Quem cala consente ou O jornalismo do Cidadão

Os meios de comunicação social representam uma forte estrutura social, que veicula representações sobre a realidade, adoptadas por grande parte dos Portugueses.

Em suma, e para os mais distraídos, o que a comunicação social diz que é, acaba por ser. O assunto referido, ainda que pouco aprofundado, é de imediato adquirido e sujeito a algum tipo de julgamento, que condicionará a visão que o cidadão tem do tema abordado na comunicação social (CS).

Numa última consideração, o que aparece na CS, isto é, nas TV’s, Jornais, Rádio e Net é o que existe, o que é real, o que é alvo de discussão. Se não é visível na CS, o assunto NÃO EXISTE. E antes de vos dar os dados de alguns estudos científicos realizados no nosso País (para outro Post), a verdade é que os Enfermeiros vão “aparecendo” aqui e ali.

O que vos quero falar hoje é da maneira como aparecem, e para isso dou-vos três exemplos:

a revista Visão publicou uma reportagem sobre os cortes na saúde e o impacto dos mesmos na saúde dos portugueses. A reportagem incidiu sobre os medicamentos (SIDA, oncologia…) e sobre consultas e operações médicas. Pouco se falou sobre os enfermeiros, a não ser na fraca qualidade dos materiais hospitalares.

– a entidade reguladora da saúde (ERS) encontra-se a realizar um estudo sobre a segurança dos utentes, ao nível de aspectos como prevenção de tromboembolia no acto cirúrgico, entre outros. Referia-se a todas as intervenções como “cuidados médicos”.

o programa de televisão Maternidade vai para o ar na RTP todas os domingos à tarde, plas 18h/19h, retrata os episódios de profissionais de uma maternidade privada. Retrata os enfermeiros, na sua maioria, como ajudantes de médicos e moços de recados, tendo tendência a ignorar o seu conhecimento e juízos clínicos.

Posto isto, e os exemplos são às centenas, o que fazer? Primeiro, vem a indignação. Depois, uma de duas: a resignação ou a acção.

Se se calar, tudo continua na mesma, os jornalistas e produtores vão continuar a saber o mesmo sobre enfermagem, logo produzirão os mesmos conteúdos. O público vai continuar a acreditar que enfermagem é o que vê na TV e por isso agirá, na relação com os profissionais, em conformidade com o que viu!

Se fizer algo, verá que a Revista Visão tem uma rubrica de Correio do Leitor (visao

@impresa.pt), onde pode esclarecer alguns aspectos menos claros da reportagem: escrevendo para lá, eles poderão publicar a sua opinião.

Poderá alegar junto da ERS (sinas@ers.pt) que “cuidados médicos” é uma expressão muito redutora, face à quantidade e qualidade de intervenções de outros profissionais não médicos, e verá que estes respondem que irão mudar a designação para “cuidados de saúde”.

Poderá questionar os produtores da série Maternidade sobre quem foram os Enfermeiros que assessoraram os conteúdos e a actuação no programa, e poderá sugerir novas performances para os mesmos, bem como nomes de Enfermeiros de renome que poderão proporcionar conselhos que se traduzam numa representação mais adequada à realidade.

O jornalismo do cidadão é tudo isto, é poder comunicar directamente com o jornalista, fornecer-lhe inputs, dados e debater com ele perspectivas sobre os assuntos noticiados. É poder dar a opinião nos foruns online de jornais e revistas, bem como escrever para as rubricas de correios de leitor. É informar aqueles que informam, para que transmitam à sociedade informação real e fidedigna.

É um dever de todos os enfermeiros, é fácil, rápido, e produz resultados!!!! Por exemplo, campanhas de envio massificado de cartas, pedindo aos produtores dos grandes programas de hollywood que alterassem a representação das enfermeiras surtiram efeito! Monitorizar a CS e sugerir alternativas e novos conteúdos é possível e acontece!

Vejamos o exemplo Americano: http://www.truthaboutnursing.org/

Façamos deste exemplo uma REALIDADE PORTUGUESA!

Cumprimentos a todos!

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2 thoughts on “Quem cala consente ou O jornalismo do Cidadão

  1. "Acha que a formação pré graduada do ensino de Enfermagem habilita um enfermeiro a comunicar para o exterior?"Agora substitua a palavra enfermeiro por médico, farmacêutico, psicólogo, nutricionista… e pelos demais profissionais de saúde.Muito provavelmente, nenhum deles teve formação pré-graduada na área! Alguns terão tido oportunidade de frequentar formação pós-graduada, mas terão sido muito poucos…Existem óptimas oportunidades de formação nesta área, sugiro uma delas: Toastmasters International. Há clubes em todo o País, é acessível e desenvolve competências de comunicação pública.Relativamente ao receio de os enfermeiros falarem em público: nem todos irão falar, isso é certo… Mas é por (quase) TODOS estarem calados, que a sociedade continua a desconhecer o contributo dos profissionais para a saúde e bem-estar! Se se expuser, vai dar um ou dois tiros no pé, mas aprende e avança! Se continuar calado, ai pode bem acreditar: ou fica tudo na mesma ou piora!!! (como aliás se tem visto!)Cumprimentos!

  2. Acha que a formação pré graduada do ensino de Enfermagem habilita um enfermeiro a comunicar para o exterior? Seja com o doente, o familiar, um jornalista ou um político?Não é bom até que os enfermeiros não falem muito para não mostrarem as suas deficiências no campo da comunicação e assim não projectarem uma imagem de ignorância e até de excesso de importância face à sua linguagem?

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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