Polémica na Assembleia Geral da OE

Sim, decidi-me, mais três amigos, num belo dia ensolarado, rumar a Lisboa para uma Assembleia Geral Extraordinária da OE.

Gastámos gasóleo, pagámos portagens e refeições, desgastámos o carro. Comparecemos e escutámos com atenção. E aquilo que tenho a dizer é que agradeço profundamente a todos os participantes dessa mesma Assembleia, pelos excelentes contributos e reflexões que fizeram sobre os temas em questão.

Vivemos tempos de mudança, de ameaça, mas sobretudo de desafios. E foi naquelas cadeiras, naquele auditório que hoje se mudou o curso da Enfermagem,  pois ficámos a saber que, quaisquer que sejam as decisões tomadas, a profissão nunca mais será a mesma. Hoje falou-se do futuro, falou-se da profissão, falou-se desse conceito abstrato (?) que é a regulação profissional.

Gostei do que ouvi. De um lado e de outro. A favor e contra. Temos muitos enfermeiros, muito bons e que dão a cara pela profissão, que a defendem com garra e com alma!

Polémica, foi a quantidade de cadeiras que ficou vazia e que, numa hora como aquela (17h), poderiam ter estado todas ocupadas com membros da OE.

“Ah, mas marcaram em cima da hora, e em Lisboa, e ninguém sabia, e é sempre a mesma coisa”.

Não, não é sempre a mesma coisa. Abram os mails, partilhem o carro, façam trocas. Vão. Apareçam. Foi em cima da hora pois amanhã tem de se apresentar a lei final ao Governo, não dava pra ser antes. Foi em Lisboa? E depois? Quantos enfermeiros há na região de Lisboa e arredores? Se tirarem os enfermeiros que trabalharam de TARDE e com HORÁRIO FIXO, quantos sobraram e que não apareceram? Os suficientes para encher 10 anfiteatros daqueles.

Mas valeu mesmo a pena. E deu pra ver que só se nos sentarmos naquelas cadeiras podemos ver o rumo da profissão mudar, ou dar uma ajuda para definir esse rumo! Sozinhos não vamos muito longe!

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6 thoughts on “Polémica na Assembleia Geral da OE

  1. O facto de não querermos discutir a inclusão da reserva de actividade, da definição de cuidado de enfermagem, impede outros de fazerem o mesmo em relação à área "deles"? O que acontecerá se essas alterações, feitas por outros em relação à área deles, passar a lei e a nossa ficar em decreto lei?

  2. Será por isso que existem responsáveis da Ordem que afirmam: "os concursos que vão abrir nos C.S.P. deveriam ser essencialmente para especialistas, tirando-os dos hospitais e, os generalistas que ficassem fora das vagas, paciência, ou ainda, que o SNS tem que ser assistencialista com uma carteira básica, ou confundir taxa de ocupação de um serviço com a de um hospital, ou ainda, que a diminuição de enfermeiros nos serviços é um problema da gestão do hospital e que a Ordem não se mete nisso, ou…, ou…., ou…. Arriscar, SIM, desde que se tenha uma visão para a profissão. E nós, quer queiram ou não, sempre tivemos nas organizações pessoas com visão de futuro e que arriscaram MAS que nunca puseram em causa a profissão, o seu crescimento e construção. Mais, sempre tivemos pessoas que, tendo visão, sempre tiveram a coragem de a expor e discutir com todos, explicar as razões pelas quais pensavam daquela forma. Defendiam de forma fundamentada as suas ideias. À Ordem, ao bastonário e aos atuais corpos sociais exige-se isso, esperamos isso. Não esperamos ouvir: "não sou obrigado a estar aqui e muito menos pedir colaboração/propostas porque a lei diz….". Aceito que muitos queiram ficar na história. Poucos ficarão pelos melhores motivos. E, já agora, não adianta colocar questões como a carreira, etc. Como todos sabemos, a carreira foi construída com base no MDP que permitiria o reconhecimento do percurso profissional e das competências adquiridas. Em 2008, tínhamos 7% de Enfermeiros especialistas. Era previsível que, com o novo MDP, estes números rapidamente se alterassem. Este aumento de especialistas era/é de extrema importância para a alteração das grelhas salarias que nos impuseram. Sempre foi dito, desde 2010. Arriscado são as alterações ao REPE e a passagem de artigos para UMA LEI que vai ter que passar numa A.República desfavorável. Já agora, também é importante relembrar, que o REPE só foi publicado em 1996 com um governo do PS e uma ministra da saúde chamada Maria de Belém, logo a seguir às eleições legislativas, e depois de muito trabalho junto dos grupos parlamentares. Até aí, e caso estejamos esquecidos, durante os 2 governos do PSD de cavaco silva esta lei nunca mereceu aprovação porque, entre outros aspectos, os médicos não queriam (acto médico). Hoje, o retrocesso ao modelo medico-centrico é mais uma realidade com que estamos confrontados. E com um governo PSD/CDS defensores da livre circulação e da total desregulamentação da legislação laboral e profissional chama-se a isto arriscar? Eu diria que é afundar.

  3. Sou enfermeira há tempo suficiente para saber que, nós enfermeiros sempre arriscamos. Arriscamos em 1974 quando decidimos que os 15.000 auxiliares de enfermagem tinham mais competências que os enfermeiros e por isso o "complemento de formação". Esse "arriscanço" permitiu que tenhamos um nível de formação. O arriscanço que, ainda hoje, na europa é considerado como vanguardista. Arriscámos decidir que deixavam de existir parteiras porque todos teriam que fazer a especialidade de saúde materno-obstétrica, após o curso geral. Outra grande diferença comparativamente à maioria dos países do mundo. Arriscámos uma carreira única que congregasse enfermeiros de saúde pública, hospitais e gestão e o bacharelato em 88. Arriscámos uma avaliação do desempenho que consagra objectivos em cascata que os serviços, hospitais/centros de saúde, ARS's, MS nunca cumpriram. Uma avaliação que não era punitiva mas que permitia o crescimento individual e, consequentemente, o colectivo e da profissão. Arriscámos um REPE que consagra que a profissão de enfermagem teve uma evolução, que os enfermeiros trabalham em complementaridade com outros MAS com igual nível de dignidade e que a entidade empregadora seja ela qual for é responsável pelo especial risco a que os enfermeiros estão sujeitos; definiu conceitos e, seguramente, foi o diploma mais discutido com e entre os enfermeiros (estarão muitos lembrados das reuniões efectuadas em escolas básicas, hospitais, centros de saúde, auditórios vários? O mesmo REPE que permitiu a criação da O.Enfermeiros e que abriu caminho para a licenciatura em enfermagem, mestrados e doutoramentos. Arriscar é transformar intervenções autónomas e interdependentes em ….. independentes? independentes que decorrem das "… prescrições multidisciplinares"? Que intervenções independentes são essas que decorrem da equipa multidisciplinar? se tivermos em conta que, na sua generalidade as interdependentes decorriam das prescrições médicas, agora as independentes que decorrem da equipa multidisciplinar decorre do quê? das duas profissões que a Ordem está a propor? enfermeiros generalistas e enfermeiros especialistas? Ou, à semelhança do que acontece noutros países, e na suposição que os enfermeiros prescrevem medicamentos (sim suposição porque como sabemos, por exemplo, na vizinha Espanha que tanto alarido têm feito, a prescrição que os enfermeiros fazem são as "drogas" que se compram nas para farmácias sem qualquer receita médica, ou, como na França que os enfermeiros prescrevem MAS para que a segurança social pague as comparticipações as receitas têm que ter a assinatura do médico) significará que teremos aqueles, como em 74 que estarão na prática e depois, outros, menos, que estarão na gestão e na prescrição?

  4. Sem dúvida que foi um momento histórico para a Profissão!Foi impar para discutir ENFERMAGEM e que enfermagem podemos oferecer aos Portugueses! Penso que ficou claro a necessidade de mudar com coragem, mas com prudência. Não sou maluco nem conservador! Sou estratega!Arriscar mudar, nesta conjectura, pode ser ficar para trás!!Abraço

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