Enfermeiros vão ter tarefas de médicos nos centros de saúde



A respeito desta notícia no jornal i (link para a notícia) apraz-me dizer o seguinte:

Na realidade há muito que aquilo que é tradicionalmente atribuído exlusivamente a médicos, do ponto de vista formal, é partilhado do ponto de vista prático por enfermeiros senão mesmo assegurado por estes, tanto do ponto de vista executivo como de concepção/prescrição.

Passando para a realidade dos CSP (cuidados de saúde primários onde se inclui os centros de saúde)… Desde 1978 que a OMS (declaração de Alma-Ata) recomenda que muita da actividade/cuidados de saúde prestados em cuidados primários seja atribuída a enfermeiros quer pela racionalização de custos quer pela própria vocação da profissão/disciplina, mais virada para a prevenção comparativamente à Medicina que é de cariz muito mais curativo,  

Pensarmos que isso( os enfermeiros assumirem esta maior preponderância nos ditos cuidados primários) é uma garantia de insucesso e diminuição da qualidade traduz apenas uma visão limitada da “coisa”.


Atente-se no PNV em que sendo os enfermeiros os principais responsáveis pela sua operacionalização, garantiram uma taxa superior a 95% da população. Conhecem outro “plano” com tamanha eficácia e eficiência?  

Depois atente-se na duplicação de recursos que existe nos cuidados de saúde primários relativamente às actividades preventivas e às modalidades de gestão que açambarcam muitas das actividades desenvolvidas na actividade dita médica, esquecendo por completo a autoria da execução e planeamento das mesmas, nomeadamente gestão do regime terapêutico ( em pessoas polimedicadas e com doenças crónicas), planeamento familiar, ou acompanhamento de grávidas assim como triagem de situações agudas ou ainda identificação de situações de risco (stress dos cuidadores, maus tratos ou educação para a saúde). 


Noutros países há muito que se apostou na Task-shiffting e no aproveitamento do skill mix como forma de melhorar a qualidade do sistema de saúde, nomeadamente a eficiência e eficácia. Cá não percebo como há ainda esta resistência à mudança e este desprezo pelo dinheiro dos contribuintes.

Não estou com isto a menosprezar a actividade médica mas simplesmente a tentar fazer alguma justiça dado que os Enfermeiros são demasiadas vezes esquecidos e estes não têm muita oportunidade de expressar a sua opinião duma forma mais pública por  falta/incapacidade de envolvimento político.  Ah… Já sei que poderá dizer… Mas injustiçados todos nós nos sentimos… Claro que sim. Mas temos de analisar o grau de injustiça de várias variáveis e dos vários envolvidos/contextos.


Fomos das primeiras classes (até nos autopropusemos) a ter um sistema de avaliação de desempenho, reivindicamos desde há muito que esta avaliação se deveria fundamentar na produtividade (no entanto isto parece não ser interessante…) e somos dos poucos, senão a única profissão da Saúde, com uma complexidade/ responsabilidade inerente À profissão, que não aufere salário de licenciado (1020euros mês/40 horas semana). Raramente temos salário com incentivos associados e no entanto somos extremamente assíduos, pontuais e produzimos acima do que seria expectável.

Isto tudo para dizer que: todo o enfermeiro, independentemente da sua área de actuação, seja ela uma Urgência, uns Cuidados intensivos ou um domicílio duma pessoa dependente, tem uma actuação virada para a prevenção porém, e como é óbvio, quando falamos dos enfermeiros assumirem estas áreas, assim como outras, apenas queremos dizer que aproveitando as competências gerais e especializadas, mais especificamente das especialidades viradas para Cuidados Primários, asseguramos estar à vontade para prestar um serviço de qualidade igual ou superior ao actual, a um preço menor e com maior satisfação por parte dos utentes, nesta área em particular ou noutras se falarmos de outras especializações  . Assim nos permitam fazê-lo… 


Por isso… assumimos de bom grado responsabilidades que na realidade já temos mas que gostaríamos que fossem formalizadas e em boa verdade, do ponto de vista epistemológico da “coisa”, os enfermeiros não fariam papel de médicos dado que esse tipo de cuidados é de enfermagem e não de medicina e às tantas os médicos é que andam a fazer de enfermeiros 😉
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