Definir a política do medicamento

Nos últimos dias temos tido a peculiar oportunidade de assistir a dois tipos de manifestações: por um lado, a população (especialmente reformados) a queixar-se que não tem dinheiro para os medicamentos; por outro lado, os farmacêuticos a protestar contra a baixa de preços dos medicamentos que alegadamente asfixiam o sector. Seria interessante confrontar estas duas posições…
Mas mais marcante foi o parecer do CNECV, sobre o qual me vou escusar a grandes comentários porque já foi dito um pouco de tudo. Contudo, há a reter a necessidade de haver guidelines para a prescrição dos ditos “medicamentos inovadores”. Só desta forma se garante a justiça na distribuição dos recursos e, ironicamente, protege a posição de quem mais criticou o parecer: os médicos. Os médicos têm o ónus de decidir que tratamentos aplicar, com base em critérios subjectivos e correndo o risco de ser injustos para com os pacientes. Esse risco diminui se existirem guidelines para a prescrição.
Levando este pensamento um pouco mais longe, porque não condicionar a comparticipação dos medicamentos ao cumprimento de guidelines? Quantas vezes os médicos dizem “vou receitar isto só para ir descansado”, “Não deve ser nada, mas pelo sim pelo não leve isto”? Numa época em que se fala cada vez mais de prática baseada na evidência, porque não aplicá-la neste caso? Além das poupança de recursos, evitávamos certamente muitos dos efeitos iatrogénicos (sabemos que uma percentagem considerável dos internamentos é devida a prescrições erradas, especialmente nos idosos) e a resistência aos antibióticos, um fenómeno com especial peso no nosso país.
A propósito, foi lançada a Iniciativa Latitude, aberta à sociedade civil e com o objectivo de contribuir para um novo caminho na política do medicamento, nomeadamente de medicamentos inovadores.

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3 thoughts on “Definir a política do medicamento

  1. Só com a gestão integrada da saúde( e complementarmente/ou por oposição da doença ) é possível integrar o melhor conhecimento disponível na melhor relação custo benefício, o que inclui naturalmente o medicamento mas acima de tudo o que não envolve o medicamento. Só levando à letra a multidisciplinaridade é possível criar normas de orientação clinica para todo o tipo de necessidades e cuidados.

  2. É vital uma política do medicamento equitativa e de equidade. Os últimos estudos Europeus demonstram que uma prescrição compartida por parte de médicos, enfermeiros e farmacêuticos, diminuiu o risco e aumenta a qualidade de serviços para o utente.Mas sem dúvida que o delinear de guidelines, linhas orientadoras que permitem a grupos profissionais actuar em coerência com as normativas do País. De todos modos para quem quiser saber mais fica aqui o site da Agência Europeia do Medicamento:http://www.ema.europa.eu/ema/E a página do Portal da Saúde que explica como funciona a EMA:http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/a+saude+em+portugal/noticias/arquivo/2010/9/agencia+medicamentos.htm

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