Carga de trabalho de enfermagem: como medi-la? em UCI’s por exemplo





O conceito de cuidar de doentes em estado crítico terá sido preconizado por Florence Nigthingale, em 1863, no entanto, o seu desenvolvimento ocorreu no final das décadas de 40 e 50, atingindo um maior desenvolvimento nos anos 70 com a criação das Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).



Com o crescente número de UCI’s, surgiu a necessidade de avaliação da relação custo/benefício atendendo ao gasto expressivo destas unidades, caracterizado em cerca de 20 % do total dos custos hospitalares (QUEIJO, 2002). Surge assim a procura, cada vez maior, pelo desenvolvimento de índices ou indicadores de gravidade no sentido de estratificar os doentes de acordo com a gravidade da doença e do prognóstico, de forma a estabelecer pré-requisitos mínimos que justifiquem um internamento numa unidade.


Numa perspectiva clínica, os índices de gravidade têm como objectivo básico a descrição quantitativa do grau de disfunção orgânica de utentes gravemente doentes, através de valores numéricos decorrentes das alterações clínicas e laboratoriais existentes, do tipo e/ou quantidade de procedimentos utilizados (LIVIANU, referenciado por QUEIJO, 2002).

Um dos indicadores de mortalidade conhecidos e aceites internacionalmente é o Acute Physilogy and Chronic Health Evaluation (APACHE) ou o SAPS (simplified acute phisiology score)
No que concerne à Enfermagem, surgiu a necessidade de indicadores objectivos de forma a classificar os doentes segundo as necessidades dos cuidados prestados e ainda que indirectamente, a gravidade dos mesmos. Emergem assim os conceitos de classificação dos doentes, qualidade de cuidados, gestão de recursos humanos e monitorização da produtividade, tendo por base o grau de complexidade dos cuidados de enfermagem.

Ao permitirem o dimensionamento do pessoal de enfermagem, os indicadores de cuidados tornaram-se um instrumento de gestão para a busca da qualidade nos cuidados, na medida em que procuram adequar o quadro de pessoal disponível às necessidades dos doentes e da instituição: No entanto, se por um lado, uma equipa de enfermagem sobredimensionada implica um elevado custo, por outro, uma equipa reduzida poderá determinar uma diminuição da eficácia/qualidade dos cuidados prestados, levando a internamentos mais prolongados e consequente maior custo no tratamento e reestabelecimento dos doentes.

Dos inúmeros índices existentes para avaliar a carga de trabalho de enfermagem em UCI, destacam-se o Simplified Therapeutic Intervention Scoring System (TISS-28) e o seu sucessor Nursing Activities Score (NAS), criado por Reis Miranda em 2003.

O TISS-28, foi publicado pela primeira vez por Reis Miranda e colaboradores em 1996, é constituído por sete categorias de intervenções terapêuticas (actividades básicas, suporte ventilatório, cardiovascular, renal, neurológico, metabólico e intervenções específicas), totalizando vinte e oito itens. 

Apesar de ser um índice de carga de trabalho de enfermagem validado em Portugal com uma boa fiabilidade de utilização, contempla apenas cerca de 43.3% das actividades de enfermagem.


Comparativamente com o TISS-28, o NAS tornou-se um índice de carga de trabalho de enfermagem mais abrangente na medida que engloba mais cinco actividades básicas relacionadas com o trabalho dos enfermeiros (monitorização e controles, procedimentos de higiene, mobilização e posicionamento, suporte e cuidados aos familiares/doentes, tarefas administrativas e gerenciais). Além de ser um instrumento de medida mais reduzido (23 itens), descreve aproximadamente duas vezes mais o tempo dispendido pelo enfermeiro no cuidado ao doente crítico, apresentando uma sensibilidade de 80.8% para a medida das actividades de enfermagem (PADILHA, 2005).

Apesar de não estar ainda validado em Portugal, e das suas limitações inerentes a qualquer instrumento de avaliação de carga de trabalho de enfermagem (não descreve na totalidade o tempo real que o enfermeiro gasta no cuidar), consideramos que o NAS será o instrumento de medida que mais se aproxima da realidade das UCI’s Portuguesas.


Artigo cedido por: MIM

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