Futuramente, quem pagará a “factura” da saúde?




Li hoje uma entrevista interessante do Médico Ortopedista Manuel Oliveira, que me levou a realizar este texto. Desde já quero exprimir que admiro muito todo o percurso de vida do mesmo, que existem muitos pontos da sua visão que concordo e que são muito pertinentes.

Segundo o Dr., “O Serviço Nacional de Saúde é mal gerido e não tem viabilidade”, o que leva a considerar que futuramente se deve caminhar para um sistema de saúde em que, só quem não tem capacidade económica é que deve continuar a beneficiar de serviços de saúde gratuitos. Mas isso desde logo levanta várias questões, entre as quais, quem paga impostos e faz descontos, só por ai não deveria ter o direito aos serviços de saúde?

Na minha opinião é importante existir maior transparência por parte do poder político nos fins da aplicação dos descontos e impostos. Por outro lado, é imperial que a saúde (gestão hospitalar) precisa de pessoas com capacidade objectiva de aplicar/elaborar medidas viáveis na redução/controle dos custos e serem capazes de criar ganhos em certos domínios, sem nunca ser colocado em causa a qualidade dos cuidados.

Algo que me faz confusão, é porque é que no “estado” nenhum dos seus ministérios trabalha para ter ganhos? Existem muitos contextos em que se observa que o sector privado toma conta dos serviços que geram riqueza, e por ai a meu ver, falha a estratégia política existente no nosso país. Assim, cria-se cada vez mais desigualdades e aumenta-se a precariedade.

Como é que no sector privado algumas cirurgias geram riqueza e no sector publico grandes despesas?! Como se geram hospitais privados, quem serão os patrões destes, e terão os patrões prejuízos? O que fazem os patrões para não terem prejuízos? Pois é como o Médico diz, quem vai ao privado pode pagar, quem não pode “tenta levá-lo para o público”. Faz-me confusão…

Por outro lado, como é possível continuarmos a arcar com grandes prejuízos anualmente apresentados por empresas públicas, tais como a CP ou a Carris. Outro exemplo da má filosofia politica instalada no país, é observar-se que grandes empresas tais como a EDP e GALP, a apresentem todos os anos grandes lucros e sobre os quais o estado já não é detentor integral.

Observa-se, que em Portugal, cada vez mais, existe um maior número de pessoas com dificuldades económicas. Assim sendo gero a questão, futuramente, quem pagará a “factura” da saúde?

Caso não se verifique viabilidade, penso (eu não defendo) que iremos assistir à privatização do serviço nacional de saúde (se bem que em muitos contextos já se vá observando a limitação do acesso à “saúde” de forma gratuita).

Podem observar a entrevista aqui.

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7 thoughts on “Futuramente, quem pagará a “factura” da saúde?

  1. Olá…Desde já, agradeço as perspectivas transmitidas… A sua análise é pertinente e concordo com a mesma na maioria dos pontos. Apresentou uma análise mais profunda sobre a entrevista e alguns pontos fundamentais ao debate. Penso que é um facto constatado, que muitas cirurgias que são realizadas em simultâneo no privado e no estado, ficam mais caras no sector do estado. Agora o que envolve este aspecto?! Muitos aspectos, inclusive em algumas delas efectuadas no sector privado, verifica-se comparticipação do estado. Em relação aos bancos de urgência já à muito que se fala dos mesmos, mas mesmo assim o sistema é lento em adequar-se, mesmo em tempo de crise económica que se vive. Porque será?! Penso que deveria ser obrigatório essa “retribuição”, pelo que mais uma vez o sistema desde há muito que está persuadido nesse sentido.“Outro anónimo”, em relação aos gestores públicos somente mudaria na sua frase “salários” para regalias.Ultimo Anónimo, gostaria de ler o que vem no jornal “o publico” desse dia. Qual o titulo? Ou quem fez o texto? Ou quem foi o entrevistado? Mas posso falar sobre a sustentabilidade do SNS, sem ler esse texto, certo? ;)Cumprimentos,Vítor Oliveira

  2. A factura da saúde paga-se de forma simples: contabilizando os custos.O Governo tem a obrigação de falar verdade aos portugueses: se querem determinado nível de assistência em saúde, isso tem um preço.Não será fácil aguentar o SNS, se ano após ano, ele estiver a ser sub-financiado. Esqueçam os TGV´s e as Auto Estradas.É importante também combater o desperdício. A Sonae e a Jerónimo Martins conseguem preços baixos porque negoceiam grandes quantidades. Porque é que o Governo não faz o mesmo em matéria de gastos em saúde?Tem de se olhar de frente para os interesses corporativistas. O actual modelo de formação médica tem um custo brutal. Não defendo menor qualidade no atendimento médico, mas julgo que há muito por onde poupar. Estou preocupado, porque vejo os enfermeiros a quererem seguir um caminho idêntico.Acabar com salários milionários dos gestores das instituições de saúde. É uma tarefa assim são difícil?Quem pensa que as seguradoras vão resolver o problema da saúde em Portugal, está realmente muito enganado. Tentem interar-se do modo como operam. Julgo que há um conceito importante a reter, em matéria de assistência em saúde: plafonamento. Isto é, se eu tiver um acidente na auto estrada, o Governo manda um helicóptero do INEM para me ir buscar, mas se eu precisar de uma consulta de neurocirurgia, tenho de esperar 3 meses. Para um cidadão que cumpre com as suas obrigações (impostos), estamos claramente perante uma situação de verdadeira injustiça.

  3. Tive o cuidado de ler a entrevista do Sr. Ortopedista.Achei interessante a sua forma de se dirigir a ele “segundo o Dr.”…Pontos a reter:Rosto do novo hospital privado de Santarém; – Esta entrevista não terá objectivos promocionais?Trabalha no sector privado e público;- Não há crime nisso. Mas é ou não verdade que a promiscuidade entre os dois sectores tem penalizado o SNS?Utentes usam e abusam;- Era só o que faltava! O estado a que o SNS chegou é por culpa dos desgraçados que estão doentes!No piso 10 do Hospital de Santarém funcionava um clínica privada;- Durante anos beneficiou dessa realidade. É justo este tipo de situações? No Amadora Sintra havia um “esquema” destes…Médicos envolvidos como empresários;- É um atentado ouvir coisas destas! A Medicina é uma das profissões mais especializadas da sociedade. Dizem que é porque “se joga com a vida das pessoas”. Mas de facto estamos perante seres de extraordinária capacidade: ainda conseguem “dar uma perninha” em matéria de gestão! Seria interessante perceber quanto custou ao Estado português o facto de muitos médicos presidirem a Conselhos de Administração…SIGIC;- Uma das maiores burlas neste país. Qualquer cirurgião opera 2 doentes no seu horário de trabalho, para depois operar 4 ou 5 à tarde, em SIGIC. E no caso dos Enfermeiros ainda é mais grave: há jovens desempregados e a ter de emigrar, enquanto outros ganham extras por uma actividade que podia ser desempenhada pelos seus pares.Uma cirurgia num hospital do Estado fica mais cara do que num hospital privado;- Alguém acredita nisto? A ser verdade, é porque há uma manifesta incompetência ao nível dos gestores da instituição.Consulta de urgência custa 120€;- O quê? Se eu for ao Hospital com uma lombalgia, o enfermeiro da triagem dá-me a cor amarela, espero 3 horas até que o Ortopedista prescreva um nolotil per os, e isso custa 120€? LADRÕES!Médicos do SAP que adormecem a meio das consultas;- Isto devia ser crime. Não há justiça neste país?Ex-mulher é médica; agora vive com uma enfermeira;- Ups!Diz que nunca deixou de tratar um doente por causa da sua condição económica;- Pare de mentir, homem. Para que esta afirmação fosse verdadeira teria de se comportar como os padres carmelitas descalços. O que você faz, é encaminhar os doentes para o hospital público, e depois, se for grave, opera. Caso contrário, espera. Bancos de urgência;- Outra burla. Alguém acredita que um profissional de saúde consiga trabalhar durante 24 horas? Ainda por cima pagos a peso de ouro?Os médicos não querem ganhar só dinheiro;- Sim no seu caso, pode ser uma casa com piscina e mini ginásio. Nada mal.Estranhei não haver referências à Enfermagem (como será que ele nos encara?), a não ser por ter uma companheira enfermeira…E só para acabar: o Estado é que paga a formação médica e os doentes servem de “cobaias” para que um interno chegue a especialista? Não devia ser obrigatório um médico retribuir ao Estado o que este fez por si (durante 5 a 10 anos)?

  4. Acredito que todos devamos pagar. Deveríamos era sim repensar o modelo de prestação de cuidados de saúde: quer torná-lo mais eficiente, mais eficaz e mais acessível a todo o tipo de cuidados e tal só se conseguirá quer por um maior papel dos próprios cidadãos na gestão do seu próprio regime terapêutico, por políticas mais viradas para a saúde e menos para a doença e acima de tudo pela capacidade de avaliar todas os actos praticados. Ter em atenção sempre o "Valor" como definido pelo IOM.Prestação de Contas perante a sociedade de todos os actores: profissionais, utilizadores, políticos e gestores. Isto se quisermos manter o mesmo nível de cuidados de saúde ou inclusive melhorar.É um desafio mas só se vai lá mudando, isto porque centrar tudo no medicamento, na passividade do cidadão e na não responsabilização só vai levar à hecatombe do modelo de solidariedade colectiva baseada em socialismo há muito metido na gaveta.

  5. Olá…Concordo com o seu raciocínio, mas fica na mesma a questão. A final quem paga a factura da saúde? E futuramente, como o será?De uma vez por todas, precisamos que se crie estabilidade e desenvolvimento. Não o que se tem verificado.

  6. Olá VitorEntão se eu tiver dinheiro o Estado não me paga as despesas de saúde? Espera lá, então deixa-me despedir-me, receber o subsidio de desemprego e aí já posso ter direito a cuidados de saúde gratuitos…Um raciocínio possível face a esta questão não?Daí que eu diga… A ser gratuito deve-o ser para todos.

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