O que é isso da equidade?

Nos últimos tempos a palavra equidade entrou no nosso dicionário por parte de uns senhores do Tribunal Constitucional, que ou não têm dicionário ou não vivem em Portugal. Mas esquecendo por um momento que estes pseudo-governantes acham que a equidade deve ser só para um lado, debrucemo-nos por um momento sobre a área da saúde.
Foram recentemente anunciadas medidas que supostamente fazem parte da Reforma do Estado, mas que na prática são, quando muito, uma reforma da Função Pública. Entre essas medidas consta essa maldade de aumentar o horário de trabalho da Função Pública para 40 horas semanais, equiparando os divinos funcionários públicos ao comum dos mortais. (Blasfémia!) Como é natural, os salários da função pública não vão aumentar em consonância com o aumento do horário de trabalho, até porque não é preciso nenhum estudo para nos mostrar que na Função Pública se ganha mais do que no privado. Mas os médicos negociaram o aumento de horário com respectivo aumento salarial. Equidade pois então!
Depois, dentro da própria Enfermagem, temos a situação dos CIT, que é iníqua do princípio ao fim. Os hospitais EPE (e por consequência, os CIT) foram criados para, entre outras coisas, fugir às regras da contratação pública. Desde os procedimentos de admissão aos salários e demais direitos. Assim, a primeira inequidade começa logo com o facto de os CIT serem abrangidos pelos cortes impostos à Função Pública. São funcionários públicos em deveres e trabalhadores do privado em direitos. Simplesmente a situação mais injusta que encontro no nosso mercado laboral. Da mesma forma, é desprovida de sentido a reivindicação dos sindicatos para a equiparação salarial, uma vez que um dos objectivos dos CIT era exactamente permitir salários diferentes dos da Função Pública (aceito que os sindicatos se sintam legitimados a exigir esta equiparação, dado que foi o Estado o primeiro a equipara CIT a CTFP, no que diz respeito aos cortes). Mas mais uma vez chegamos a situação caricata de nalgumas instituições os CIT terem negociado semanas de trabalho de 40 horas, com salário proporcional ao da Função Pública e agora os funcionários públicos passarem para as 40 horas mantendo o mesmo salário.
Originalidades de uma política sem planeamento a longo prazo e de reformas que vão sendo feitas só quando de fora nos obrigam.

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