Deveres dos utentes




“DEVERES DOS DOENTES


1. O doente tem o dever de zelar pelo seu estado de saúde. Isto significa que deve procurar garantir o mais completo restabelecimento e também participar na promoção da própria saúde e da comunidade em que vive.

2. O doente tem o dever de fornecer aos profissionais de saúde todas as informações necessárias para obtenção de um correcto diagnóstico e adequado tratamento.

3. O doente tem o dever de respeitar os direitos dos outros doentes.

4. O doente tem o dever de colaborar com os profissionais de saúde, respeitando as indicações que lhe são recomendadas e, por si, livremente aceites.

5. O doente tem o dever de respeitar as regras de funcionamento dos serviços de saúde.

6. O doente tem o dever de utilizar os serviços de saúde de forma apropriada e de colaborar activamente na redução de gastos desnecessários





Reconhecendo que ainda temos muito a caminhar para assegurar o total cumprimentos dos direitos dos utentes (não concordo com a expressão doente) as nossas insitituições têm vindo a criminalizar os profissionais incumpridores (como devido) mas olvidando completamente os utentes quando são estes os incumpridores… 

Face a este desígnio que pretendemos que seja uma realidade…

“A melhoria dos níveis de literacia em saúde é essencial não só para assegurar a transmissão do conhecimento mas também para garantir o desenvolvimento de competências fundamentais para o empowerment e a auto-responsabilização dos cidadãos para com a sua saúde” (Nutbeam 2000 citado por Ramos et al 2010). 



Não podemos interpretar mal o termo e reforçar que os deveres também são parte da responsabilização do cidadão com a sua saúde…

1. Vejo utentes a recorrer aos serviços de saúde, usar da sua isenção para obter os medicamentos a um preço módico/nulo e depois não tomá-los e voltar ao SU pelo mesmo motivo… Um ciclo vicioso!

2. Vejo utentes indignados e desprovidos de confiança no profissional de saúde que os atende, omitindo dados sobre serem portadores de doenças, potenciando eventuais riscos para si próprios ou para terceiros (profissionais) nomeadamente omitindo ter doenças altamente contagiosas.

3. Vejo utentes a tentarem passar à frente de outros utentes por considerarem a sua “doença” maior do que a de outros, tentando ganhar a simpatia do profissional e/ou tentando obter uma “cunha” (“vá lá… só a mim”).

4 e 5. Vejo utentes a subverter as regras de, por exemplo acompanhamento de doentes, impondo desrespeitosamente a sua vontade e acabando por violar a lei “O acompanhante deve comportar -se com urbanidade e respeitar e acatar as instruções e indicações, devidamente fundamentadas, dos profissionais de serviço”: da Lei 33/2009

6.  Vejo constantemente abusos no uso dos serviços de saúde: pretendendo por exemplo fazer análises de rotina num SU e ficar indignado quando se explica que não é essa a função do SU (apesar de terminantemente não estarmos a dizer que não vai ser atendido) e “pedir exames desncessários” anunciando reclamar caso tal “exigência não for satisfeita, apesar de não ser de todo recomendado tal exame.



E no entanto as instituições transferem para os seus profissionais, quer o ónus de trabalhar em condições que não propiciam à qualidade, por exemplo subdotação de recursos humanos(propiciando a má qualidade e posterior indignação/reclamação e falta de protecção contra agressões físicas e verbais quer não procurando acabar com comportamentos desadequados por parte dos utilizadores dos serviços.

Assim não há missionário que aguente a pregar a boa nova!

O profissional também tem de ser respeitado para que possa respeitar.

O utente tem de respeitar para ser respeitado…


Utentes não se esqueçam que nós também somos pessoas e gostamos de ser tratados com respeito e educação… E se estivéssemos lá só por dinheiro já há muito que ninguém trabalhava lá 


PS: Será por trabalhar num serviço público que “vivo” desta forma a questão?
Anúncios

4 thoughts on “Deveres dos utentes

  1. Penso que tal mudança no paradigma tem a ver com as pressões do sector privado para imiscuir-se decisivamente nos centros de decisão.É por demais conhecida a acepção de qualidade que os privados têm acerca da saúde… Qualidade apercebida dos utentes em detrimento da qualidade técnica e científica que é precisamente o inverso do público.Além disso o dever de accountability é cada vez mais uma realidade e de facto a passagem da saúde a um nível completamente diferente (uma das maiores parcelas de despesa dos Orçamentos dos diferentes estados)necessitou da importação do modelo de qualidade da indústria de forma a mantermos a sustentabilidade do sistema.No entanto o meio termo terá de ser encontrado caso contrário uma anarquia se instalará… Nem os utentes podem fazer o que lhes apatece (alguém tem de explicar o que é democracia) nem os profissionais são ditadores( pedagogia precisa-se)… Mas acima de tudo mudanças estruturais na forma de organização das instituições… de modo a que todos tenham os seus direitos acautelados e os deveres bem definidos

  2. O paradigma está em constante mutação. Neste momento poderia dizer que cada vez existe menor responsabilização por parte dos utentes enquanto que os deveres dos profissionais são cada vez mais esmiuçados.(ex.)Um doente pulmonar crónico que usufrui do rendimento social de inserção e que por incumprimento terapêutico (canalizando os ditos fundos que se destinariam para a sua reintegração social para a compra de tabaco) tem reinternamentos consecutivos, não estará a violar o dever de zelar pela própria saúde? Então se não cumpre com o programa de promoção da própria saúde, qual será a atitude de defesa por parte da instituição de saúde perante alguém que explora os seus recursos e compromete as estatísticas relativas à performance do trabalho dos seus colaboradores? É este o paradoxo do modelo à moda do Arnaut, os utentes não cumprem com os seus deveres, logo os profissionais de saúde……….

  3. concordo plenamente com o post, passamos do 8 para o 80, grande parte das vezes as reclamações dos utentes não tem fundamento porque não procuram saber a causa da demora em ser atendidos e responsabilizam os profissionais errados. Não temos nada que nos defenda das agressões fisicas e verbais, das coações. Praticamente não temos o direito de não querer tratar aquele utente que nos maltratou porque sofremos pressões de várias identidades.

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s