Relatório da OMS sobre o Sistema de Saúde Português





Muito se fala do relatório da OMS… No entanto algumas das suas recomendações são por demais evidentes e já conhecidas de todos.


Deixo aqui a tradução (da minha autoria e portanto bastante deficitária… sem usar o google translator lol) de parte das recomendações:





1.Promover políticas de saúde tendo como alvo ganhos em saúde e iniquidade na saúde reduzida em todos os sectores. Assegurar que as decisões e investimentos são planeados e implementados juntamente com outros ministérios e institutos para exercer influência global na efectividade governamental globalmente

Comentário: Enquanto for o ministério das finanças a gerir a saúde e não o de saúde…
2. Investir em actividades de promoção de saúde upstream e sensíveis ao género de modo a reduzir factores de risco e integrar os determinantes de saúde na saúde pública, promoção da saúde e programas de prevenção de doenças

“The upstream metaphor goes like this: People are drowning in a river. Rescue workers are pulling them out but soon realize that no matter how hard they work, there are always more people floating downstream
3. Assegurar um maior envolvimento dos doentes e do público em geral nos processos de tomada de decisão do sistema de saúde e liderar um maior envolvimento público transversal às actividades governamentais.

As associações de doentes são em número irrisório e pouco incluídas no planeamento dos serviços assim como a cidadania é algo ainda incipiente após mais de 30 anos de democracia… 
4. Aumentar o valor do investimento na saúde atribuindo prioridade à prevenção primária e saúde pública evidenciando a eficiência da prestação de serviços

De notar o atraso no aprovar dos projectos de UCC’s e do grande bolo do orçamento atribuído à cura (hospitais)
5. Clarificar o papel do sector privado através duma rede de políticas coerentes : regular e assegurar a adesão à necessidade de comunicação pública; uniformização dos padrões de qualidade e segurança, regras para o duplo emprego e regulação do financiamento
A qualidade não pode ser algo facultativo mas uma exigência legal…
6. Aumentar a coerência da cobertura pública e dos subsistemas através da mudança do papel dos subsistemas para uma cobertura suplementar

Será uma manobra a redução dos serviços públicos de forma a aumentar a capacidade privada?
Ainda que fosse uma oferta complementar…
7.Desenvolver abordagens mais coerentes para a descentralização da prestação de serviços de saúde: descentralização dos processos de tomada de decisão, incluindo autonomia financeira acompanhada da prestação de contas e gestão da prática.
CRI e UAG amputadas do poder decisório. 
Não existe avaliação da qualidade dos orgãos de gestão dos serviços e muito menos dos conselhos de administração… O que dizer?

8. Reduzir barreiras à acessibilidade dos cuidados de saúde: o relativo alto pagamento de nos serviços de saúde portugueses requerem políticas para reduzir o seu impacto, particularmente em famílias mais desfavorecidas

Os que ainda não estão desfavorecidos (classe média) ficarão dentro em breve… Para esses a Saúde não é tendencialmente gratuita há muito…
9. Desenvolver estratégias nos recursos humanos da saúde que incluam dotações e competências apropriadas e partilhadas, dirigindo o foco para o âmbito da prática profissional e clarificando o papel das ordens profissionais.
Skill-mix…
Maior regulação sobre as Ordens profissionais e destas nos seus profissionais e na actividade profissional destes…

10. Assegurar que a capacidade da informação de saúde é suficiente para promover o uso da evidência no desenvolvimento de políticas e respondendo à necessidade de transparência e accountability 
Registo de saúde electrónico.
Sistemas de Informação em saúde que cumpram a sua missão de:
Apoio à decisão clinica incorporando o conceito de prática baseada na evidência
Gestão: com produção de indicadores correctos
Investigação: interligado com a prestação de cuidados… Produção de indicadores de saúde mensuráveis através do uso de terminologia adequada.
Apoio ao utente e comunidade: o sistema de informação como um prestador de cuidados: envio de lembretes e notificações…
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2 thoughts on “Relatório da OMS sobre o Sistema de Saúde Português

  1. Aliás se ler o resto do relatório verá que as recomendações estão mais do que mastigadas… Porém costumamos dar mais ouvidos aos "outros" do que a quem "cá mora".Ainda bem que compreende o porquê do duplo emprego, não é normal em quem está desempregado e por isso dou-lhe os meus parabéns pela posição esclarecida.O caminho a trilhar é longo… Mas não é infinito. PS: Não tenho duplo emprego.

  2. Bravo! E muito mais poderia ser dito, naturalmente… Ainda, sendo eu enfermeira desempregada, os meus olhos chamam-me para o que mais me suscita interesse, como é compreensível, achei particular curiosidade às recomendações feitas para regularizar o duplo emprego(e muitas vezes, triplo…). Para que isso ocorra, o primeiro terá de efectivamente ser regularizado! Ainda que esteja desempregada, sem qualquer ocupação remunerada, é compreensível que uma actividade profissional assalariada abaixo da média dos seus pares licenciados, assambarque o duplo emprego sem qualquer dúvida de legitimidade.É.

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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