A Greve

Razões para fazer greve ( que podem ser ou não as mesmas da greve geral):

1.Não existir um ponto de partida semelhante: ausência de salário base idêntico, sem qualquer razão do ponto de vista financeiro ou técnico que o justifique.

2.Ausência de diferenciação do salário, com base nos objectivos atingidos ou na natureza dos actos praticados.

3.Ausência de indexadores relacionados com a produtividade e ausência de medição da produtividade. Estes indexadores devem ser feitos instituição a instituição.

4. Ausência duma carreira ou de qualquer nome que se queira dar ao processo de evolução da vida profissional, de acordo o mérito e de ausência de definição do mérito ( produtividade, produção de investigação, avaliação do desempenho). Ou seja, não há qualquer incentivo a ser melhor…

5. Ausência de definição de condições mínimas de exercício profissional ( natureza das competências dos profissionais a exercer num determinado local, por exemplo necessidade de especialistas numa determinada área) 

6. O horário de trabalho ( a opção de aumentar o horário de trabalho deve ser da parte do “empregado”) deve ter em conta que se as pessoas que trabalham serão em princípio as que mais capacidade terão para sustentar os filhos por conta própria, sem necessidade de caridade ou solidariedade colectiva, convém que não se torne essa opção cada vez mais difícil, pois assim só poderão ter filhos ou os “muito pobres” ou os “muito ricos”, sabendo de antemão que em Portugal não faltam pobres e ser muito rico já é ganhar mais do que 2000 euros mês… 

Portanto a opção é reduzir o Horário de trabalho e diminuir as contribuições para a Segurança Social( além das medidas moralizadoras que envolvem a diminuição de benesses exageradas para muito cargo político e não só) e tornar o sistema em algo que não seja um esquema de Ponzi.

Solidariedade intergeracional é os avós permitirem que os pais e os netos também possam vir a ser avós… e é um tremendo egoísmo fingir que é possível que a minha geração( os sub 40) , mesmo com a eliminação de toda a corrupção e de todos as regalias políticas, não seria necessário e justo reformar este sistema completamente inquinado que é os novos nem conseguirem trabalhar e os que trabalham sustentarem um sistema que nunca lhes será acessível: Dizer o contrário é desconhecer aritmética.

7. Ausência de critérios justos para aceder a cargos de gestão ( concurso baseado em ter ou não ter competência acrescida em gestão) e mudança na natureza destes ( temporários e não eternos, nem por nomeação).

8. Introdução de maior liberdade de escolha para os doentes e que a sua satisfação seja tida em conta assim como a sua eventual vontade de ir a outro serviço de saúde não lhe seja vetada. Centrar o sistema no cidadão também é isto

9. Para os profissionais que queiram assumir uma prática independente do Estado, reduzindo os impostos associados e permitindo concorrência entre os vários prestadores de cuidados: ou dando comparticipação nos cuidados idêntica ou acabando com a comparticipação para todos fora do “Estado”…. Se adoptarmos o princípio que o doente é quem escolhe, o dinheiro deve seguir o doente e os profissionais que cumpram as melhores normas e que melhor satisfaçam os doentes.

10.Acabar com os vários regimes jurídicos vigentes no Estado na proposição dum contrato de trabalho, sem que razões do ponto de vista técnico sejam atendidas. Não faz sentido, além de ser um verdadeiro atentado ao bom ambiente laboral, que executando as mesmas funções ( a mesma categoria profissional, esquecendo a posterior avaliação do desempenho ) se tenham CIT, CTC, CTFP, Recibos verdes e toda a restante maralha de invenções jurídicas que apenas descredibilizam o Direito em Portugal e corrompem a confiança no Poder.

11. Aumento da capacidade de concorrência das várias instituições , sendo que para isso todos os actores, do presidente do conselho de administração ao assistente operacional, sejam avaliados e que a sua avaliação conte para a sua remuneração e emprego: Não faz sentido que o presidente dum CA ou um assistente operacional queira ver prejudicada a sua instituição e portanto a cultura e a legislação deve ter em vista o melhor interesse da instituição e do cliente. Assim como não faz sentido que se queira cortar por cortar, sem ligar à melhoria ou pelo menos manutenção da qualidade. Alguém imagina o que é o dono da empresa ser um suicida e um tipo que quer levar propositadamente a sua própria empresa à falência? Não cabe na cabeça de ninguém pois não?

12. Eu estou interessado em ganhar mais dinheiro, que todos ganhem mais dinheiro e que isso só possa ser possível se todos forem responsabilizados com base no melhor interesse do doente/da pessoa e que haja equilíbrio orçamental para que não sejam sucessivas as bancarrotas e o crescimento seja sustentável.

13. Quero que haja uma confluência de interesses entre a prestação de cuidados a nível hospitalar e da comunidade ( sejam centros de saúde, lares, cuidados continuados ou unidades de cuidados na comunidade) e portanto que não me faz muito sentido que um Hospital ou uma unidade de CSP tenha interesses divergentes… Concorrência mas com eficiência.

14. Que os sistemas de informação e seu uso aos mais variados níveis tenha em conta a natureza do prestador e o melhor interesse para todos… maior usabilidade e indo de encontro à necessidade: maior rapidez, satisfação dos utilizadores e impacto na prestação de cuidados assim como garantia da interoperabilidade e veracidade da informação ( quem fez o quê e como ou quando). Só tendo dados fiáveis é possível concretizar mudanças e não ao som de quem berra mais nem de quem tem maior influência junto do poder político, assim como é duma falsidade tremenda seleccionar os dados que mais convêm e esquecer o que os suporta.

Estarei a sonhar quanto à possibilidade duma greve assim? Estarão os lados da “reivindicação” e do lado do “patrão” interessados em discutir nestes termos?

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