Esquizofrenia no Ensino Superior

Só em Enfermagem, num cenário de desemprego generalizado e vagas de emigração maciças, contam-se aproximadamente 2000 vagas disponíveis no Ensino Superior. 2000?????!!!!

Porém passa-se o mesmo para todos os cursos, repito, todos os cursos do Ensino Superior Público (noutro post falarei de condições totalmente diferentes no Ensino Superior “Privado”)

Qual o limite para a esquizofrenia do Ministério da Educação e o da Saúde (por ser este o principal empregador de Enfermeiros) face às vagas disponíveis no Ensino Superior público?

Cursos com baixa ou inexistente empregabilidade são armadilhas para os alunos que têm uma expectativa de emprego face à existência de vagas nos cursos, confiando na boa fé do Estado ( “se tem vagas quer dizer que há emprego”), por outro lado a responsabilidade pela escolha dos próprios alunos deve ser-lhes também imputada…

Falo em armadilhas porque não existe informação acessível de forma fiável e generalizada, acerca das condições de empregabilidade e exercício ( condições de trabalho, expectativas de carreira, remuneração), enviesando a decisão da escolha dum curso, até porque com a avalanche de tanta informação torna-se difícil uma decisão esclarecida assim como a falta de esperança ou de alternativas contudo…

O que motiva alguém, ou um grupo de “Alguéns” a preencher TODAS as vagas dos Cursos de Enfermagem  sabendo que o emprego é praticamente inexistente ( amplamente divulgado na Comunicação Social) e depois fingir-se surpreendido e manifestar-se a favor de políticas de emprego??? ( poderíamos falar de Direito ou Psicologia ou etc etc etc)

Existe melhor política de emprego do que cada pessoa tomar uma decisão racional quanto às suas expectativas de emprego futuras e não atirar-se a um poço berrando depois que alguém vá lá salvá-la?

O direito à educação não pode prevalecer se este for exagerado e desadequado das capacidades do país assim como não me parece racional formar-se com a expectativa de emigrar… Eu, como contribuinte, não quero contribuir para a saída de capital humano e material do país e tendo em conta que a formação de cada um custa dezenas de milhares de euros e tendo o aluno uma pequena fatia da despesa da formação, não é racional a sua decisão e escolha assim como é prejudicial para o Bem-Comum. 

Penso existirem outras áreas onde poderiam ser investidos esses recursos (ou não investindo de todo, poupando-os ) do que empregá-los em satisfazer desejos hedonistas e cuja responsabilidade e consequência não são facilmente percepcionáveis pelo próprio ou pela Comunidade.
Políticos… querem saber onde cortar despesa? Reduzam vagas e aumentem a eficiência da formação… 
Há várias opções, muitas delas acumuláveis:
– Reduzir o número de vagas em cada escola
– Fusão de escolas (Concentrando professores e alunos e aumentando de imediato a percentagem, por escola/faculdade, de professores creditados para o efeito)
– Aumentar a duração e carga lectiva do curso de Enfermagem, englobando Mestrado Integrado e/ou especialização como condição inicial para o exercício autónomo
– Aumento da propina ( facilitando a decisão tendo em conta a racionalidade económica da mesma)
– Divulgação anual das taxas de empregabilidade dos vários cursos nos sites das Universidades, da profissão em geral, junto dos pais, dos alunos do Secundário e mesmo ainda aos alunos que frequentam o Ensino Superior Público.
Dito isto, para onde caminhamos, caso continuemos? Tenho a perfeita noção de que o caminho para uma sociedade melhor é mais educação ( melhor por assim dizer) mas temos de ter maior noção daquilo que é função individual ou familiar e aquilo que é uma função da sociedade ( como Estado)… Não há capacidade de gerir tais expectativas…
Quais são os limites interpretativos do Direito à Educação? São 2000 vagas, são 5000, são 500, são 0? 
Algum critério objectivo deve ter dado que ter este direito genericamente definido dá para tudo e não dá para nada… Portanto, que limites e que objectivos deve ter o consagrar na Constituição o Direito à Educação?
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