Leitura sugerida: "Argumento viciado" por Michael Seufert

Sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, o secretário de estado Leal da Costa  fez umas contas e explicou que vai avançar com ainda mais legislação a limitar a venda e o consumo de álcool e tabaco porque as doenças associadas ao consumo destas substâncias (falou também de diabetes mas o bolo-rei parece para já estar debaixo do radar) custam muito dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde e, afinal, são evitáveis.
Deve ser disto que a Constituição fala quando nos diz que caminhamos para o Socialismo: as escolhas de vida dos indivíduos passam a ser sindicáveis pelo estado porque o estado será, mais tarde responsável por pagar o tratamento de patologias associadas a essas escolhas de vida.

Mas quando usamos este tipo de argumentos, convém ponderar todas as variáveis. Tenho muitas dúvidas que a postura do governo face ao tabaco, álcool e afins deva ser pautada por considerações financeiras como parece argumentar o senhor secretário de estado, mas se fossemos por esse caminho teríamos de ter em consideração este (via PC) estudo. Que nos diz que por os fumadores viverem menos tempo custam menos dinheiros aos sistemas de saúde apesar das patologias associadas. A sério: Smokers have more disease than nonsmokers, but nonsmokers live longer and can incur more health costs at advanced ages. E tanto quanto se percebe os autores nem entram com os impostos do  tabaco nas suas contas. Portanto, a política racional segundo este estudo (outros haverá a fazer) é a de incentivar o consumo ao fumo para racionalizar os custos dos serviços de saúde.
Isto faz algum sentido? Claro que não. Fumar faz mal e nenhum governo deve incentivar o que faz mal, por muito mal que estejam as finanças do SNS. Mas também não está correcto o estado ter um sistema de saúde compulsivo e usar as contas desse sistema para se meter na vida das pessoas e ditar regras de comportamento. A prevenção de doenças deve ser feita sem recorrer a este tipo de argumentos (facilmente falsificáveis) e dentro de limites que respeitem a liberdade individual dos cidadãos. Como todas as políticas públicas, aliás.

Cliquem no texto para serem reencaminhados para o texto original, que tem links importantes.
E aproveito para realçar que não sou fumador nem gosto nada de apanhar com o fumo dos outros, mas daí a entrar na demagogia que o SNS é insustentável por causa do tabaco, vai uma longa distância.

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4 thoughts on “Leitura sugerida: "Argumento viciado" por Michael Seufert

  1. Assumo desde já o meu conflito de interesses: sou fumadorPorém… não como doces, poucos enchidos, pouco álcool, muitos legumes, muita carne e outros etc etc etc…Já em 2008 tinha referido um estudo holandês com conclusões semelhanteshttp://saudeeportugal.blogspot.com/2008/02/certas-concluses-podem-levar-aces.htmlNo entanto, o que me assusta mesmo nisto é o totalitarismo destas posições… criando pecadores atrás de pecadores e chegando ao fim sem percebermos porque existe um serviço de saúde… Que é servir as pessoasAs pessoas… que são seres ilógicos, irracionais e acima de tudo humanos… para quem a vida não se resume à definição totalitária de que saúde é ausência de doença mas o melhor bem estar social, psíquico e biológico possível e claro que isso não é atingido através do sistema de saúde, tal como está projectado, mas sim por um equilíbrio entre várias acções e desejos… entre preferir ir ao teatro e comer um big mac para ter tempo, ou comer uma salada e não ter vontade de ir jogar à bola ou apetecer ficar deitado no sofá e não querer ir a uma consulta obrigatória sem qualquer objectivo que não seja burocrático.Por isso o argumento deve ser permitir (e não obrigar) as pessoas atingirem o seu máximo potencial enquanto seres humanos e não propriamente transformá-las em autómatos que têm como objectivo garantir UM sistema… o sistema deve servi-las e não o contrário…E prevenir deve ser uma opção racional e individual, não penalizadora ( para penalização já chegará a doença), focada na liberdade e na oferta de escolha ( oferecer educação) como forma de viver mais saudável e feliz, se for do interesse próprio … mais tempo, mas nunca o contrário.Por outro lado… prevenção não é um objectivo económico e financeiro pois em última análise apenas se adia um problema que é a morte e a doença… empurrando a despesa para mais tarde… Portanto a prevenção não é focada na redução na despesa mas no aumento da vida com qualidade e sem deficiência…Dito isto… Os fumadores pagam e bem a sua saúde… tendo em conta que o imposto pago sobre um maço de tabaco ronda os 85% do seu valor inicial e tendo em conta que um fumador que consuma um maço por dia, gasta à volta de 1300 euros por ano… paga um seguro de saúde aproximado de 100 euros mensais… parece-me um bom seguro… não acham? Tendo em conta que até muitos dos fumadores também descontam para impostos via IRS…

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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