Incivismo, mobbing, entre outros…

Mauro a opinião que pedes é demasiado complexa, e com poucos dados a nível Nacional, e alguns a nível Internacional.


Pearson, Andersson et Porath (2005), fazem menção a condutas de comportamentos contraproducentes no trabalho denominadas  por abusivo, agressivo, anti social, bullying, mobbing, tirania, difamação social, violência e incivismo.

O mobbing ou assédio moral no trabalho é um tema, ainda pouco abordado na comunidade científica portuguesa. Caracteriza-se pela repetição, durante um longo período de tempo, de comportamentos hostis e condutas desprovidas de ética, desenvolvidas por um superior ou colega de trabalho, contra outros trabalhadores. 

Por alguns autores o  ‘mobbing’ leva a situações de assédio moral, coacção psicológica e violência emocional, uma severa forma de stress psicológico resultante de comunicações hostis ou actos dirigidos de forma sistemática a um indivíduo, com dificuldades em defender-se.

O Incivismo vai mais longe porque é um conceito mais abrangente que se pode definir por “Sentimento ou proceder contrário aos preceitos cívicos” ou seja a palavra civismo engloba as normas cívicas, onde devem estar presentes e implícitas a Carta de Direitos Humanos, os Direitos e Deveres que levam a viver dentro de uma sociedade, bem como os Direitos e responsabilidades individuais, existe sempre um instigador e uma vítima.

Nos USA as condutas incívicas ou incivismo como o maltrato inter pessoal são operacionalizados através da escala de Workplace Incivility, como por exemplo: prestar pouca atenção aos outros, realizar comentários humilhantes ou depreciativos, ter condutas de exclusão em reuniões sociais ou de trabalho, tecer comentários pouco correctos sobre o trabalho dos outros, induzir o início de conflitos pessoais e falta de conduta profissional quer em público quer em privado perante um indivíduo.

Na seguinte tese em inglês pode aprofundar-se a leitura sobre incivismo – THE RELATIONSHIP BETWEEN WORKPLACE INCIVILITY AND STRAIN: EQUITY SENSITIVITY AS A MODERATOR

http://etd.ohiolink.edu/send-pdf.cgi/Kain%20Jason%20Matthew.pdf?bgsu1209998458


Investigações de corte qualitativas definiram categorias relacionadas ao incivismo no local de trabalho como ir-respeito – desonestidade, ignorar – excluir, desacreditação profissional sem fundamento, silenciar o outro, descriminação de género, intimidação e ameaça, comentários depreciativos sobre a imagem do outro, in Cortina, et al, 2003.

Logo o atropelamento e falta de respeito destas normativas geram um problema gravíssimo que pode resultar em vários fenómenos como são o mobbing, o assédio sexual, o bullying a vingança, etc…
São fenómenos que estão cada vez a ter uma maior incidência na Sociedade Portuguesa, com implicações graves para a Saúde do Ser Humano, e que como sabes nem sequer ouvíamos falar na nossa Licenciatura, o que revela que esta também tem de sofrer alterações aos seus conteúdos programáticos.

Não existe legislação a nível da Ordem dos Enfermeiros, um parecer que diga como denunciar este tipo de actos, o que fazer, a quem se dirigir, como pedir ajuda.

Actualmente em Portugal a nível escolar já há denúncias que como sabes acabaram em expulsões dos implicados. O problema do meu ponto de vista é que muitos dos teóricos que constituem o corpo científico da Enfermagem se recusam a adaptar-se à realidade que se está a viver, se recusam a destacar pela positiva e a delinear novos métodos de actuação, bem como estudos sobre estas problemáticas.

Sobre mobbing existem estudos realizados na área de saúde em Pt, mas sobre incivismo acho que não existem estatísticas, porque nem estudos temos, a primeira vez que li a terminologia acho que estava a ler o El Mundo, Domingo pela manhã, que é um dos meus hábitos sagrados, pelas abordagens diversificadas que este jornal faz aos domingos com os artigos e revistas complementares, passando desde a política, à saúde, entre outros temas…

Nas instituições opta-se por não prejudicar a consistência do Grupo e muitas vezes é a pessoa “inadaptada”, que por consequência é alvo de incivismo que acaba por ser transferida ou despedida, esta é a nossa realidade.


Pearson y Porath (2005, citados en Edelberg, 2008)  propõem as seguintes estratégias para mitigar e prevenir a incidência de incivismo no lugar de trabalho:

Políticas organizacionais donde não se tolere a falta de respeito entre colegas (tolerância zero);

Promover dia a dia a reflexão sobre a interacção inter pessoal entre empregados ;

Evitar aquando do processo de selecção, escolher pessoas para trabalhar com padrões incívicos;

Tratar estes comportamentos de forma oportuna e imediata independentemente do cargo que desempenha na instituição.

Tens vários fenómenos que levam a este acontecimento  em Pt ao não se optar pela mobilidade dos profissionais dentro dos  serviços e organização, geram-se equipas que ficam formadas a longo prazo, e quando entra alguém novo não preciso de te explicar o que acontece, ou cai em graça ou em desgraça.

A liderança em Pt deixo para falar noutro tópico porque dá pano para mangas.
A organização pode sempre sobreviver, a competitividade pode ser feita de várias formas eu defendo a de Excelência, se em vez de andarem a fazer omeletes sem ovos, utilizassem a inovação, e a criatividade chega-se ao respeito da sociedade, ou seja medidas simples, se promoves uma equipa com altos padrões de competências, geras confiança e motivação, e porque não promover a investigação. Quando é feita uma nova descoberta com aplicação Nacional e Internacional, geras novos empregos e muito dinheiro.  

E infelizmente a nossa Ordem não tem a força suficiente nem o Sep, para pôr os pontos nos “is” quando surgem estas situações.

Do meu ponto de vista o mais importante neste momento é realizar estudos, comprovar que este fenómeno acontece dentro do local de trabalho, fazer Leis que salvaguardem as pessoas, e com penas que possam tal como nas Escolas quando verificado levar à expulsão  e despedimento de quem faz e pratica incivismo.

E de certo modo criar departamentos dentro das instituições que ajudem a vítima, e não consigo encontrar matérias sobre o que foi feito em Portugal neste âmbito, por isso a todos os que tiverem dados, estatísticas façam o favor de os publicar.
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