Sistemas de Informação em Saúde

Serão a resposta à qualidade insuficiente, desperdício, responsabilização dos diferentes actores e falta de avaliação?
Um bom sistema de informação deve poder que todo o profissional registe a sua actividade, que esta possa ser codificada, de fácil uso e que tenha apoio à decisão assim como todos os seus dados sejam seguros e possam ser usados para os devidos efeitos (com as restrições adequadas e acesso regulado).
Não seria bom que:  existisse algo assim?link
Imaginemos um caso que poderia ser bem real.
Imaginemos… Nasce o João Carlos (nome fictício), o seu nome e a sua história de vida (relacionada com a sua saúde) fica automaticamente registada num ficheiro e … cada vez que o João acede a um serviço de Saúde, uma nova página é escrita (uma vacina, um internamento, uma cirurgia, a realização de um exame complementar de diagnóstico por ex.).

O João tem 15 anos e supomos que existiria um plano nacional de Saúde predeterminado que especificaria que nesta idade o João necessitaria de receber educação para a Saúde relacionado com as DST ou consumo de drogas. Haveria um “piscar” no desktop do PC do enfermeiro de CSP (cuidados de saúde primários) e este estaria accionado para desenvolver esta acção, sendo que este teria acesso a toda a informação RELEVANTE para o desempenho desta função.
 O João tem agora 22 anos e conduz, teve um acidente de carro e dá entrada na Urgência de um qualquer Hospital, automaticamente os CSP têm acesso a esta informação pelo que sabem que qualquer educação/acção para a Saúde agendada nesta data para o João não pode ser efectuada pelos motivos mais óbvios ( e isto é apenas umas das possibilidades do que se pode fazer com esta informação). Entretanto no Hospital… O João entrou sozinho e está inconsciente, não traz documentos nem contactos. Será que há informação relevante(apesar de ser jovem pode ter uma qualquer doença em que determinado “tratamento” seja inapropriado)? Como saber? Não há problema. Entramos no “sistema de informação” e acedemos à base de dados do João (que ainda só tem “páginas” escritas nos CSP e aí teremos toda a informação relevante.

 Entretanto passam-se semanas e o João já está apto para ter alta do Hospital após fracturas em ambos os Membros inferiores não estando ainda totalmente independente para a sua vida “normal”. Instantaneamente “acende-se a luzinha” no PC do enfermeiro, fisioterapeuta e psicólogo dos CSP e estes sabem à partida o plano a seguir, quer prescrito por outrem quer da sua própria competência pois têm acesso e conhecimento graças à base de dados do ÚNICO E UNIVERSAL sistema de informação.


Ou seja: Incorporar apoio à decisão nos sistemas de informação (incorporando as melhores guidelines e operacionalizando efectivamente o plano nacional de saúde) e possibilitar que um acto de criação do RSE seja mais que uma utopia, que seja um virar de página na História da Saúde…

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9 thoughts on “Sistemas de Informação em Saúde

  1. Caros colegas. Não nos podemos afastar dos outros profissionais de saúde. Se queremos ser uma equipa de saúde temos de ter uma linguagem perceptível por todos.Será que o governo terá de publicar vários PNS? Um para cada grupo profissional?!!!!

  2. Mnurse… a verdade é que está equivocada.O futuro é este… Leia mais sobre o RSE…Quanto à harmonização da linguagem… Um EAM é o mesmo em qualquer lugar do mundo assim como um síndrome de Brugada, o mesmo para o paracetamol, o mesmo para um glícido… etc etc etc…Aqui trata-se apenas de integrar num mesmo dicionário para todas as profissões em saúde…E quanto a existir um programa específico para cada profissão isso não é viável nem desejável… Já imaginou os custos de manutenção?O ideal é mesmo um programa que possa ser usado por todos os profissionais por todas e mais alguma vantagens que são demasiado evidentes para ter de as explicar…Não podemos ser autistas… É esse o nosso principal problema…

  3. Em jeito de conclusão, por duas razões, vou-lhe explicar porque é que a sua ideia é infrutífera e irrealista, pelo menos no actual contexto de saúde e na actual direcção que os SIE estão a tomar.Primeiro, porque, um pouco à luz do que fui referindo, é impossível uma linguagem universal quando existem disciplinas com objectivos terapêuticos diferentes, com um corpo de saberes específicos, pelo que, torna-se impossível agilizar a nomenclatura de forma a tornar-se universal. Mesmo o exemplo que deu da Dispneia, no meu primeiro ano de faculdade não sabia o que isso significava. Tive que estudar. E dispneia é um exemplo enganador porque é muito lato, ao fim ao cabo constitui um sintoma, simples de entender com uma simples leitura Se formos para o campo de diagnósticos médicos aí o caso é diferente, explique-me como é que vai simplificar por exemplo, uma Holoprosencefalia ou um síndrome de Aicardi. E se quiser entender estes diagnósticos terá que estudá-los. Da mesma forma que, se os outros profissionais quiserem entender o que a enfermagem entende por expectorar, ou autocuidado:infecção, ou autocuidado:higiene, ou Stress do prestador de cuidados terá também que estudar e inteirar-se destas terminologias. Agora que me diga que existe alterações à nossa CIPE que têm que ser feitas, de forma a tornar-se mais prática e de fácil aplicação, ai isso existe, e na verdade, as coisas estão a caminhar no sentido de a tornar mais clara. Por exemplo, existe intenções de abolir com o eixo dos juízos, pois constitui um dos pontos fracos no que toca ao entendimento universal dos enfermeiros em relação aos diagnósticos de Enfermagem.Em segundo lugar, a ICN defende a CIPE a OE defende a CIPE e a SAPE, os enfermeiros portugueses percebem a importância da SAPE, já existe uma forte difusão da SAPE em Portugal por isso, existem ideias já bem definidas relativamente ao caminho que os SIE devem seguir.Em jeito de esclarecimento, a CIPE não é um dicionário de termos, é sim uma taxonomia que é bem diferente.Pegando num excerto que proferiu “Só se todos os profissionais de saúde puderem usá-lo integralmente, com possibilidade de terem um sistema de apoio à decisão e capacidade de registarem as suas actividades da forma mais adequada… é que poderemos dizer que temos o mínimo para se obter qualidade de informação…”, devo dizer que não poderíamos estar mais satisfeito relativamente à SAPE, tendo em conta os objectivos ou requisitos a que se refere no excerto, porque na verdade este SIE está a permitir isso mesmo, e espanta-me que, se o caro Mauro G. tem contacto com esse SIE não sinta o mesmo, porque é o que sente grande parte dos enfermeiros que contactam com ele. Agora existe lacunas, uma delas é o tempo que se despende a documentar principalmente quando somos principiantes, mas essa documentação é imprescindível. Por outro lado, se não tem contacto com o SAPE no seu contexto de trabalho, então já consigo perceber o seu cepticismo ou a sua relutância face a este sistema.Quanto à SAPE tornar-se mais flexível aos contextos de cuidados, na verdade, devo dizer que a SAPE está a ser implementada em quase todos, se não todos os serviços de internamento hospitalar (nos hospitais que ja aderiram) e ao nível do CSP. E se na verdade a existência da SAPE torna-se impraticável numa Urgência, isso deve-se ao facto de este serviço ser muito particular e exigir da SAPE onde esta encontra a sua maior lacuna. Mas não tenho duvida que se existissem mais enfermeiros no SU maior disponibilidade para documentar, essa lacuna seria ultrapassada e com ganhos óbvios nos registos de enfermagem, com qualidade superior aos que neste momento se faz no ALERT. O ALERT é um sistema standard, o SAPE é um sistema concebido para documentação de cuidados de enfermagem. Mas o ALERT também deve ter os dias contados…

  4. Mnurse: quando diz sistemas de saúde penso que deve dizer sistemas de informação em saúde…Concordando consigo … Também não concordo com a sua opinião.lolNão é impossível existir uma linguagem universal. Eu sou Português e outros 10 milhões e tal também são portugueses e apesar de termos todos actividades diferentes e modelos de vida diferentes usamos todos a mesma língua, uns usam mais umas palavras e outros outras. É assim tão inconcebível isso na Saúde? Dispneia não é exactamente o mesmo para si e para outro qualquer profissional de saúde?Então o que falta é divulgar a linguagem usada pelos enfermeiros de forma a que esta seja entendida por todos… Invariavelmente nós iremos usar mais os termos mas outros também o poderão fazer… Não é a CIPE também um dicionário de termos.Um dos maiores pecados dos enfermeiros é serem e quererem permanecer isolados… O nosso conhecimento tem de poder ser exportável… Como fazê-lo se ninguém nos entender?Quanto ao sistema de informação único… é uma utopia talvez mas um objectivo a perseguir: Só se todos os profissionais de saúde puderem usá-lo integralmente, com possibilidade de terem um sistema de apoio à decisão e capacidade de registarem as suas actividades da forma mais adequada… é que poderemos dizer que temos o mínimo para se obter qualidade de informação…Quanto ao SAPE… Teria de se tornar mais" user friendly" e ser capaz de se adaptar ao Workflow de cada ambiente de trabalho… Por exemplo em Urgência é praticamente inútil…

  5. Eu não consigo perspectivar um sistema assim que seja tão consensual para todos os profissionais como o caro Mauro G, porque se tentarmos simplificar conceitos, diagnósticos ou intervenções especificas de cada profissão de forma que se torne perceptível para todos os profissionais, não iríamos ter um sistema com informação universal mas um dicionário de termos clínicos.Pegando no exemplo que deu, como é que pretenderia que se torna-se um conceito capaz de ser perceptível para todos os profissionais? a meu ver só se definisse o que é Limpeza, o que são Vias aéreas, o que é ineficaz ou então a explicação do que se entende, no contexto de enfermagem, por estes conceitos como um todo.Na mesma lógica como simplificaria por exemplo uma Anemia Ferropriva? Se não estudasse Patologia não saberia o que seria. Não é uma questão de autismo mas sim de racionalidade e bom senso.Os sistemas que hoje existem para documentação de informação médica ou de enfermagem surgiu fruto da investigação que ambas as áreas fizeram pelo que certamente as outros profissionais de saúde terão oportunidade caso haja essa vontade e necessidade para tal (partindo do pressuposto que as condições de politica de saúde assim o permitem.). O exemplo SAM e SAPE é um exemplo vivo que se consegue articular dois sistemas com dois objectivos diferentes, documentação médica e documentação de enfermagem.

  6. O facto de cada profissão ter as suas especificidades não quer dizer que não possam utilizar a mesma linguagem:Penso que neste sentido deveria existir um maior interesse em normalizar esta situação para que todos os profissionais de saúde se compreendam: Por exemplo harmonizar os conceitos da CIPE com SNOMED por exemplo… Incorporar os conceitos de enfermagem nas outras linguagens por exemplo…Não me faz qualquer sentido que eu chame Limpeza das vias aéras ineficaz se tal só for compreendido por enfermeiros…A informação deve poder ser entendida por todos… Não sejamos autistas…Além disso existem outros profissionais de saúde além de médicos e enfermeiros… Criaremos um sistema para cada um? Ou deve o Um sistema permitir que todos os profissionais, com diferentes níveis de acesso, a ele possam aceder e registar?

  7. Não partilho da opinião aqui manisfestada. No meu entender deve existir sim uma rede universal de sistemas de saúde mas que integre sistemas de informação para cada profissão e universal a toda a rede de cuidados de saúde e que esteja interligada com os vários sistemas nomeadamente, sistemas de informação médico, de enfermagem e só estes pelo menos pelo conhecimento que tenho (retifiquem-me se tiver enganado).É impossivel que haja uma linguagem universal quando na verdade cada profissão tem as suas especificidades. Se eu quiser saber o que é um Edema Agudo do Pulmão tenho que ir pesquisar, ora também é legitimo que se um médico quiser saber sobre Adesão ao regime terapeutico terá que consultar uma CIPE e estudar sobre o que os enfermeiros fazem nesse sentido. O mesmo acontece para outras profissões. Agora grave é que dentro da profissão não se universalize a linguagem utilizada. A ICN é uma defensora da CIPE e é na verdade por ai que temos que ir embora ainda haja aspectos a aperfeiçoar mas a vida é feita de evoluções. A SAPE, que neste momento se enontra interligada com a SAM, a meio ver, é também o caminho certo contudo, é necessário expandir a todo o universo nacional de cuidados de saúde, aspecto que está aos pouco a ser conseguido.

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