Discriminação positiva dos bons comportamentos

O recém aprovado Estatuto do Dador de Sangue, como forma de colmatar um bem que não pode ser produzido industrialmente( Sangue e derivados) e que é essencialmente obtido pelo apelo ao dever cívico, apresenta alguns pontos que podem ser considerados bastante polémicos, nomeadamente este Ausentar-se das suas atividades profissionais, a fim de dar sangue, pelo tempo considerado necessário para o efeito, sem quaisquer perdas de direitos ou regalias do trabalhador dador”. 




Porém… é também um sinal de que se pretende premiar um comportamento que se traduz num bem para a sociedade, no caso a dádiva de sangue e como tal ser um discriminador positivo para quem o tenha, isto é, atribui um benefício a quem oferece um serviço ao invés de penalizar quem o não apresenta, sendo que um (o primeiro) é um caminho para a melhoria contínua e o outro ( o segundo) é um caminho para a nivelação da sociedade por baixo.

Dito isto, outras medidas terão de ser adoptadas para melhorar o nosso Sistema de Saúde e particularmente o SNS, nomeadamente no acesso aos serviços de Urgência, onde é sabido que a moderação do acesso, sem mais nenhum critério que o financeiro, tem efeitos perversos, injustos e potencialmente lesivos para o bem estar e economia da nação. Como tal o caminho deve ser privilegiar os bons comportamentos, nomeadamente dos utentes, por exemplo a forma como recorrem aos serviços e que deve ser preferencialmente a referenciação  ao invés dum acesso caótico e sem qualquer critério.




Posto isto, dado que o assunto tem sido pouco debatido, queria colocar aqui uma citação do relatório da CRRNEU (Comissão para a Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência):


“Há, portanto, que pensar o atendimento agudo de forma global, reconhecendo a distinção entre o “urgente” e o “não urgente” e tentando definir o papel das duas estruturas – SU e CSP – num sistema articulado para a doença aguda. As meto

dologias de triagem clínica de prioridade e orientação centralizada, por via telefónica, são fundamentais para este objetivo. 

É absolutamente necessário promover a sua utilização, reforçar o seu papel decisor da orientação do doente e aumentar a sua qualidade, através de sólidos mecanismos de auditoria de desempenho. A utilização deste tipo de sistema deverá ser incentivada, por exemplo através da redução das taxas moderadoras e da priorização de atendimento nos CSP ou no SU (respeitando o nível de gravidade). Esta integração de cuidados, com clara identificação de papéis, é também fundamental para a definição de perfis de recursos humanos, logística e estrutura física.”

 Esta é uma das propostas boas que tem este relatório e que vai no sentido de promover uma melhoria na triagem do acesso aos SU (Serviços de Urgência) e Cuidados de Saúde Primários. Foca-se claramente nas vantagens da Triagem telefónica, através da qualidade do seu serviço, na comodidade que representa para o cidadão, nomeadamente naquele que apresenta dúvidas quanto ao tipo de cuidados que necessita e no tipo de doentes que mais susceptível é de induzir mudanças, além claro de garantir uma elevada qualidade e relação custo benefício… Mas para ser claramente vantajoso para o cidadão usar este tipo de triagem este tem de ser discriminado positivamente o que pode ser conseguido de várias formas, entre as quais uma redução/isenção da taxa moderadora, caso a sua referenciação seja direccionada aos Cuidados de saúde primários ou Hospital (SU) quer numa maior prioridade de atendimento. 




Até porque isto aumenta a consciencialização dos cidadãos face à necessidade de sustentabilidade do sistema e os torna actores voluntários no processo. Todos sabemos que as acções são mais facilmente tomadas se houver racionalidade económica na sua escolha. Além disso, esta correcta referenciação permite salvar vidas e garantir que os casos mais urgentes são atendidos mais … urgentemente.
Arriscaria até mais… dado o sucesso destas triagens telefónicas, tipo Saúde 24, seria até de pensar em alargá-las a outras áreas de actuação, nomeadamente a triagem de doentes urgentes/emergentes tipo CODU (INEM)… Os ganhos daí obtidos aumentariam em muito a satisfação dos doentes e a eficiência do SNS.



Só garantindo que os bons comportamentos são premiados ( não se considerando como viável uma penalização dos comportamentos menos positivos) podemos esperar da parte dos cidadãos uma atitude fácil de tomar e moralmente correcta e racional do ponto de vista económico. 





Só assim se garante a existência dum Sistema de Saúde Universal, de acesso equitativo, justo e Adequado

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