E os enfermeiros, pá?

Foi recentemente publicada a Portaria nº 38/2013 que “estabelece as condições de instalação e funcionamento do serviço de apoio domiciliário”. Como já vem sendo hábito nestas coisas, não se fala em enfermagem em lado nenhum. Num mundo perfeito, os cuidados de enfermagem na comunidade, incluindo os domiciliários, seriam prestados pelos Cuidados de Saúde Primários. Mas isso pressupunha que nos Cuidados de Saúde Primários, a prestação de cuidados de enfermagem ao domicílio, prestados pelos centros de saúde, fosse planeada com objectivos de prevenção e com um efectivo acompanhamento das pessoas e famílias. Mas, pelo que conheço (corrijam-me se estiver errado), os cuidados de saúde domiciliários são prestados quase sempre numa perspectiva curativa (tratamento de pensos, administração de injectáveis, algaliação…) e só quando a pessoa não tenha possibilidade de se deslocar ao Centro de Saúde (continuo a usar a terminologia por ser mais abrangente). Ora, quem se encontra acamado mas (ainda) não tem feridas não precisa de cuidados de enfermagem? E mesmo quem não está acamado tem, por exemplo, dificuldades de locomoção, não precisa de cuidados de enfermagem? Claro que não precisa de pensos, mas precisa de, por exemplo, vigilância da integridade cutânea (no primeiro caso) e de identificação dos potenciais obstáculos que aumentem o risco de queda (no segundo caso).
Tudo isto para dizer o quê? Que os CSP podiam (e deviam) fazer isto. Mas sabemos que, fazendo talvez excepção a algumas unidades mais eficientes, isso não acontece. Assim sendo, já que se regula os serviços de apoio domiciliário, porque é que não se integram enfermeiros nas equipas?

Mas enfim, quando chegamos aqui, já é de esperar de tudo.

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4 thoughts on “E os enfermeiros, pá?

  1. Algumas das competência do enfermeiro especialista em enfermagem na pessoa em situação crónica a paliativa: L5.1.1 – Avalia e diagnostica as necessidades de cuidados paliativos na pessoa com doença crónica, incapacitante e terminal, ao nível físico, psicoemocional,espiritual e sócio-familiar.L5.1.2 – Avalia e identifica os sintomas descontrolados na pessoa com doença crónica, incapacitante e terminal, segundo a sua intensidade e prioridade para o individuo, utilizando para tal escalas e ferramentas adequadas, assim como o conhecimento científico.L5.1.3 – Analisa e valoriza o peso de variáveis psico-emocionais, valores e crenças na intensidade dos sintomas e do sofrimento, numa abordagem multimodal e multidimensional.L5.1.4 – Avalia o grau de dependência e as necessidades de cuidados na pessoa com doença crónica, incapacitante e terminal, promovendo a obtenção do máximo de satisfação do doente.L5.1.5 – Identifica, em tempo útil, situações de agudização.Retirado de: http://www.ordemenfermeiros.pt/colegios/Documents/MCEEMC_RegulamentoCEESituacaoCronicaPaliativa.pdfEm 2011!!!! Isto pode parecer mania da perseguição mas estando isto aprovado em 2011… porque é que o Governo não regulamentou isto e regulamenta outras situações em cima do joelho?

  2. Urge avançar com o MDP e com a especialização em Enfermagem na Pessoa em situação crónica e paliativa: será mais uma forma de proteger os utentes de aproveitamentos imorais da sua situação e garantir que têm acesso a cuidados de qualidade.Há uma grande confusão de papéis em Portugal e a diferença entre o que é "social" e o que é de Saúde/Enfermagem… é simplesmente incompreensível. Parece-me claro que o lobby do "Social" está a tomar proporções irresponsáveis e com isso parece-me claro que a Saúde está a piorar a olhos vistos.

  3. Isto parece um bombardeamento… O Governo guardou tudo na gaveta e agora está a deitar tudo cá para fora, até tenho medo do que praí vem no final de Fevereiro (a contar com a manutenção da periodicidade mensal)….Mais uma vez se vê que, neste belo País, a estratégia é pouca e não beneficia os principais visados, ou seja, os utentes. Estratégias até há, mas em benefício de determinados grupos ou negócios particulares.Vejamos então:- Portugal continua a acreditar, enquanto Governo, que os cuidados que os idosos e dependentes da população necessitam são cuidados SOCIAIS, daí que o despacho tenha sido produzido pelo Ministério da Solidariedade Social.- Cuidados sociais, quando perspectivados como o comer, habitação e higiene representam a dita "caridadezinha", isto é, "vamos lá dar-lhes o mínimo dos mínimos, pode ser que se safem". E sim, sei que o Estado não pode/deve suprir todas as necessidades.- Formar Serviços de Apoio Domiciliário (SAD), por mais básicos que sejam, apenas com auxiliares (que formação têm? quantas horas? quem a ministra? há homogeneidade na mesma? quem avalia as competências/desempenho?), para tarefas que envolvem muito mais que as funções instrumentais e meramente técnicas de dar de comer, dar o banho e limpar a casa, é manifestamente insuficiente.- Manter os SAD (embora o despacho ou decreto-lei diga que pode ser um técnico superior da área social, saude ou ciencias do comportamento) dirigidos por assistentes sociais e com equipas somente de auxiliares, não garante a correcta avaliação das necessidades dos utentes, nomeadamente ao nível de saúde (literacia, tratamento, vigilância e despiste de complicações), e correspondente intervenção.- Dizer que, sem prejuízo das instituições adequadas que existam, o SAD pode fazer ensinos aos cuidadores informais e mesmo prestar alguns cuidados, é de uma irresponsabilidade tremenda.- Produzir um despacho que ignora completamente a função dos enfermeiros nos cuidados que estes doentes necessitam no domicílio, nomeadamente a falta que faz integrar pelo menos um profissional em cada uma destas equipas, é mais uma vez apostar em mão de obra barata que, ao contrário do que está escrito no despacho, não garante a crescente qualidade e segurança que é exigida pelos utentes atualmente.Termino dizendo: em Portugal, uma das profissões que mais pode contribuir para a saúde e sustentabilidade da população, é constantemente ignorada, esquecida, desprezada, em prol de profissionais menos competentes e preparados. Os remendos não tapam um corpo num dia frio, como uma manta o faz. A falta de visão para além do imediato destas pessoas deixa-me estarrecido. Depois queixam-se que mais pessoas que estão nos domicílios são internadas, com mais patologias e complicações, que ficam mais caras ao estado. Mais um cromo para a caderneta, ao qual espero resposta pronta e célere dos nossos representantes.

Sem censura... mas sem ilegalidade e acima de tudo com o sentido de responsabilidade. Opiniões contrárias não são só aceitáveis... são desejáveis... mas for favor identifique-se, nem que seja com pseudónimo

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