Estado Social… meio ou fim?

Deve ser a solidariedade colectiva um valor a prezar mais do que qualquer outro?
Por vezes assusto-me com as culpas que se atribuem ao Estado Social ou lá o que isso significa… Que eu saiba é perfeitamente natural e até desejável que a sociedade se una em torno dos mais fracos, em caso de necessidade, caso contrário perderemos aquilo que nos levou ao patamar mais elevado da Evolução, a organização das pessoas em torno de um objectivo comum… a sobrevivência enquanto espécie solidária e intrinsecamente boa.
Que eu saiba o ónus da prova ainda cabe ao acusador e não ao acusado e portanto também acredito que vale mais um sistema em que a justiça permita escapar 1 culpado do que uma que permita prender 1 inocente. Deste modo… quando culpamos o Estado Social estamos a culpar o quê exactamente? 
Culpamos um doente que tem 80 anos mas que está perfeitamente saudável e por acaso até usufrui de 1 consulta por mês ou culpamos quem no Sistema abusa desse doente e até o faz crer que precisa de comprar algo que não precisa e que pelo meio fica com 50% de comissão?
No que nos estamos a tornar? Numa selva ? 
Então todos os dias prolongamos o sofrimento de milhares de doentes sem qualquer qualidade de vida, sem qualquer vislumbre de esperança em dias melhores, usamos e abusamos da ortotanásia e… naqueles que têm esperança… abandona-mo-los a troco dum suposto racionamento económico?
Bem sei que sob a capa de defesa do Estado Social surgem muitos, não… demasiados abusos com fins pouco dignos e com o único intuito de lucrar com a solidariedade alheia… mas são precisamente esses os que devem ser racionados, a um número ínfimo. 
Devemos concentrar-nos em curar a infecção no pé e não em amputá-lo… Se te dói o dedo… corta-o e aí já não dói mais. Certo?
Se há sector em Portugal onde ainda vão havendo pessoas que se importam, esse sector é o da Saúde, e não é por meia dúzia de médicos, enfermeiros directores ou administradores desnecessários e demasiadamente bem pagos que se vai confundir a árvore com a floresta…
Como podem ousar dizer que a Saúde não dá o exemplo? Passem por qualquer Serviço de Urgência , nomeadamente o meu, e vejam o que é a abnegação em prol do Outro. Ser Liberal é uma coisa e algumas propostas que têm vindo à luz do dia ( e não estou a falar da Manuela Ferreira Leite nem dos outros comentadores que do mundo real só conhecem o que lhes convém)… Defender que a dignidade duma sociedade já não interessa equivale a deixarmos de ter motivos para nos preocuparmos uns com os outros e isso já não tem nada a ver com ser ou não liberal mas sim com uma profunda incapacidade de pensar como Humano…
Há tanto mais onde cortar sem ser directamente no acesso a cuidados de saúde, e nem incluo aqui a questão dos profissionais (alguns, como os enfermeiros, já vivem esta escravatura em prol dum bem maior há bem mais tempo do que 2008, num país que os discrimina como a nenhuma outra profissão, por culpa própria e pela própria história da profissão)…
Enquanto houver reformas douradas, assessores inúteis, despesas desnecessárias… não há moral para cortar nos direitos dos mais desprotegidos, no estado mais incapacitante… as pessoas doentes.
Se perdermos este género de solidariedade… deixa de fazer sentido lutar pelo Homem e pela Humanidade… chegados a este ponto não pode haver retorno… É que há tanta forma de melhorar a saúde sem medidas cegas!
Para os que defendem cortes selectivos em determinadas áreas da saúde deixo esta citação atribuída a Martin Niemöller

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram
e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;

já não havia mais ninguém para reclamar…”





PS: desculpem erros ortográficos e de sintaxe próprios de quem escreve duma assentada!
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