Incoerências da Ordem dos Enfermeiros





Na cerimónia de vinculação à profissão dos novos enfermeiros…


“A Enf.ª Maria Augusta Sousa referiu-se, por exemplo, ao facto de 30 por cento dos jovens enfermeiros da Região Norte não estarem a trabalhar na profissão, optando muitas vezes pelo estrangeiro para viabilizarem um sonho e uma vocação. É difícil explicar a postura política que, após investir nos profissionais, os empurra para fora do País, quando há «necessidades de cuidados de Enfermagem que não estão garantidas»”


(…)


“Tendo visitado as escolas superiores de Enfermagem Dr. José Montalvão Machado (Chaves) e de Vila Real, a responsável máxima da Ordem dos Enfermeiros salientou o papel que ambas têm desempenhado para a formação de enfermeiros na região.”




Retirado de: Site da OE


Por um lado critica-se o não investimento político na absorção do mercado de trabalho de enfermagem


Por outro enaltece-se quem promove o aumento de vagas desadequado à realidade. As escolas é que podem regular a sua oferta… não a OE… por isso não percebo a razão do agradecimento


OE e PS (Sócrates) não têm assim tantas diferenças…


A OE quer formar licenciados em Enfermagem para atingir rácios internacionalmente divulgados(vide caso da OCDE) e Sócrates (PS) querem ter um rácio de licenciados idêntico ao de outros países da UE. Ambos não têm onde colocar os licenciados, pelo menos a exercer as funções para as quais se formaram


Não combina bem… 


E depois diz algo que eu rejeito completamente: “Esta é a geração mais qualificada que a Enfermagem conheceu em toda a sua História». Foi deste modo que a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) se dirigiu hoje às quase três centenas de enfermeiros da Secção Regional Norte que juraram honrar a profissão.”




Poderia ser é diferente de ser… Os alunos estão a interpretar mal a mensagem da Enfermagem Avançada ( da autoria do Enfº Abel Paiva e que é a teoria mais em voga actualmente no ensino): isso não significa abandonar o que já fazemos mas sim aprofundar e expandir a nossa acção assim como modificar a forma de olhar para a Saúde (globalmente e não baseado em intervenções isoladas)… 


Algo que poderia ter um efeito fantástico pode estar a ter um efeito perverso: Os alunos estão prestes a tornarem-se inúteis do ponto de vista das necessidades actuais do nosso sistema de Saúde…


E não sei como é que a massificação do ensino pode ter contribuído para a melhoria do mesmo… mais oportunidades de aprendizagem? Precisamente o contrário… 


Aposta principal para os próximos dirigentes da OE: Profissionalização do Gabinete de Imagem e Comunicação… 







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7 thoughts on “Incoerências da Ordem dos Enfermeiros

  1. Só mais uma nota: por circunstâncias economicistas e por falta de recursos médicos, acredito que a enfermagem irá ter necessidade de agarrar funções que penetram barreira da medicalização.Contudo não podemos pensar no que poderemos fazer nesse campo, se nem sequer seguramos o que fomos conquistando com o tempo e no que devemos evoluir como ciência autónoma, com domínios específicos de actuação e com mercado de trabalho sem interdependência.

  2. Caro Magistral estratega!!Começo por debater o aspecto da enfermagem avançada:A enfermagem como sabe, começou por ser definida por Florence Nightingale e com o passar do tempo, as várias escolas e pensamentos de enfermagem foram surgindo um pouco à moda das necessidades que iam sendo vigentes em cada ponto do globo, e com base, na permissão politica, social, económica local e que concedia espaço para que os alicerces do conceito e da prática de enfermagem fosse criando e consolidando.É necessário pensar-se em enfermagem, entendê-la e praticá-la, mas primeiro e preciso entendê-la. No meio de tanta corrente filosófica, no meio de tanta escola, e de uma necessidade de se afirmar enquanto profissão ou enquanto profissionais de enfermagem, andamos um pouco a perceber onde é que havemos de actuar, claro com o intuito de não perder a identidade e encontrar um terreno onde nos possamos afirmar com autonomia!!A autonomia é aquilo onde através do seu poder de análise, consegue encontrar necessidades, estabelecer uma diagnóstico e intervir, onde se pressupõe uma tomada de decisão. Hoje em dia, o enfermeiro tem autonomia, e muitos focos de actuação. E mesmo nas actividades com prescrição iniciada por outros, a nossa autonomia não se esgota, porque devemos conhecer o que temos a fazer, o porquê, como e a pertinência!E na verdade, criam-se todos os dias necessidades na nossa sociedade em cuidados de enfermagem e é preciso aproveitá-las, investigando e praticando com o que da ciência se extrai.Contudo não podemos deixar que as politicas altamente desfavoráveis à prática dos enfermeiros nos levem a desacreditar no que de tão nosso possamos fazer e com ganhos em saúde.A competência é algo que tem que estar inerente a cada profissional e não como justificativa ao exercício de funções cujo domínio não é da nossa autoria ou do nosso mandato profissional!! Caso contrario, se a competência for uma razão para enveredarmos por um campo de actuação que não é nosso, ai sim, iremos perder por completo a nossa identidade, em direcção a uma ilusão por conquista de autonomiaContudo, se seguirmos a filosofia da “competência para… ”, acredito que num cenário que não desejo, iríamos encontrar muitos tipos de enfermeiros "enganados" satisfeitos, tal como retrata num excerto que publicou intitulado "tipos de enfermeiros", por ironicamente conseguirem finalmente encontrar um ponto de paz intelectual, profissional, quicá pessoal, por obterem a sua autonomia num papel de minidoctor, a prescrever medicações e a diagnosticar dislipidemias, quando deveriam sim rever a medicação de uma pessoa que necessita de cuidados de enfermagem, que troca o medicamento azul pelo vermelho, tomando três quando devia tomar um!!Infelizmente, o mundo do tratamento das doenças, das prescrições, das cirurgias e do sangue é que tem pica para muita gente. De referir também que, não posso concordar que entenda ou pareça plausível que ao nível do hospital não possamos ser autónomos, existe muito de enfermagem como existe muitas actividades que ao longo do tempo, por vontade médica, estes foram deixando e nós fomos adquirindo, contudo em tempos em que a enfermagem tinha uma estrutura conceptual e profissional fraca!Precisamos de enfermeiros, enfermeiros esclarecidos, competentes, competência essa que é uma faculdade que deverá ser inacta!!

  3. Olá colega Mnurse. Agradecido pelo elogio e de facto o melhor elogio é visitar o blogue e comentá-lo.Em relação à defesa do que é nosso e da aposta na Enfermagem Avançada queria só perguntar:Quem definiu o que é Enfermagem ou não? Como se perde mais tempo (todos nós) a discutir o que é ou não Enfermagem em vez de pensarmos que Enfermagem é tudo o que os enfermeiros fazem com que ela seja?SE adoptássemos neste exacto e preciso momento esse conceito de só fazer o que é nosso… Que intervenção iríamos ter num Hospital, Bloco Operatório, SU ou CS?E arrisco mais… Existe profissão completamente profissão autónoma?O que significa autonomia? SER conhecedor da área em que labora sem necessitar da colaboração de terceiros?Eu discordo da perspectiva de adoptar o que é "nosso" porque eu não entendo quem decidiu o que é nosso e o que não é e porquê.A minha actividade deve reger-se antes pelo princípio: Sou o mais competente e adequado para fazê-lo?

  4. (…continuação)Efectivamente, está mais que na altura de pensar que enfermagem queremos para Portugal.Esta discussão já se faz há muito tempo em vários pontos do globo, cada um há sua maneira, mas o certo é que a Enfermagem está a correr nos dois sentidos por forças que esbarram com as politicas ou com a necessidade de afirmação de identidade profissional.A enfermagem perde por não haver um consenso de conteúdos a leccionar entre as várias Escolas de Enfermagem, perde por não seguir uma politica de defesa do que é do carácter e da natureza funcional da Enfermagem e perderá muito se seguir um caminho em que se faz Enfermagem para todos os gostos!! Não me admirará nada que daqui a uns tempos haja uma especie de Enfermagem farmaceutica, ou enfermagem médica, ou farmaceuticos enfermagicos, ou médicofarmaceuticos!! Enfermagem avançada sim, ou seja enfermagem com mais Enfermagem. Apoio a investigação em torno do que é o nosso caracter funcional e onde os enfermeiros podem ter uma papel autonomo, claro e que vá de encontro à sua natureza de intervenção. E existe muitos campos onde podemos nos orgulhar de actuar com autonomia e identidade. Mas temos que saber investigar e defender o que temos.Não me revejo no papel de um Enfermeiro que prescreve medicação nas urgências de um hospital central só porque fica mais barato ao estado e porque os Enfermeiros têm capacidades para o fazer. Esta necessidade de afirmação têm que ser a nossa última opção de escolha.Primeiro vamos pensar no que é nosso e defendê-lo e depois pensamos no que por força da necessidade politica, económica e social tivermos que seguir!! Caso contrário corremos para uma Enfermagem sem identidade.

  5. No meu ponto de vista, a OE perdeu credibilidade pelo que fez (ou não fez)durante os primeiros tempos de existência e anos seguintes. O grande boom de Escolas de Enfermagem, da ultima década, não teve uma oposição da OE, ou por inexperiencia, ou porque na altura a empregabilidade em Enfermagem ainda era uma realidade deixando as primeiras proliferar, ficando sem mão para travar as que vieram a seguir. Neste momento, para salvaguardar o nome e a dignidade da profissão, resigno pelo qual tem que lutar e defender, ora temos o Modelo de Desenvolvimento Profissional à porta. Mal ou bem, o certo é que não tem outra forma de fazer uma pressão exterior sobre o Ministério da TES, e sobre as Escolas de forma a parar o aumento de vagas em Enfermagem!! Mas com membros docentes de Escolas com cargos na OE, os enfermeiros ficam logo à partida com um pé atrás sobre a imparcialidade pela forma como irá desenrolar o Exercício Profissional Tutelado.(…continua)

  6. Antes de mais felicito o colega, pelo exemplo construído, de blog pensante acerca da saúde de Portugal em geral, e da Enfermagem em particular. Concordo perfeitamente com o seu post, lamento que não tenha maior feeback por meio de comentários. Posto isto, aludo ao destaque que descreveu a cerimónia de vinculação à OE de enfermeiros da Secção Regional Norte. Devo acrescentar a conivência da Ordem dos Enfermeiros com esta massificação de formação em Enfermagem, passando a descrever o conteúdo dos discursos de excelentíssimos prelectores na cerimónia de véspera de vinculação à OE, na secção regional da RAM. Ora, mais não eram bem-vindos, senão:- o principal prelector, um docente de uma escola superior de enfermagem convidado a discursar acerca do Desenvolvimento profissional,-e como se não bastasse, a anfitriã daquela cerimónia, a presidente do conselho de enfermagem regional daquele órgão regulador, também é docente de uma escola superior de enfermagem.Entre mais um ou outro prelectores, mais não acrescento, senão dizer que promoveram a formação contínua (Em quê? Com que carreira? Com que objectivo?…), mas acima de tudo, divulgaram a formação oferecida pelas suas próprias instituições de ensino superior, um pouco camufladas pelo novo modelo de desenvolvimento profissional de enfermagem, ou ninguém ficasse boquiaberto com tamanha afronta ao pensamento crítico e autodeterminação dos próprios.A promiscuidade de poder que envolve o país em geral, e nesta particular a Enfermagem, é revoltante.

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