÍso que quereriam repetir, e seguramente conseguiriamos reunir mais apoios desta forma do que assinar o livro de ponto e “daqui não saio daqui ninguém me tira” Que Tal? JR

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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