Vagas/ Interesses/ Futuro – Existe?!

 Hoje dei por mim a ver este video AQUI, que aborda a finalização do curso da licenciatura de enfermagem por cerca de 300 pessoas em Coimbra (escola onde me formei). No final a Sra Directora da ESEnfC refere: “Há aproveitamentos políticos e há uma tentativa de desvalorização das profissões para poderem comprar qualidade mais barata”. Será que a culpa é só direccionada para os politicos?! A meu ver é uma realidade muito mais complexa do que este ponto de vista.
E depois:  “ …se quiserem trabalhar de imediato vão ter de procurar emprego no estrangeiro”… Bem, pela lógica o Sr. Passos de Coelho falou correctamente quando proferiu palavras semelhantes à comunicação social. Mas esta ideia não faz sentido, isto se queremos desenvolver o país (ou não afundá-lo ainda mais). Já foi amplamente discutido em vários locais e nas redes sociais, mas basicamente se o país gasta tanto dinheiro para formar estes licenciados, porque motivo os mesmos terão de sair do país para arranjar emprego?! Porque se gasta o dinheiro?!
Bem, paralelamente a isto, pude observar no Fórum de enfermagem um tópico do utilizador “E ponto Jose Nuno” AQUI  que aborda o facto de enfermagem ser dos cursos que tem mais vagas no ensino superior.  No final afirma-se que:
Quando Questionado o Ministério da Ciencia e Ensino Superior sobre o excesso de vagas em enfermagem obtive esta resposta: 


Relativamente à sua exposição, e no que se refere às matérias da área de competência desta Direção-Geral, cumpre-me transmitir a V. Exa. as seguintes informações:

•       Os cursos de licenciatura em Enfermagem atualmente em funcionamento nas instituições de ensino superior públicas e privadas foram objeto de apreciação pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, que já se pronunciou sobre todos à exceção de três e que, em todos os casos em que já concluiu a análise, decidiu no sentido da sua acreditação;

•       As vagas têm sido fixadas anualmente no respeito das normas legais fixadas pelo artigo 64.º da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro (Regime jurídico das instituições de ensino superior);

•       De acordo com os dados fornecidos pela Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência relativos ao emprego de diplomados, de entre os licenciados em Enfermagem entre 2001 e 2010 (24842), apenas 709 (2,9%) se encontravam inscritos como desempregados nos Centros de Emprego do Instituto de Emprego e Formação Profissional.

Caso V. Exa. entenda que existem casos de incumprimento da lei por parte das instituições de ensino superior que ministram o ensino de Enfermagem sugerimos que os mesmos sejam transmitidos à Inspeção-Geral da Educação e Ciência, entidade a quem compete a sua avaliação e a proposta das medidas corretivas que, eventualmente, se revelem necessárias.

Agora isto da inscrição nos centros de emprego é um dado muito insignificante para determinar as necessidades do país em termos de formação de licenciados. Mas para abordar este tema de uma forma mais ilucidativa pego nas palavras do Sr Alberto Amaral, presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior que realizou um Plano Estratégico para a Formação nas Áreas de Saúde em 2010, que determinava racios inferiores de médicos por x percentagens de habitantes em relação à média da OCDE, pelo que nos enfermeiros passaria-se a mesma coisa.  

Ora no final do texto, lá se aborda por outros intervenientes, que este plano estaria construído sobre falsos ilusionismos, porque ao invés de se pensar o futuro, se estaria a avaliar o passado.

Em Abril de 2012 o Sr Alberto Amaral (Licenciado em Eng. Quimica – Ex-reitor UP) afirmou «Tenho assistido, com algum desconforto, a algumas tentativas de pressão sobre a agência e tenho assistido, [também] com algum desconforto, a algumas posições públicas tomadas, quer pelas ordens, quer às vezes por organizações dos alunos. Queria dizer que, no caso da agência, é inútil. Eu não sou absolutamente nada pressionável e nenhum dos nossos colegas é pressionável», que reparem falava durante as Conferências da Primavera, da Academia Nacional de Medicina, que decorreram no Centro de Investigação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, centradas na questão da formação de clínicos e da sua colocação no mercado de trabalho. [Enfim…  Será que os lobbies não se impõem de facto?!]
Na continuação deste evento informativo/formativo, o mesmo “acusa os sucessivos governos de não saberem gerir a questão do acesso aos cursos de medicina e disse-lhes como fazer.”
«Todos os anos, o ministro da Saúde deveria reunir com o do Ensino Superior, olhar para os números e decidir se as coisas estavam certas ou se era preciso aumentar ou diminuir o numerus clausus, percebendo que são precisos 10 ou 11 anos para os efeitos se começarem a verificar», aconselhou.
«É altura de parar para pensar. Se não houver a preocupação de ver, no ano de 2012, o que vamos precisar em 2022, podemos de novo criar sérios problemas, ou de subprodução ou de sobreprodução», alertou.
Alberto Amaral considerou que «não há falta de médicos em Portugal» e citou dados recentes da OCDE, segundo os quais o país tem 3,7 clínicos por cada mil habitantes, mais do que a média europeia, que é de 3,3.
«Com o ‘numerus clausus’ que existe neste momento, vai haver produção de médicos em excesso», referiu, explicando que a evolução registada entre 2000 e 2008 indica que o número de clínicos está a crescer anualmente 1,8 por cento, por contraponto a uma média europeia de crescimento de 1,5 por cento.
Se fizéssemos um verdadeiro estudo sobre a taxa de desemprego nas diversas profissões iriamos concluir que, verdadeiramente Enfermagem na área da saúde, é das que está no topo no nível do desemprego. Já para não falar dos rácios da OCDE dos enfermeiros sobre a população portuguesa nos diferentes contextos, que deixa muito a desejar.
Algo tem de mudar… e urgentemente
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10 thoughts on “Vagas/ Interesses/ Futuro – Existe?!

  1. O anónimo não é o Herodes pois não? Lol.Eu não apoio nem "desapoio" o enf Germano Couto, eu apoio sim o bastonário e toda a equipa, assim como todos os enfermeiros que se disponham a melhorar a Enfermagem e a Saúde em Portugal. Pode parecer a mesma coisa mas não é.Quanto às escolas públicas versus as privadas… Nunca me ouviu falar em que umas são piores que as outras nem nada que se lhe pareça. Sabe… é que cegueiras e fanatismos nessa questão não é a minha onda. Já orientei tanto alunos de privadas como de públicas e normalmente o problema não está só nas escolas. Por isso devo ser o mais justo possível e não cair nesses engodos populistas de colocar um tipo de escola contra outro.A minha questão quanto às escolas públicas tem tão só e apenas a ver com a racionalidade económica e qualidade do ensino: O Estado deve ajudar a formar apenas segundo as suas necessidades ou capacidade de contratação, caso contrário pode parecer uma agência de emprego inútil e com isso sugar impostos que não serão utilizadas noutras áreas mais necessitadas.Por outro lado as escolas privadas têm de, tal como as públicas, garantir a qualidade do seu ensino… se não são capazes… encerram-se. Agora não torne por parvas as pessoas que decidem inscrever-se nesses cursos pois estão a pagar integralmente do seu bolso a sua formação… até me provar o contrário eu acho que não contribuo monetariamente para o seu funcionamento.Tudo isto será justo se o estudante do 12º ano ou antes, se o planificar, estiver informado sobre a empregabilidade do curso.Quanto ao DE… eu nunca insultei a bastonária ou qualquer outro enfermeiro em comentários. Criticar sim, portanto as suas críticas deve dirigi-las a ele. Eu sempre assinei as minhas "crónicas"… e o colega?

  2. Quanto a esgoto, estamos mesmo, totalmente conversados.Você não percebe a diferença entre anonimato e insulto.Se colocar um comentário no Dr. Enf. a insultar a antiga bastonária, o mesmo terá honras de 1ªpágina. Se disser que o Germano foi incoerente com isto ou aquilo, a censura é o mínimo que lhe acontece. E lá está, ainda não vi o Sr. Bastonário demarcar-se desse esgoto. Ora, na minha terra, “quem cala, consente”.

  3. Curiosamente, a resposta à sua 1ª pergunta, é SIM.Mas como você continua a apoiar firmemente um bastonário de quem se desconhece quanto tempo exerceu com enfermeiro especialista em saúde materna, de pouco serve continuar a troca de argumentos. Por acaso sabe dizer-me quantas grávidas vigiou o Germano? (risos, muitos risos)Quanto a escolas públicas, sabe perfeitamente que a preocupação não é o lucro. Salários e consumíveis, tanto pagam as públicas como as privadas. Lucro, isso é só para CESPU, Atlântica, Erisa, Piaget…A sua teoria da abstenção dos 99% faz todo o sentido. Mas no dia seguinte à eleição de um bastonário (até podia ser o presidente dos EUA!) que obteve apenas 1% dos votos, a sua LEGITIMIDADE estaria seriamente ameaçada. Não é o caso do Sr. Couto. Ele é bastonário, com toda a legitimidade. Tem é um passado negro, que muitos desconhecem (basta olhar para as revistas da OE e vê-se que ele fartou-se de passear com a malévola Maria Augusta… Logo que teve oportunidade, roeu a corda!). Mas para si, isso não é problema. “O Germano é fixe”. Ainda não percebeu que o Sr. Couto, daqui a uns tempos dá um salto para um poleiro, e você (tal como outros seus apoiantes) ficará a blogar para o boneco!!!

  4. Se o leitor trabalhar num bloco operatório de obstetrícia passa a ser responsável pelo elevado número de cesarianas em Portugal?Se uma escola pública tem de pagar salários à direcção, professores e funcionários isso não é também procurar o lucro?Se a abstenção for de 99%… os restantes 1% não elegerão à mesma os propostos à eleição?

  5. Ó Mauro, tenha lá calma :)Como é evidente, o número de escolas de Enfermagem em Portugal chegou a um ponto de saturação enorme. Para corrigir a situação teríamos de encerrar imensas vagas (TAMBÉM) nas escolas públicas.A questão das privadas é simples: os detentores dessas instituições buscam (entre outras coisas) o lucro. Portanto, um Estado regulador (e atento), perceberia que nos últimos anos, centenas de jovens foram ludibriados pelas escolas privadas (que assim encheram os seus cofres).O caso do bastonário por si tão idolatrado, é paradigmático. É PRECISO TER LATA: nos últimos anos, andou envolvido nas escolas “de vão de escada”, e agora, em 2011-2012, é que se apercebeu que há desemprego na classe. Como se não bastasse, vem com a ideia (acanhada?!) de reduzir em 10% as entradas nas escolas de Enfermagem.Mas eu sei. Você votou no Germano, porque como diz, ele é imperfeito, mas os outros ainda são mais do que ele. Pois olhe, no meu caso, mesmo admitindo por hipótese que o Germano era o menos “bandido” dos candidatos, NUNCA votaria nele, pelo passado que se lhe conhece. A abstenção existe por alguma coisa!É engraçado juntar as peças do puzzle. Ali numa discussão, num blogue de um Sr. Dr., dizem que o blogue Dr. Enf. é um “esgoto a céu aberto”. Ora, o Germano, conta com esse “esgoto”. Nesse “esgoto”, é dito que o Piaget anda a enganar a malta com formações da “treta”. Não foi nas escolas desse grupo, que o Mauro estudou? :)É curioso que esse mesmo “esgoto” não diz uma única palavra sobre formações da “treta” leccionada por exemplo, na Univ. Atlântica. Deve ser por causa do Tomás e da Mesquita… E a cereja em cima do bolo, é ver um bastonário chamar empreendedorismo a jovens que trabalham a troco de cama e comida…

  6. Olá. Desde já agradeço a sua participação neste blog. As palavras por mim transcritas não descrevem ideias novas, apenas observações desconhecidas no meio de acções/atitudes claramente constatadas. Esse: "Não foram vocês que apoiaram o Germano?", não me encaixa… pois não é correto confundir-mos alhos com bugalhos (já não é a primeira vez que o fazem). Concordo consigo, essa resolução não é sequer perto do minimamente desejável, mas é correto termos uma posição, uma postura de indignação e passarmos a ideia do porquê de assim o achar-mos para a sociedade. A sua frase de "que devemos é encerrar as escolas públicas" a meu ver, é baseada numa ideia pragmática, que gera uma discussão complexa e oportuna, mas não será com essas palavras que irei ter consigo a mesma. Cumprimentos,Vítor

  7. O excesso de enfermeiros em Portugal é mais do que evidente!Sobre o assunto está praticamente tudo dito. Falta é acção.Não percebo o espanto neste blogue.Não foram vocês que apoiaram o Germano?Alguém acredita que ele vai levantar a voz ao Passos Coelho?Acham que a redução de 10% nas escolas de Enfermagem vai adiantar algo? Pelas minhas contas, o mínimo necessário seria algo na ordem dos 50%…N.B.: a este cenário de hipocrisia, se juntarmos o facto de haver quem defenda (Mauro Germano) que devemos é encerrar as escolas públicas (porque assim o Estado poupa uns trocos), então percebemos que o futuro está muito nublado…

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