Enfermagem= Humanização dos serviços de saúde

A propósito de notícias como esta: ( doentes morrem de fome e sede nas enfermarias dos hospitais) http://www.telegraph.co.uk/health/healthnews/9591814/Patients-starve-and-die-of-thirst-on-hospital-wards.html

Vejamos… quem se preocupa em assegurar que os doentes internados sejam autónomos( promovendo ou capacitando o doente ou família) na sua alimentação ou substitui-los em caso disso?

Quem se preocupa em assegurar que o doente consegue manter-se limpo ( quer através da higiene ou emconseguir urinar ou defecar)?

Quem se preocupa em integrar a familia nos cuidados, garantindo um envolvimento da mesma e um maior sentido de responsabilidade, pertença e necessidades de manter-se informada?
Quem se preocupa com a necessidade de o doente ser capaz de manter as suas capacidades cognitivas e estar apto a manter os seus projectos de vida?
Quem se preocupa em assegurar que as pessoas estão confortáveis, sem dor, não preocupadas em demasia com as suas limitações?
Quem se preocupa em que as pessoas não tenham limitações ou pelo menos as reduzam?
Quem se preocupa em que as pessoas sejam capazes de andar ou levantar-se da cama sozinhas?
Em teoria é a Ciência de Enfermagem, na prática são os enfermeiros, porém estes encontram várias resistências para implementar os resultados da “sua” ciência, umas internas ( dos próprios) outras externas( sociais e organizacionais por exemplo) e que favorecem a elevada incidência de casos como o relatado.
Uma sociedade centrada em algo que parece mais complexo e técnico ( todo o medicamento e tecnologia inovadora) e que , paradoxalmente, ignora aquilo que mais impacto causa nas pessoas, as suas respostas à doença e aos vários processos de vida ( gravidez, parentalidade, luto)… que tantas delas seriam evitáveis se nos centrássemos no mais simples e básico mas igualmente complexo.

Cada vez mais concluo que o difícil é fazer o simples e que o simples nem sempre é assim tão fácil.

Numa sociedade que ignora os milhares de casos de pessoas escondidas em casa, por doença, vergonha ou  falência, é fácil passar à frente… mas um dia chegará a nossa vez e será difícil percebermos que a instituição onde nos prestarão cuidados terá belos aparelhos de ressonância magnética, um medicamento caríssimo que nos prolongará mais 2 semanas a vida, mas que não tem almofadas para eu estar confortável, que não tem enfermeiros a perderem tempo a ajudar-me a comer ( porque serão despedidos se não estiverem a preparar o tal medicamento e… o tempo está contabilizado pela gestão para só ser possível isso) e que me darão uma cadeira de rodas espectacular, automatizada e caríssima mas que não tiveram tempo para me ajudar a levantar e caminhar e assim evitado o seu uso…
Humanização??? Não quero saber disso… quero é que permitam que me ajudem naquilo que é mais básico: comer, beber, andar, dormir, estar com a família, ir ao WC… Enfim , aquilo que é normal um HUMANO fazer ou de que realmente necessita. Parece tão fácil… e no entanto vão a um qualquer hospital e verão…  
Porque é que isso acontece?
Que barreiras existem à implementação destes cuidados ( cuidados de enfermagem) ?
Prioridades e perspectivas não centradas naquilo que é realmente necessário…
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