Oportunidades que nos passam ao lado…

Gerou-se uma onde de indignação nacional, dizia o repórter da TVI no Telejornal das 20h… (http://www.tvi.iol.pt/videos/13760766)

Nunca na vida os Portugueses souberam da existência de lares ilegais, de sociedades que já não têm tempo para cuidar dos seus idosos em casa e que não têm dinheiro para lhes dar mais conforto num lar decente…

No Inverno é assim. Ou os encontram mortos em casa, ou batidos e maltratados por um qualquer funcionário de lar (ilegal ou não).

Depois, no resto do ano esquecemos. Convém. Esquecermo-nos da nossa própria velhice. Que não caminhamos para novos. Que deixámos os “empatas” num lar qualquer e que já não vamos lá fazer uma visita há imenso tempo.

A sociedade está a mudar. Descobrimos que ficamos cada vez mais velhos, enquanto País, que não vamos ter dinheiro para cuidar deles todos, que estamos a mandar os novos embora para outros países… O que será de nós no futuro, quando sabemos que a sociedade não se está a preparar para essa conjuntura?

Parte dessa mudança reside na legislação actual, que teima em caracterizar os lares de idosos como equipamentos sociais. Reality check (ou  reorientação para a realidade): os lares são cada vez mais equipamentos de saúde.

Deixemo-nos de tretas: os idosos vivem mais tempo e com mais doenças crónicas. Alguns deles vivem como aqueles idosos que se viram na reportagem, sejam as instituições legais ou não: sentados todo o dia, abandonados à inactividade e aos seus pensamentos, muitas vezes à espera da morte.

É isto que queremos? É que os Idosos só dão despesa e não contribuem para a riqueza do país… e se formos a ver que interessa a qualidade de vida? Estar vivo é melhor que nada não?

NÃO. Estes idosos precisam de Enfermeiros, a TEMPO INTEIRO, EM NÚMERO ADEQUADO, que permitam trabalhar no sentido de manter a independência, o bem-estar e a qualidade de vida. Eu gosto de comer por mim próprio, andar a passear e não ter dores. O leitor também? Trata-se de uma área VITAL DE INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM. Não a agarrem não…

Deixemo-nos de tretas: alguns de nós vão chegar a Idosos e mais não seja por isso, quando lá chegarmos o que vamos ter à nossa espera é tão somente o que prepararmos agora… Vão esquecer depois de amanhã?

Por último: onde estão os enfermeiros, nos media, a comentar situações em cujos cuidados directos são peritos? Estão à espera de quê? O telefone está aí ao lado e os jornalistas geralmente atendem… Vai ser mais uma oportunidade deitada fora??

Cumprimentos a todos

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7 thoughts on “Oportunidades que nos passam ao lado…

  1. Aqui há duas questões:a primeira é sobre o interesse do Estado em integrar estes equipamentos em valências sociais…. quer queiramos quer não, assim é tudo mais barato… não se gasta tanto, mete-se umas auxiliares com poucas horas de formação (e com foco unico na tarefa) a substituir enfermeiros e a prestar alguns cuidados de saúde e saem todos contentes, menos os idosos… Que pesadelo seria para o estado custear estas instituições.Depois, pergunto: seria mesmo? E se se provasse que em Lares dirigidos por Enfermeiros (e com cuidados de enfermagem adequados, pois uma não quer dizer a outra) há menos internamentos hospitalares, menos dias de internamento, menos re-internamentos, menos complicações e acidentes? Que efectivamente podiam não ficar mais baratos aos lares, mas ficam MUITO MAIS BARATOS À PARTE HOSPITALAR, que é como quem diz, somos nós todos que pagamos em impostos! Ora se se provasse que do bolo dos nossos impostos (entre o que contribuo para a segurança social e esta dá aos lares, e o que contribuo para financiar os hospitais) acabamos por pagar muito MENOS NO GLOBAL, se calhar até pensávamos duas vezes.Interessa ao Governos? e ao lobby social?Como incluir ou manter o debate nos media? Primeiro temos de meter os contactos de peritos de enfermagem, nas suas varias vertentes e temas, no caderno de contacto de TODOS os jornalistas de saúde. Depois temos de participar, TODOS SEM EXCEPÇÃO, ligando para o canal televisivo/rádio, escrevendo cartas ou até enviando uma carta-modelo proposto por alguma organização.Finalmente, são necessárias duas coisas: usar as BOAS EXPERIêNCIAS DE LARES GERIDOS POR ENFERMEIROS e reunir os peritos da área para que discutam, desenvolvam e disseminem políticas nesta área, no mínimo que tenham opinião sobre isto!Só com números, estatísticas da realidade e relação próxima com os media se vai lá.

  2. É verdade.. é um absurdo serem considerados equipamentos sociais… até porque a sua inclusão no sector Saúde, permitiria englobar também a parte "social"… que eu nunca percebi muito bem o que quer dizer… no caso dum lar…Como propões incluir ou manter este tema em debate na comunicação social?abraço

  3. Existem estas duas entidades Mauro, se fazem o trabalho que deviam fazer não sei, o que sei é que todos estes equipamentos são descritos como equipamentos SOCIAIS e não de saúde… daí que nenhuma delas pode intervir em nenhum lado. a visão é a de que a maioria dos idosos só precisa de banho, ser sentado e comer, e que isso são cuidados sociais. oculta-se por isso toda a cronicidade e alterações inerentes ao processo de envelhecimento e, por conseguinte, todos os cuidados de saúde são convenientemente esquecidos…Daí que esta É uma OPORTUNIDADE MAGISTRAL para se lançar o debate público sobre a verdadeira abordagem aos idosos, e de como a sociedade se vai preparar no futuro para o aumento do envelhecimento e suas consequências… UMA OPORTUNIDADE PARA OS ENFERMEIROS SE AFIRMAREM COMO CENTRAIS NA GESTÃO E PRESTAÇÃO DE CUIDADOS A ESTES CIDADÃOS. Os enfermeiros têm de conquistar o seu justo lugar na direcção destes equipamentos, muitos deles que são mais de saúde que sociais!O problema é que a comunicação social só fala disto esporadicamente, e se não se aproveita a janela, vai tudo por água abaixo…Arregaçemos as mangas e lutemos por iniciativas que melhorem os cuidados aos Idosos!

  4. "ERSQuem somos?A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) é uma entidade pública independente que tem por missão a regulação da atividade dos estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde. Quem regulamos?O universo de regulação da ERS inclui todos os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde do território continental, do sector público, privado e social, excetuando as farmácias.O que fazemos?Supervisionamos os estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde no que respeita a:requisitos para o exercício da atividade;direitos de acesso aos cuidados de saúde e dos demais direitos dos utentes;legalidade e transparência das relações económicas entre os diversos operadores;concorrência no sector da saúde.Como o fazemos?Desenvolvemos diversas atividades de regulação e supervisão dos prestadores:tratamento de reclamações dos utentes, prestadores e instituições;realização de inspeções e auditorias às instalações dos prestadores de cuidados de saúde;investigação das situações que possam pôr em causa os direitos dos utentes;condução de processos de contra-ordenação e aplicação de sanções;emissão de instruções, recomendações e pareceres;realização de estudos sobre a organização do sistema de saúde.IN: http://www.ers.pt/pages/2E "A IGAS é o serviço central da administração direta do Estado, que tem por missão assegurar, no âmbito das competências legalmente cometidas ao Governo, o cumprimento da lei e elevados níveis técnicos de atuação, em todos os domínios da prestação dos cuidados de saúde, quer pelos organismos do Ministério da Saúde ou por este tutelados, quer ainda pelas entidades públicas, privadas ou do setor social.AtribuiçõesVerificar o cumprimento das disposições legais e das orientações aplicáveis por qualquer entidade ou profissional, no domínio das atividades em saúde.Atuar no âmbito do sistema e controlo interno da administração financeira do Estado, no que diz respeito às instituições e serviços integrados no Ministério da Saúde ou sob sua tutela e garantir a aplicação eficaz, eficiente e económica dos dinheiros públicos, de acordo com os objetivos definidos pelo Governo, bem como a correta utilização pelas entidades privadas dos fundos públicos de que tenham beneficiado.Auditar as instituições e serviços integrados do Ministério da Saúde, ou por este tutelados, e inspecionar as atividades e prestações de saúde desenvolvidas por entidades do setor público, bem como por entidades privadas integradas ou não no Sistema de Saúde.Desenvolver a ação disciplinar em serviços e organismos do Ministério da Saúde ou por este tutelados, nos termos previstos no presente diploma.Efetuar ações de prevenção e deteção de situações de corrupção e de fraude promovendo os procedimentos adequados.Colaborar com organismos nacionais e internacionais em matérias das atribuições das inspeções-gerais.Sem prejuízo do disposto no ponto 4. é atribuída à IGAS:A instrução de processos disciplinares em que os arguidos sejam funcionários ou agentes e sejam, ou tenham sido há menos de cinco anos, titulares de cargo de direção superior ou membros dos órgãos máximos de gestão dos serviços e organismos do MS ou tutelados pelo Ministro da Saúde, independentemente da respetiva natureza jurídica."In: http://www.igas.min-saude.pt/

  5. Hoje recebi uns 10 utentes de lares ou dependentes em grau elevado com hipotermia… Não sei se não ficaria mais barato pagar-lhes a electricidade ( e consequentemente o aquecimento caseiro) do que prestar-lhes cuidados no SU…

  6. Fico incrédulo como este país e os seus políticos não constroem medidas que limitem ao máximo a existência de instituições onde se verificam condições desumanas e inadmissíveis, como se constata na reportagem. Muitos destes idosos vão parar aos hospitais e os "abandonos" quer se queira, quer não, vão trazer sempre indignidade e miséria para as pessoas, o que se converterá em custos acrescidos para o país mais dia menos dia, seja de que forma o for. A Enfermagem certamente tem uma Visão a dar sobre este tema. Necessitamos seriamente de debates, avaliação, planificação e execução, para serem criadas soluções e desenvolvimento. Bom tópico colega.

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