Era uma Vez um Pais… entre a crise económica e a crise de valores.

Nasci em Portugal. Cresci em Portugal 31 anos. Estudei e em Portugal 24 anos. Trabalhei em Portugal 10 anos. Cresci a ouvir falar do antigo regime, da Revolução dos cravos e de liberdade… que já não existe.

Em Portugal a liberdade transformou-se em anarquia e impunidade. As pessoas têm medo… e têm dificuldades…. Tal e qual como antigo regime.
 Em Portugal deixou de haver crescimento…. Regredimos 40 anos.

 Saí de Portugal porque fui educado para não aceitar o inaceitável: 1) BPP; 2) BPN; 3) Parcerias Publico Privadas; 4) Fundações…. (Fugas de imposto e branqueamento de capitais…) 5) Desorganização e falta de planeamento (exemplos: na tomada de posse o atual Governo não sabia quantos funcionários púbicos existiam! Nem quantas fundações tinham o apoio do estado (muito menos o valor total envolvido!!!!) Como é que conseguem fazer orçamentos de estado????) 6) Etc. Cresci em Portugal a ver um Pais que não valoriza a qualidade. Aposta nos Salários Baixos para 85 % da população….

O Resultado está à porta: pobreza… Estagnação da economia…. Caos Social. Entre a decisão de permanecer e sair…. Decidi sair de Portugal… Não contribui em nada para esta crise (nunca vivi acima das minhas possibilidades), E as minhas filhas muito menos!

 Voltando ao Paralelismo com o antigo regime…. Sinto-me como um Refugiado Politico (pela politica económica)… Penso em regressar a Portugal quando o Paradigma for invertido… Quando Portugal reconhecer e apostar na qualidade: 1) Um óptimo trabalhador não pode ganhar o mesmo de um trabalhador que trabalha para “os mínimos”…. 2) Salários que permitam viver com tranquilidade e qualidade de vida. 3) O Planeamento e organização com o base social. ______________ Na minha profissão – Enfermeiro –

Assisti em uma década a uma Regressão inimaginável…. A revisão da carreira, na minha opinião, foi um desastre para a profissão: 1) Apenas 10 % de enfermeiros poderão evoluir na carreira – enf. Principal. 2) A 90% resta a estagnação “ad eternum”. Formam-se cerca de 3000 enfermeiros em Portugal em cerca de 50 escolas… TRÊS MIL ENFERMEIROS …. Que ou vão sair do pais…. ou vão trabalhar por 2.5 euros / hora num supermercado.
1) O Ministério da Saúde finge de não tem nada a ver com isso
2) A Ordem dos Enfermeiros diz que faltam enfermeiros em Portugal… e continua a permitir as 3000 vagas… e a fingir que não tem nada a ver com isso…
3) As escolas continuam alegremente a procurar clientes…. e para manter o “negócio” já desenvolveram parcerias com agencias de emprego internacionais. Em Portugal paguei 50% do meu salario em propinas para me especializar… para poder prestar melhores cuidados…. A instituição onde trabalhava foi completamente indiferente no processo. E é este o estado da arte….

 Agora imaginem !!!! Conheci um Pais onde a Filosofia de cuidados é especializar todos os enfermeiros do serviço… (obviamente que a qualidade dos cuidados é exponencialmente superior!) A especialidade é paga pelo hospital (claro que o numero de vagas é directamente proporcional ao numero de necessidades REAIS do serviço)… A especialidade feita em horário de trabalho… A remuneração como especialista é automática no final do curso… Existe evolução salarial anual… O que me permite viver bem só com UM SALÁRIO… e VER CRESCER AS MINHAS FILHAS.. …

 Espero que o Governo ataque a raiz dos problemas, como prometeu, e que deixe os trabalhadores com os seus salarios, que ja sao baixos, e isso ja é SUFICIENTEMENTE MAU! Como diz Jorge Palma… Temos que “Arquitectar destinos”! Acredito que todos temos um papel activo no nosso futuro. “Navegar é preciso” (Fernando Pessoa) _________________________________

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One thought on “Era uma Vez um Pais… entre a crise económica e a crise de valores.

  1. Olá Sr Farpas (lol)… tens de começar a assinar convenientemente os teus posts :)Relativamente à Ordem dos Enfermeiros… Não sei se tens acompanhado os últimos meses mas o discurso é basicamente este: Não vale a pena formar novos enfermeiros se não se tenciona/não se tem capacidade para empregá-los. Relativamente à Pressão sobre o Poder político… a maior pressão que deve ser feita é operacionalizar o MDP e que possibilitará exactamente um modelo semelhante a esse que descreveste… A especialização em contexto de trabalho. Quanto ao número de vagas no Ensino Superior… Temo que seja um problema geral e não só de Enfermagem… Infelizmente todos os Governos e por conseguinte todos os Ministérios, têm falta de planeamento estratégico quanto a esta questão… já desconfiei que fosse uma grande conspiração, hoje acredito que seja por amadorismo. Julgo que esta crise económica e financeira terá o condão de nos levar de novo a terra e perceber o que é essencial e o que não é, assim como fazer as pessoas perceberem que o seu destino deve ser determinado por si ( devem ter maior atenção nas escolhas que fazem) e que nenhuma estrutura central tem a capacidade de gerir expectativas e cumprir promessas que não pode cumprir…

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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