Satisfação com o SNS

A propósito da notícia em que o presidente do FCP( O cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa) dá nota de satisfação com o serviço que lhe foi prestado no SNS( ver aqui ) relembro que não há melhor forma de manter um serviço de saúde universal e de acesso fácil do que prestar um bom serviço(com qualidade) aos clientes/doentes.
Devemos contudo pensar nas razões porque é que este é posto em causa e que se prendem com a justiça, a  equidade e a uiversalidade… pois gostaria que todos os clientes pudessem dizer o mesmo que ele. Talvez isso explique porque é que tantos não recorrem ao SNS e porque é que este é posto em causa… Porque provavelmente nem todos têm acesso ao mesmo nível de cuidados (melhores e não necessariamente mais) e porque as suas expectativas não são geridas da mesma forma.
Qual o caminho que deve ser seguido para atingirmos esse desiderato?
Provavelmente garantindo que as expectativas dos clientes/doentes são cumpridas, satisfeitas ou pelo menos geridas e isso é algo que só se consegue envolvendo também do lado da oferta ( de cuidados) todos os profissionais envolvidos na prestação de cuidados e não só os que supostamente o fazem ( à luz da esmagadora maioria das notícias envolvendo a saúde) e garantindo que o máximo de pessoas têm acesso aos melhores cuidados possíveis. 
Envolve sabermos que a Saúde pode não ter preço mas tem custos e o que isso significa, nomeadamente custos com profissionais, custo com medicamentos, com meios de diagnóstico, com dispostivos técnicos, com material de suporte ( energia, computadores, software) e direccionar a actividade centrada na prestação de cuidados e não só na satisfação de alguns profissionais, equacionar sempre se a intervenção proposta é de acordo com as expectativas do cidadão e sabermos gerir a situação quando o não é.
Maior relevância ética e económica tem esta discussão quando o CNECV ( Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida) lançou um Parecer sobre um modelo de deliberação para financiamento do custo dos medicamentos (ver aqui) onde os ecos na comunicação social são primordialmente centrados no racionamento e exclusão de grupos de cidadãos do acesso a determinados cuidados, o que me parece que foi claramente enviesado pois o que se pretende é discutir o custo benefício, não só em tempo de vida mas qualidade de vida. Mais escandaloso ainda é pensar que isto é novo e que não se faz há imensos anos em todo o SNS, por exemplo através de critérios de admissão em Cuidados Intensivos ou em posições de decisão de não reanimação… Não é exactamente o mesmo? Impedir a distanásia e/ou obstinação terapêutica?
Por isso é preciso pensar antes de mais é… quais as expectativas dos clientes , quais as dos profissionais e quais as dos financiadores… e encontrar a melhor solução, nunca será perfeita mas pelos menos as expectativas de cada um não serão defraudadas… Porque é nisso que se centra o debate… as expectativas relativamente a um serviço e o quanto elas podem ou não ser defraudadas ou satisfeitas.
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