Emigração… um paradoxo dum Estado independente e soberano

A minha posição quanto a isto resume-se numa frase muito simples:

Um país que não se importa que os seus cidadãos emigrem equivale aos pais que não se importam de dar os seus filhos para adopção.


As minha questões são… fizemos tudo para não os darmos para adopção?
Ou… porque tivemos estes filhos?
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7 thoughts on “Emigração… um paradoxo dum Estado independente e soberano

  1. Este assunto já é discutido à muito tempo. As conclusões são óbvias. O estado investiu ao longo dos anos na formação da população com objectivos claros. Mas com o desenvolvimento formativo da maioria da população não se criaram estruturas que permitissem ao pais usufruir do potencial que cada um de nós (população) apresenta. Pelo contrário, não se gerou sustentabilidade no sector do estado, não se gerou desenvolvimento de projectos inovadores e lucrativos. Gerou-se sim, foi oportunismo, corrupção, favorecimentos directos e indirectos em todos os sectores, má gestão/ gastos de dinheiros públicos indevidamente, etc. Os profissionais (com nível académico superior) muito bons naquilo que fazem mais tarde ou mais cedo vão trabalhar para fora. Porquê? Mauro já viste que o AC3S determinou que a universidade de Aveiro não teria um curso de medicina "estruturado"/ constituído com o que seria necessário. E logo de seguida a OM emitiu um parecer a apoiar esta decisão e a garantir que os estudantes desta escola seriam recolocados noutras escolas, mas que não fazia sentido abrir-se mais vagas e outros aspectos. Não existiu pressão/influencia? Nós, enfermeiros já não fizemos pressão sobre o AC3S relativamente aos cursos de enfermagem e o mesmo responde sempre que as escolas garantem sempre as condições necessárias (o que não é verdade, se reflectirmos bem nas condições ideias ao processo formativo) e que a analise do numero de vagas disponibilizadas não é da sua responsabilidade … Só não vê quem não quer, porque somos bombardeados diariamente com exemplos de este tipo de informação. O povo acomoda-se, porque a maioria pertence à classe "pobre" ;)…

  2. A questão, quanto a mim, é mesmo a falta de estratégia do Estado. Claro que quem se licenciou recentemente sabia que a situação de empregabilidade já não estava fácil. E mesmo que não soubesse, não podemos exigir ao Estado que garanta emprego a toda a gente só porque tirou um curso.Eu confesso que me custa emigrar (embora comece a ver essa possibilidade cada vez mais forte), mas não posso culpar ninguém por isso nem é nenhum mal. Aliás, tenho de agradecer ao Estado por me ter financiado os estudos que me permitem emigrar e ter emprego lá fora.Mas o Estado gasta milhões com todos nós, incentiva-nos financeiramente a estudar em áreas que depois não são úteis aos país.

  3. Gastar milhões de euros num sistema educativo, não ajustável ao País, é um erro concordo inteiramente contigo Mauro, e esse dinheiro deveria ser rentabilizado para outros sectores.Nem toda a gente tem de se Licenciar à pessoas fantásticas que não são licenciadas, que não são Sr. Dr. e são excepcionalmente sublimes no seu trabalho diário.Concordo inteiramente contigo, se tens de fechar, fecha, à que assumir opções e consequências. E os políticos têm de começar a alargar horizontes e a serem objectivos avaliando a funcionalidade do sistema político.Também como todos já constatamos há que apostar numa saúde primária forte, com uma rede prevenção eficiente, e como sabes continuamos aquém das expectativas, pode ser que algum dia quem sabe vejamos o barco (Portugal) remar a bom porto ;). Até lá vamos vivendo, e infelizmente outros sobrevivem, e alguns já estão "estrangulados" pelo próprio sistema.

  4. Não discordando de ti nem desculpando a liberdade de escolha dos candidatos ao ensino superior… penso que estamos longe do equilíbrio e coerência no que às opções políticas diz respeito.Faz algum sentido que o Estado invista milhares de milhões num sistema de ensino destinado a formar licenciados, se estes não vão exercer em Portugal?É pura e simplesmente desperdício de dinheiro que teria outras melhores aplicações… ou melhor ainda, serviria para baixar impostos.Se alguém quer emigrar que o faça, mas não exija do Estado a formação para o fazer e que o faça a título individual… Porque o Estado deve servir para manter a coesão do país e não para obedecer a caprichos individuais. Temos que admitir que é um paradoxo o Estado formar para o desemprego massivo e para a emigração… é simplesmente desistir do país e não ter a noção de sentido de bem comum ou qualquer estratégia.Apontar emigração como caminho é dizer que não se vai fazer nada para mudar a situação… Eu radicalizo isto um pouco e coloquei a analogia da adopção mas poderia fazer outra ainda mais radical… É como ditar como moral a eutanásia e acabar com os analgésicos e outras medidas de conforto assim como abolir os cuidados paliativos… Obviamente muitos pedirão a eutanásia porque não suportam a dor…O teu caso pessoal é uma excepção pelos motivos que já referi anteriormente, até porque a responsabilidade e custo do teu esforço foi inteiramente tua e portanto não colocaste ninguém a suportar a tua liberdade e opção de emigrar.Concordo plenamente quanto à questão da desvalorização do que é trabalho menos "intelectual" e da aspiração de todos a uma vida melhor e se moralmente não o posso condenar… não me podem também pedir para não o condenar quando tenho eu, tu, quem quer que trabalhe, que pague devaneios. O processo de escolha duma "vocação profissional" tem de ser minimamente racional e não é isso que se verifica… nem as expectativas criadas são as correctas( pela oferta formativa) nem as pessoas podem desistir de decidir a própria vida, confiando em "sistemas"…E como já te disse… emigrar por opção ( e sem aproveitar recursos dos outros) é uma coisa ( como parece ser o teu caso), emigrar por opção meramente por devaneio é outra e outra ainda pior… é emigrar por estar encurralado.O nosso dinheiro tem de ser bem investido e ao Estado cabe ser pouco aventureiro e muito mais racional… deixar de pagar devaneios que não ajudam ninguém.

  5. Não é só Espanha, vou agora para Nice e a meados de Novembro para as Caraíbas, e se tudo correr bem daqui a um ano estou na Austrália, o que eu não concordo em Portugal é que as pessoas vão para um curso superior por irem, deviam ter as ideias claras, antes de optarem, eu sempre gostei de conhecer outros sistemas e outras realidades é a minha forma de ser.Eu sabia que queria uma área dentro da saúde decidi-me no 9º ano, ninguém decidiu por mim, depois optei por Enfermagem, gosto do que faço, gosto de exercer a profissão em diferentes sistemas, a polivalência, está enraizada. Mas como tu bem sabes à pessoas que fizeram um curso, têm hipóteses de exercer lá fora, e continuam cá, PORQUÊ?, por desculpas, se realmente queres fazer a diferença dás o teu melhor é assim que eu penso, e vais onde for preciso.Agora se fazes um curso por fazer, porque os teus pais querem que sejas Licenciado, etc…etc…é o primeiro grande erro. Ser Licenciado não garante um emprego, pois a oferta tem de existir, e há pelo menos 4 anos que as pessoas têm noção que a oferta existe para o factor "C", e alguns raros concursos que abrem 1 ou 2 vagas.Exemplo prático, se queres fazer parte da equipa dos médicos sem fronteiras, tens de saber francês, inglês e outro idioma, teres pelo menos 2 anos de experiência, e espírito, eles pagam-te o curso de catástrofe e evacuação, mas a primeira parte és tu que tens de a desenvolver. As entrevistas em francês, ou falas e desenvolves, ou Não, eles nem sequer te perguntam se tens diploma, vais lá e demonstras que sabes quando te marcam as práticas. E se colocas no Cv, mais idiomas eles fazem-te a 1ª entrevista nos idiomas que tu colocas. Prático, simples e eficiente.Concordo contigo em pensar no futuro, mas não podes viver para ele, porque as frustrações podem ser muitas, não podemos passar a vida a remediar, nem pensar, isso também é pior o soneto que a emenda.Houve um recém licenciado que disse, quando ingressei na Licenciatura já tinha decidido que quando acabasse, seria para emigrar, porque li sobre o mercado Nacional, e este não me permite desenvolver a minha carreira como a mim me gostaria.Agora certo é que não se percebe esta dicotomia que já é discutida desde 2007, do porquê? de tantas vagas, de mais escolas, quando já se sabia que o mercado não absorvia, esta era a realidade, passaram-se 5 anos e o que foi feito? Não é um problema só deste governo, não é, vem de trás.Aumentou-se a idade da Reforma e de repente, as pessoas na Enfermagem, os que estavam a "arrasar" os 56 anos em 2004, têm de trabalhar mais 9 anos, ou seja reformam-se agora em 2013.Depois o Ministério da Educação, a Ordem e as Escolas, têm de ter uma certa responsabilidade, sobre as decisões que tomaram.Outro problema cultural Português, ter uma Licenciatura é que é bom, e esqueceram-se do resto das profissões, pois para mim ter um bom sistema de agricultura e pecuária, também seria excelente, visto que somos um País com uma grande costa marítima, e temos uma tradição de trabalhos manuais ancestral (arroiolos, rendas,etc…), e todos numa sociedade sustentável têm a sua importância. no fundo descorou-se de um lado e investiram-se milhões exagerados noutro.E por último no nosso País fala-se de mais executa-se de menos.Agora estamos a ter as consequências de projecções e opções passadas.

  6. Claro que emigrar não é crime, aliás eu próprio sou filho de emigrantes mas uma coisa é emigrar numa perspectiva de melhoria pessoal e outra é por uma questão se sobrevivência… E não percebo a esquizofrenia deste país… Há licenciados a mais para os que o Mercado de trabalho consegue absorver… mas nem Estado reduz número de vagas nas suas faculdades, nem os candidatos ao ensino superior pensam no buraco em que se estão a meter, pedindo que os salvem depois… Depois claro, temos de passar a vida a remediar… E torce-me o coração perceber que não se pensa no futuro e só no imediato. Não há ajuizados suficientes para mudar isto?É que por um lado, ao ter discursos de que a emigração é solução, ao contrário duma postura mais hedonista (conhecer novas culturas e prazeres) ou simplesmente opção profissional ( desenvolver competências a aprendizagens em realidades diferentes, por exemplo Espanha e a prescrição de fármacos) como no teu caso, não sei se exactamente por estes motivos… penso que ter o discurso que emigrar é uma solução leva a que se adie o problema e se desista de melhorar o país… é tipo: "Olha… tivemos mais um filho e agora não me apetece trabalhar mais e melhor para sustentá-lo… vamos dá-lo para adopção""… Este é o caso em que ele tem de sair para sobreviver… E que me parece que é o beco sem saída em que qualquer Português está agora… Mas que está tudo louco está… quer as pessoas que se inscrevem em cursos sem qualquer empregabilidade, quer os pais dela, quer os políticos que preferem estoirar dinheiro em manter as universidades abertas ou com vagas excessivas… O que nos levou a ficar assim?

  7. Emigrar não é crime, eu até acho que a mim emigrar só me abriu portas, no fundo esse é um dos conceitos da Europa, mobilidade, e conhecer novas culturas, e é bom poder viver a experiência, de não ir passar férias por uma semana, mas sim aprofundar conhecimentos em outro País.Mas o que não concordo é quem quer ficar, ou ter um posto de trabalho qualificado, não o possa fazer.Porque quando investes em formação superior as vagas que se abrem só deveriam ter sido delineadas consoante o mercado de absorvência Nacional. Isso sim teria sido correcto.

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