Algumas coisas que se dizem por aí

Num blogue liberal radical diz-se

(…)
“O estado não tem que ser prestador de cuidados de saúde, podendo entregar à gestão privada as suas actuais unidades. A gestão privada constituirá provavelmente a forma mais eficaz de reduzir custos no sector da saúde.
(…)

O princípio do utilizador/pagador pode e deve ser aplicado com propriedade aos cuidados de saúde, em alguns casos, que caracterizaremos como tratamentos ou cuidados não essenciais ou supérfluos. Será o caso de grande parte dos cuidados de natureza estética, que não devem ser pagos pelo erário público. Será o caso de muitas intervenções que são mais caras do que outras que produzem resultados semelhantes, desde logo sobre a esperança de vida.
De uma forma geral, os cuidados com impacto sobre a esperança de vida devem ser uma preocupação da sociedade como um todo (e.g. hemodiálise, tratamento infecção HIV). Já os cuidados com impacto sobre a qualidade de vida deverão ser vistos como algo que diz respeito a cada um (exceptuando-se as doenças mais debilitantes e com maior limitação da actividade da pessoa, e.g. epilepsia).”link
Ponto 1: do provavelmente ao realmente ainda vai uma diferença muito grande e como se tem visto em Portugal, as empresas privadas em gestão não podem dar grandes lições a não ser a procura do lucro fácil e do logro (BPP, BPN, etc etc). Outros sistemas de predomínio privado por excelência (EUA) mostram que não fica nem mais barato nem mais eficaz!
Ponto 2: Se quanto a cirurgias a cirurgias estéticas até poderia concordar, apesar de desconhecer em que casos em que o SNS fez isso, quanto aos cuidados superficiais e supérfluos … não entendo muito bem o que querem dizer com isso… Será que se referem aos utentes que vão ao SU por sentirem um desconforto precordial e afinal saíram de lá com um diazepan? É que isso pode tornar-se uma faca de dois (le)gumes: as pessoas que seriam desincentivadas a procurar serviços de saúde pelo eventual preço a pagar se nada fosse diagnosticado e a procurá-los-iam demasiado tarde provocando um custo total maior pelo tratamento mais dispendioso. Ou seja… acabava-se por destruir toda e qualquer prevenção. Tal traduzir-se-ia por um total desinvestimento na prevenção e concentrar-se-ia o investimento no tratamento agudo. Porém admito estar enganado pois desconheço o real sentido das afirmações…
Quanto ao último ponto… Quem o escreveu obviamente não entende o conceito de Saúde… Qualidade de vida e esperança de vida são conceitos que não podem ser dissociados. Um exemplo prático disso é um utente sem qualidade de vida é um elemento da sociedade com produtividade diminuída ou sem produtividade: imaginam a consequência a nível do trabalho? Qualidade de vida em Saúde traduz-se por capacidade de se manter independente na sua vida diária… Não convém confundir com outras definições mais leigas…
Temos de ter cuidado com o sentido que queremos dar ao controlo da procura de serviços de saúde…
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