Thatcher e o "Estado Social"

Documentos relativos ao primeiro Governo da conservadora Margaret Thatcher, divulgados nesta sexta-feira pelo Arquivo Nacional, revelam que a primeira-ministra britânica foi forçada a travar um ambicioso plano para o desmantelamento das instituições do Estado social no Reino Unido, nomeadamente o serviço nacional de saúde e a educação gratuita, para evitar “um motim” dentro do seu executivo.
O plano, que saiu do gabinete do chanceler Geoffrey Howe, previa introduzir pagamentos obrigatórios para a frequência do ensino obrigatório e acabar com o financiamento público do ensino superior, e ainda o congelamento dos subsídios atribuídos pela Segurança Social ou o estabelecimento de um sistema de saúde privado, através da privatização dos hospitais.
As propostas, redigidas pelo Central Policy Review Staff em 1982 por instrução de Thatcher e Howe, tinham como objectivo reformar o Estado e diminuir a despesa pública. Os documentos que circularam por Downing Street notavam, claramente, que a ser executado, o plano significaria “o fim do sistema nacional de saúde”.
Um dos parágrafos explicava que “vale a pena considerar um período de tempo para eliminar o financiamento público da saúde para a grande maioria da população”, para que “as unidades médicas possam ser detidas e geridas pela iniciativa privada”. O resultado seria que “quem buscar cuidados médicos seja obrigado a pagar por eles” – com algumas excepções previstas, nomeadamente para as famílias na pobreza ou os indivíduos com doenças mentais.
Segundo mostram os documentos desclassificados pelo Arquivo Nacional (após um período de 30 anos de segredo), estas propostas foram discutidas numa reunião alargada do executivo a 9 de Setembro de 1982, na qual vários ministros se insurgiram contra o que descreveram como uma “agenda radical”. O “motim” levou Thatcher a engavetar o documento.
Anos mais tarde, Thatcher recordou o episódio nas suas memórias, escrevendo que ficou “horrorizada” quando leu o documento e que imediatamente tinha notado que se o relatório chegasse ao conhecimento público “causaria uma impressão totalmente errada”.

Nem tudo pode ser socialismo…
Na minha opinião, tanto saúde como educação devem ser pagas por quem pode efectivamente pagar. Com as poupanças que se vão conseguindo, baixam-se impostos e cada vez mais pessoas podem pagar pelos serviços. Progressivamente cada vez menos pessoas precisam do “Estado Social” e estaremos próximos do modelo de Thatcher…
O financiamento do Ensino Superior Público, como já defendi anteriormente, deve ser visto como um investimento para dormar técnicos dos quais a economia precisa. Quando não precisa, não deve financiar…

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2 thoughts on “Thatcher e o "Estado Social"

  1. Antes de mais, para os mais incautos, é bom relembrar que Raquel Varela (a autora do livro) é também co-autora do moderado blog 5 Dias e que, segundo ela, nunca houve o risco de o PCP tomar o poder em Portugal e o 25 de Abril não foi uma revolução socialista.Ponto prévio feito, a autora parece desconhecer o que se faz na AR, ao dizer que o Governo não presta contas sobre os défices. Mas até basta consultar um OE para ver quais são as grandes despesas do Estado (http://www.portugal.gov.pt/pt/os-ministerios/ministerio-das-financas/documentos-oficiais/20121015-oe-2013.aspx). E o OE2013 até é supostamente de austeridade.Mas a senhora insiste e pega no BPN e nas PPP's, duas situações de pura incompetência (e desconfio que não só incompetência), diga-se. Mas nem os 8 mil milhões de buraco no BPN explicam que todos os anos tenhamos défices (várias vezes superiores a esses mesmo 8 mil milhões), nem as PPP's contribuem ainda significativamente para o défice. A grande fatia das PPP's ainda está para chegar, ou seja, ainda não pesou nos nossos défices.E mais, foram os bancos nacionais que durante muito tempo travaram a subida de juros da dívida pública, ao comprarem-na. Consequência, expuseram-se demasiado e ficaram sem liquidez para financiar a economia e sem credibilidade junto do BCE para se continuarem a endividar. Claro que com isto não quero dizer que são uns santinhos, obviamente tudo o que fizeram foi com o sentido de ter lucro, mas o que nós precisamos é mesmo de empresas com lucro.Mas ainda que o Estado Social fosse sustentável, prefiro ter menos impostos e que quem pode pagar pelos serviços pague por eles directamente. Para já, porque não gosto que nos tratem como burros e achem que podem gerir melhor o nosso dinheiro do que nós geriríamos se não no-lo tirassem. E depois por uma questão de liberdade e de responsabilização indicidual. E este último parágrafo é mesmo a única parte ideológica, o resto é só matemática… Ainda falando em ideologias, chamar neoliberal ao que se passa em Portugal (como a autora faz) também tem lógica. Basta olhar para o nível de despesa e de receita e fica clarinho o liberalismo que temos…

  2. Caro Nuno, as pessoas já pagaram pelos serviços. Aliás, pagam mais por eles do que de fato usufruem.É interessante ler a obra "Quem paga o Estado Social em Portugal". Para já fica o link da entrevista à autora: http://www.ionline.pt/portugal/raquel-varela-dos-grandes-objectivos-da-troika-aproximarmo-nos-da-chinaFicamos a perceber que afinal o dinheiro da dívida externa não tem que ver com o estado social, mas sim com o financiamento do sistema financeiro colapsado…Abraço!

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