Abandono de idosos… Ter pena não chega!






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A realidade é esta: o ritmo da nossa sociedade está a crescer exponencialmente.
As pessoas já não trabalham ao pé de casa, demoram em certos casos 2 horas nas viagens de ida e volta do local de emprego, vivem longe da família, incluindo irmãos, tios, primos e os filhos são cada vez mais O(a)  filho(a). Ou seja a família é cada vez mais pequena e com menos meios de apoio intrafamiliar.
A pressão nos locais de emprego é cada vez maior e a dedicação à “causa” é cada vez mais obrigatória em vez de desejável.
A distribuição de riqueza fica nos patrões e menos nos empregados diminuindo os rendimentos no entanto as despesas aumentaram: toda a gente quer ter casa própria (cada vez mais cara), necessita de carro próprio, os filhos são mais exigentes e querem telemóvel, PS3, Nintendo Wii ou Xbox, e cada vez menos dinheiro entra em contas poupança.
Ou seja existe uma pressão para produzir e uma necessidade prática para que isso aconteça, é que é cada vez mais difícil manter um emprego, ter dinheiro para sustentar a descendência ( e talvez por isso ela seja mais escassa) e mesmo assim manter um pouco da sua “Vida”.
No entanto:
ão julgo quem assuma não ter condições em casa para cuidar dos idosos da sua família, até porque muitas das vezes isso implica um abandono do seu emprego e com isso hipotecar a vida dos seus filhos.
Não posso também julgar que assumam não saber cuidar dos seus familiares, até porque as várias velocidades a que anda o SNS assumem aqui a sua mais triste constatação de ineficácia (avante explicarei melhor) e as pessoas recebem em casa alguém muito dependente de cuidados e obviamente não se sentem capazes de o fazer.
Independentemente de nos referirmos ao abandono de idosos como algo de criminoso, e que o é certamente, importa antes de mais encontrar soluções para que tal não aconteça
.
De nada interessa criminalizar quem o faz se não nos importarmos realmente por dar uma solução a quem é abandondado senão mais parece aquele chavão do: “Ai coitadinha lque partiu uma perna” e não nos interessarmos por perceber o que aconteceu e levá-la ao hospital para ser cuidada…
Ter pena não chega é preciso actuar…
Dito isto:
Artigo 4º
Missão e atribuições:
(…)
 2- A UCC presta cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito
domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais
vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença
que requeira acompanhamento próximo, e actua, ainda, na educação para a saúde, na
integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de
intervenção.”
São objectivos da RNCCI a prestação de cuidados de saúde e de apoio social de forma continuada e integrada a pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência. Os Cuidados Continuados Integrados estão centrados na recuperação global da pessoa, promovendo a sua autonomia e melhorando a sua funcionalidade, no âmbito da situação de dependência em que se encontra.”
-Primeiro é necessário identificar as necessidades actuais em cuidados dos nossos utentes (sociais, saúde ou ambos)
– Perceber se a família pode fazê-lo ou não. Se não pode o porquê.
– Capacitar a família ou melhor, os cuidadores informais para a prestação de cuidados.
– Que apoios existem às famílias para que possam assumir esse papel.
– Assumir, por parte do Ministério da Saúde, que a reforma dos CSP anda a várias velocidades e paradigmas diferentes: não podemos preconizar altas precoces e depois enviar as pessoas para o abandono e incapacidade em autocuidarem-se e cuidarem de outros.
– Discutir qual o papel do SNS em assegurar estes cuidados. Quais os meios disponíveis? Temos profissionais especializados nestes cuidados (enfermeiros) em número suficiente? Se a resposta é não… Porquê?
– Perguntar-nos porque é que as UCC não estão a ser mais celeremente implementadas. A culpa de não estarem a funcionar é de alguém…
– Porque é que a RNCCI é escassa em vagas e auditar externamente, quanto ao ponto de vista técnico,  estas unidades.
Por fim explicar às pessoas que isto é só o início…O futuro será cada vez mais este, por todas as razões demográficas e socioeconómicas subentendidas no texto previamente escrito
 E que o dinheiro tem de ser melhor investido… Pergunto-me quantas pessoas totalmente dependentes fazem cargas de medicação desnecessárias… É necessário repensar a excessiva medicalização… Sob pena de não existir dinheiro para dar uma saúde digna a ninguém. E pensar nos valores da nossa sociedade… Na razão de darmos tão pouca importância à História…
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