Triagem, Erros e "Coisas"

Na saga de efabulação destrutiva do bastonário da OM do sistema de saúde português, ao pôr os seus sentimentos pessoais de ódio pelos “Enfermeiros”, esquece toda a “ciência” e todo o ambiente de melhoria de qualidade desejável para melhorar e não piorar.

Que isto avive a memória(clicar AQUI): 

To Err Is Human (relatório dos EUA onde se conclui que morrem 98000 pessoas por erros HUMANOS mas que na tradução vigente passou como erro médico).

Ora se Errar é humano parece que há humanos mais iguais que outros, onde nuns os erros são normais e noutros inadmissíveis.

Várias interpretações/conclusões podem ser feitas após analisar um evento( neste caso não houve análise nenhuma mas sim o habitual jornalismo jacobino e conservadorzinho a dar a voz ao “Poder” e a contribuir para a ignorância colectiva).

Uma conclusão má de eventuais erros é substituir/penalizar todos os que cometeram os erros(ler o relatório abaixo citado e perceber como interpretações recentes do bastonário dos médicos são contra toda a “ciência”) 

Uma conclusão boa é aperfeiçoar o Sistema(nomeadamente a triagem de prioridades) que eu também considero ser muito limitativa se levada à risca daí que todos os dias ela seja “torneada” para que o sistema sirva o doente e não o seu contrário. No entanto, como já disse noutras ocasiões, este sistema deveria ser mais dinâmico a incorporar mudanças e muitas têm sido sugeridas por enfermeiros que inexplicavelmente não são atendidas.


Posto isto:

Porque só existe triagem dado que os recursos são insuficientes para a procura por parte das pessoas e não querendo entrar em querelas e minudências ou acusações é preciso perceber que tipo de cuidados de saúde são prestados, quem os presta e quantos o fazem e ver o que realmente se passa…

 PS: Gostaria que não existisse triagem pois significaria que todos podem ter acesso imediato ao que precisam ou julgam precisar porém não sendo isso possível, é necessário aperfeiçoar e não destruir.

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As autarquias e a Saúde

Em ano de eleições autárquicas, penso que será pertinente abordarmos o papel das autarquias na saúde e fazer uma colectânea de boas e más medidas dos vários programas eleitorais.
Obviamente cada política autárquica deve ser adaptada a cada comunidade em específico e na área da Saúde não é excepção. Assim, a medida primordial em qualquer política autárquica decente, deve passar por um Diagnóstico de Saúde da Comunidade, que permita definir metas e traçar Planos, Programas e Projectos para as atingir. Esta era uma competência dos Centros de Saúde, que a descuravam e é agora uma competência das Unidades de Cuidados na Comunidade, que são ainda manifestamente poucas. Neste contexto, as autarquias podem ter um papel importante, não fazendo este trabalho, mas servindo de aglutinador entre as unidades de saúde públicas e privadas, IPSS’s, escolas, associações, clubes desportivos e demais forças activas da comunidade, no sentido de identificar as reais necessidades da população e de implementar os projectos destinados às várias populações. Para facilitar a partilha de experiências entre as várias autarquias e unir os esforços de todos, é de toda a pertinência a adesão à Rede Portuguesa de Cidades Saudáveis, que conta já com alguns bons exemplos, os quais todos têm a ganhar em conhecer.
De resto, as políticas de promoção da saúde são multi-factoriais e englobam medidas como:
-Criação de espaços verdes
-Criação de espaços e infra-estruturas destinadas à prática de exercício físico
-Criação de órgãos conglomeradores da comunidade para a definição de políticas de saúde
-Aposta na educação e formação
-Criação de Gabinetes de Apoio a Jovens (em parceria com os cuidados comunitários e/ou escolas)
-Promoção das acessibilidades a pessoas com mobilidade reduzida
-Apoio às IPSS ligadas à saúde e apoio social
-Incentivo à prática desportiva
-Criação de mecanismos de apoio às populações isoladas
-Combate à pobreza e exclusão social (é vago, mas as medidas concretas dependem de cada município)
-Criação de ciclovias e passeios pedonais

Deixem sugestões de mais medidas e bons e maus exemplos dos programas eleitorais das vossas terras.

Falta de Transparência

Um pouco à imagem do que tem vindo a ser o desempenho dos recentes Ministérios da Saúde( no que à importância que se dá à opacidade/ falta de transparência nas decisões sobre os cuidados de saúde em Portugal, acrescido da infantilização dos cidadãos e da descarada falta de respeito por todos os profissionais de saúde e pessoas ao seu cuidados, ao limitar-lhes o acesso à informação de saúde(http://saudeeportugal.blogspot.pt/2012/12/acesso-dos-doentes-aos-processos.html ) indispensável a cuidados seguros e no melhor interesse das pessoas) vem isto…

 http://dre.pt/pdf2sdip/2013/07/140000000/2316423164.pdf

Que menciona:
 “1 — A divulgação de informação estatística na área da saúde de carácter regional ou local, referente às Administrações Regionais de Saúde, I. P., aos estabelecimentos hospitalares, independentemente da sua designação, aos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), e às 

Unidades Locais de Saúde, só pode ser efetuada após comunicação à Direção -Geral da Saúde (DGS) e uma vez obtida a autorização do Diretor–Geral, devendo ser sempre divulgada através do Portal da Estatística da Saúde, independentemente de poder ser divulgada em Portais dos organismos e serviços.
2 — A divulgação de informação estatística na área da saúde pelos demais serviços e organismos do Ministério da Saúde, incluindo administração direta do Estado, organismos integrados na administração indireta do Estado, órgãos consultivos ou outras estruturas e por entidades integradas no sector empresarial do Estado, sempre que seja considerada de interesse para divulgação pública generalizada, tem de ser feita também no Portal da Estatística da Saúde, independentemente de poder ser divulgada em Portais dos organismos e serviços.”

Depois ninguém se admire com “isto” relativamente ao acesso aos processos clínicos:


Imagem retirada de: “ DEVER DE DOCUMENTAÇÃO, ACESSO AO PROCESSO CLÍNICO E SUA PROPRIEDADE. UMA PERSPECTIVA EUROPÉIA” de André Gonçalo Dias Pereira e que pode aceder através do link: http://web.unifil.br/docs/juridica/04/Revista%20Juridica_04-2.pdf 

Guerra de audiências na Maternidade Alfredo da Costa

Qualquer semelhança com uma guerra de audiências e de ver quem consegue mais votos na opinião pública… é pura coincidência:
Devem multiplicar-se nos próximos tempos notícias de negligência na MAC dum lado e louvas ao serviço prestado de outro…
2 Notícias que só o são porque é assim que se tomam decisões em Portugal…

“Mortes de mulher grávida e de gémeos na MAC sob investigação”
In: 
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=672328&tm=8&layout=122&visual=61

E outra:

“Travado encerramento da Maternidade Alfredo da Costa”

No fim…
Quem vai ganhar? 


Quem tem razão?

E o CMIN( Centro Materno-Infantil do Norte) será uma nova espécie de MAC?

Impressoras 3 D e a Saúde

Já imaginaram poder “fabricar” em casa uma ajuda técnica, um qualquer dispositivo personalizado para qualquer apoio à autonomia dum qualquer doente?

Aqui fica um exemplo duma…
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=658030&tm=6&layout=122&visual=61

E duma possível aplicação desta…



Mudança de cateteres venosos periféricos

Substituição de um cateter venoso periférico, quando clinicamente indicado versus mudança de rotina
É o título do tema do estudo de revisão da Cochrane Association ( já iniciou publicações em Português) e que podem consultar AQUI (o Resumo).

Conclusão: Não se devem mudar cateteres por rotina mas só e apenas quando indicado. Tal proporciona economia significativa de tempo( ao enfermeiro) e dinheiro (menor uso de cateteres) mas acima de tudo, evita muita dor ao doente( e toda a gente sabe a dor e medo que uma colocação de cateter “proporciona”).

Por cá, em Portugal, como são as coisas?