Visibilidade à Profissão – Cuidados Continuados

A Rede Nacional de Cuidados Continuados surgiu em Portugal no ano 2006. Com esta criou-se um novo contexto de cuidados, uma vez que foram criadas várias tipologias (convalescença, média duração, longa duração e paliativos), verificando-se uma filosofia de continuidade nos cuidados prestados aos utentes e familiares, de forma a se conseguir concretizar uma alta eficaz, ou um acompanhamento adequado aos utentes carenciados.
Assumindo-me como enfermeiro generalista direccionado para a prática de cuidados, tanto numa valência de Média Duração como numa Longa Duração, verifico que os principais desafios que surgem no dia-a-dia são a gestão dos cuidados face ao tempo disponível, o tipo de recursos materiais disponíveis, a interacção/ relação estabelecida com o utente/familiar/cuidador principal, a responsabilidade relacionada com as atitudes terapêuticas/procedimentos (tanto por mim praticados, como por mim delegados), a capacidade individual de gerir o desgaste físico e psicológico criado no dia-a-dia, o trabalho multidisciplinar, entre outros…  
A metodologia de trabalho em que me enquadro, é a que corresponde aos cuidados de enfermagem em equipa, porque a responsabilidade, planeamento de cuidados, aptidão para se executarem atitudes/procedimentos, são partilhados em conjunto e com isso predispõem-se a uma maior eficácia/qualidade.
A gestão dos cuidados ocorre no dia-a-dia. Aqui, se me são distribuídos 10 utentes para um turno da manhã (ex: Longa Duração, 8h-15h:30m), pressupõem-se (partindo-se de um planeamento) a realização de procedimentos tais como cuidados de higiene (maioria com dependência em grau elevado), distribuição/preparação/administração da medicação, dar alimentações (avaliar conteúdos/texturas), avaliar/vigiar capacidade de deglutição, realizar tratamento e prevenção de feridas (grande maioria úlceras de pressão de categoria III e IV), vigilância e monitorização pontual de alguns parâmetros (gerir oxigenoterapia, aspirar secreções, vigiar débitos urinários/sinais vitais, monitorizar o valor do metabolismo energético, entre outros) realizar registos reunindo de forma concisa e objectiva toda a informação do utente, estar disponível para falar com familiares caso surja alguma questão, ou informar algo aos mesmos, planear intervenções e vigiar o risco de queda, entre muitos outros.
Aquando do planeamento de todos os anteriores procedimentos é imperativo, ter em conta o tipo de materiais que temos disponíveis para a realização dos mesmos, pois em caso de ruptura de algum tipo de material será necessário improvisar ou agir da melhor forma possível para que o utente não “sofra” consequências negativas. Mas nem sempre poderá tudo correr da melhor forma e aí devemos ter discernimento, maturidade profissional e atitude ética activa para expor de uma forma assertiva aos nossos superiores, o nosso pensamento e posição. Neste parâmetro, onde exerço os meus cuidados é raro surgir ruptura de stock em algum tipo de material ou por outro lado, face aos nossos pedidos ponderados, não nos ser facultado certo material.
Para ser possível se estabelecer uma interacção/relação com o utente, familiar, ou cuidador é necessário tempo, presença física, escuta activa e  comunicação terapêutica. Tudo isto é essencial, pois influencia directamente o processo de recuperação ou manutenção do estádio da doença, sendo condição determinante para o bem estar físico, mental e social do utente e respectivos familiares.
A execução de procedimentos ou delegação de actos é algo que nos acompanha em todo o período de trabalho e para isso geralmente, disponho de um auxiliar de acção directa que se encontra “ distribuído” à minha voz de comando. Neste ponto, é de enaltecer que todos os procedimentos/atitudes terapêuticas/actos produzidos nos 10 utentes são minha responsabilidade, sendo importante exercer um pensamento constante de colheita de informação, avaliação, e execução, para que todos os cuidados fluam da melhor forma possível de acordo com a qualidade que quero que se imprima aos mesmos (e que os meus superiores me exigem).
O desgaste físico e psicológico gerado no dia-a-dia de trabalho não são fáceis de ignorar por muitos de nós, pelo que é fundamental que cada um de nós, gere estratégias de cooping para gerir e ultrapassar estas condicionantes.
É evidente que este pequeno texto não expõem toda a complexidade que ocorre na execução do meu trabalho como enfermeiro ou de tudo o que me rodeia no dia-a-dia, mas fica a intenção de, através das minhas palavras dar alguma visibilidade ao “nosso trabalho” e profissão.
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3 thoughts on “Visibilidade à Profissão – Cuidados Continuados

  1. Olá…Neste tópico optei por colocar de forma simplista as diversas intervenções/diagnósticos, para ser simplista e objectivo, uma vez que não me queria alongar muito e por outro lado para ser mais fácil a quem não é enfermeiro o compreender.Eu e quem me acompanha sabemos fazer diagnósticos/intervenções pela nanda ou Cipe… Na universidade aprendi a colher dados/ formular diagnósticos da forma como o Enf. Fernando e o Enf. Hernani o demonstraram. Onde trabalho também o fazemos, não com tanto rigor em certos campos, uma vez que dispomos de nutricionista, terapeuta ocupacional, psicólogo, terapeuta da fala, fisioterapeuta, assistente social… Isto numa perspectiva de não se replicar informação. Possuímos um software informático que possibilita-nos aceder à informação uns dos outros (tipo aceder ao score da MMS) e permite-nos fazer uma avaliação inicial + recolha de informação "personalizada" por nós. Depois tens o campo das intervenções de enfermagem que são definidas pela equipa (registadas no turno). Para curiosidade, aplicamos com timing's definidos a escala de barthel, katz e lawton, Findrisc, push, braden, ECG,IMC. Fazemos planos de cuidados individuais (que posteriormente podem ser utilizados no plano de intervenção individual – Multidisciplinar), entre muitas outras coisas. Abraço.

  2. Vítor…Uma sugestão de modo a efectuarem com maior precisão o diagnóstico das pessoas de quem cuidam é seguir o modelo que apresentei no post anterior, quer do enfº Fernando Petronilho quer do enfº Hernâni Duque. Dá uma vista de olhos e verás que será muito útil , especialmente no teu contexto clínico.Abraço

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