Acesso dos doentes aos "processos clínicos"

Devem as pessoas poderem aceder à informação sobre a sua Saúde quando assim o desejarem?


Ou seja… quando eu, como utente, julgar ou sentir que devo consultar uma segunda opinião, que entraves me são colocados no acesso à informação produzida e registada pelos diferentes profissionais de saúde?
Na minha opinião as instituições em Portugal ainda são muito paternalistas e abusam do “privilégio terapêutico” ou pior ainda… da ausência de informação credível.

Vejamos o quadro europeu (retirado de DEVER DE DOCUMENTAÇÃO, ACESSO AO PROCESSO CLÍNICO E SUA PROPRIEDADE. UMA PERSPECTIVA EUROPÉIA de André Gonçalo Dias Pereira e que pode aceder através do link: http://web.unifil.br/docs/juridica/04/Revista%20Juridica_04-2.pdf )

Algo que nos deveria deixar envergonhados, enquanto portugueses,  e que nos deveria repensar se os slogans de potenciar a autonomia do doente e da transparência/prestação de contas são apenas para “Inglês ver”. 

Exige-se maior respeito pelo direito das pessoas acederem à sua informação contida nos seus processos clínicos e maior tradução dos slogans acima descritos em realidades efectivas.

Mesmo que o acesso a TODA a informação não seja possível nem desejável, face à necessidade de garantir também a segurança dos profissionais e portanto a qualidade que estes perderão na sua abordagem terapêutica, é necessário melhorar a actual realidade… Livre acesso e directo aos MCDT’s e Intervenções realizadas pelo menos…

De que temos medo?
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4 thoughts on “Acesso dos doentes aos "processos clínicos"

  1. Olá. Poderão ser vários os entraves, inclusive a nível legal. O bloqueio no acesso à informação surge na grande maioria das vezes não porque o utente se prejudique ao ter acesso à informação, mas sim por outros motivos. À alguns anos atrás o nível de formação e acesso a informação era totalmente diferente ao que ocorre hoje em dia e os profissionais deveriam ter isso em conta, não como receio mas sim, tal como o colega Nuno referiu para se concretizarem escolhas verdadeiramente livres e informadas e por outro lado para se cumprir o respeito pelos direitos e deveres dos utentes (eles existem por algum motivo). É importante o que o colega Mauro referiu face ao total acesso à informação, mas a titulo de exemplo, não é admissível que quando se questionam valores de análises ou a detecção de algo anormal num exame complementar de diagnóstico, a resposta do profissional responsável (porque é importante que se encontre presente o responsável pelas atitudes e intervenções) se limite a "está tudo normal" ou "estão melhores face ao da data y / está melhorado", sabendo-se que cada vez mais surgem pessoas a necessitarem de cuidados, com formação e conhecimentos (e que pedem de forma clara e objectiva a mesma), isto sem haver uma justificação coerente ou uma justificação posterior face à necessidade de ser produzida essa atitude. A saúde deve ser abordada com respeito e com a qualidade que exige.

  2. Podendo haver algumas excepções, considero que os utentes têm direito a acesso directo ao processo clínico. A informação diz-lhes respeito a eles, são eles que a pagam, é importante para escolhas verdadeiramente livres e informadas. A actual situação é um perfeito disparate.

  3. Olá Ricardo. Embora possamos pensar nessa excepção ou noutras, a verdade é que no actual quadro… nenhum doente, repito, nenhum, tem acesso directo à informação. O que também não está muito de acordo com o princípio de autonomia da pessoa, na medida em que não é considerada capaz para entender ou fazer um julgamento correcto da informação e ainda… não lhe permite aferir da efectiva qualidade dos cuidados a si prestados ou a limita no acesso a outras opiniões sobre os seus problemas de saúde

  4. Não penso que a restrição tenha o objectivo de garantir a segurança dos profissionais… terá sim, na minha opinião, sempre a ver com o que é melhor para o doente… leia-se doentes com alguns tipos de doenças mentais, entre alguns outros casos.

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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